Editorial: O Crepúsculo das Referências e a Justiça como Arma
O diálogo com uma criança costuma ser o teste de fogo da nossa clareza moral. Recentemente, ao ser questionado por um pequeno — “Tio, quem são os piores exemplos de homens para o planeta?” — a resposta veio sem titubear, moldada pela observação crua da realidade geopolítica e nacional: Trump, Netanyahu, Putin e Alexandre de Moraes.
Embora operem em sistemas e continentes distintos, esse quarteto compartilha uma característica comum e perigosa: a personificação do poder absoluto sobre o diálogo e da força sobre a lei.
Centro histórico da Cidade de SP, 20.04.26
O Cenário Global: A Força como Linguagem
No tabuleiro internacional, o exemplo que fica para as futuras gerações é o da intransigência. Temos Vladimir Putin, o autocrata que resgatou o expansionismo militar e o silenciamento pela força; Donald Trump, que personifica a erosão da confiança institucional através de um populismo disruptivo; e Benjamin Netanyahu, que foca na sobrevivência política a qualquer custo, ignorando o consenso global em nome do prolongamento de conflitos.
O que une esses líderes é a ausência de diplomacia. Eles moldaram um mundo onde o “homem forte” — aquele que não recua, não admite erros e trata o adversário como inimigo mortal — é o único modelo de sucesso.
O Caso Brasileiro: A Toga como Armadura
Contudo, é no cenário doméstico que o exemplo se torna mais insidioso. Alexandre de Moraes conseguiu um feito raro: através de uma exposição midiática agressiva e negativa, ele entrou em todos os lares brasileiros. Seu nome é debatido da fila do ônibus ao salão de beleza, das igrejas aos restaurantes, igrejas e consolidando-se como o “Vilão nº 1” da democracia brasileira.
Diferente dos outros líderes, que usam tanques ou votos, Moraes utiliza a Justiça como ferramenta de vingança. Ao transformar o Supremo Tribunal Federal (STF) em um balcão de negócios políticos e um tribunal de exceção, ele subverteu a função da toga. A percepção pública é clara: a balança da justiça foi trocada pela espada do arbítrio.
A Escala do Autoritarismo
A comparação é inevitável e assustadora. Se em uma democracia ainda sob monitoramento as ações de Moraes são vistas como exorbitantes, fica o questionamento: se ele tivesse o poder militar ou o controle estatal absoluto dos outros três nomes da lista, o estrago seria incomensurável.
O perigo reside no uso do Direito para “quebrar o espírito” do adversário através de inquéritos perpétuos e prisões preventivas que lembram métodos de regimes que o próprio tribunal diz combater. Quando o juiz se torna militante, a Justiça morre.
Conclusão
Ao responder àquela criança, não citamos apenas nomes; diagnosticamos um sintoma geracional. O pior exemplo para o planeta hoje não é apenas o líder que erra, mas aquele que, tendo o dever de proteger as regras, as manipula para exercer o arbítrio pessoal.
Ao transformar o tribunal em arena, o magistrado brasileiro não apenas personifica um mau exemplo; ele sequestra a esperança de um futuro onde o conflito não seja a única linguagem. O desafio da nossa geração é mostrar que o verdadeiro poder constrói pontes, enquanto o autoritarismo, seja ele fardado ou de toga, apenas cava trincheiras.

















































