EDITORIAL: O Brasil Que Despreza o Balcão
Por: Mário Marcovicchio Editor

A matéria de capa desta edição é o retrato da “realidade nua e crua” do Brasil produtivo. O Brás e a 25 de Março gritam por socorro, mas o eco que recebem é o silêncio complacente das autoridades, tanto municipais quanto federais. Os maiores polos comerciais do país enfrentam um “apagão de mão de obra” que vai muito além dos 11 mil postos de trabalho vazios. É um sintoma de uma falência múltipla na política de trabalho, educação e incentivo ao mérito.
O Paradoxo da Estátua
O paradoxo de 2026 é cruel: enquanto o governo comemora índices de desemprego supostamente baixos, o “chão de loja” está deserto. Como explicar que, em uma metrópole como São Paulo, vitrines fiquem com placas de “Precisa-se” por mais de um ano? A resposta, embora complexa, passa por um desinteresse generalizado em trabalhar no comércio tradicional. E isso não acontece por acaso.
A Crise do Comprometimento e a Indústria do Processo
O depoimento do presidente da Associação dos Chineses do Brasil, Fabio Ye, e do empresário Luis Lay é devastador. Eles relatam funcionários com “má vontade”, faltas excessivas e o fenômeno bizarro do “Almoço Sem Volta”. Lay levanta uma questão central: o empresário investe, treina e paga acima do mercado, apenas para o funcionário sair em três meses e processar a empresa na Justiça. A insegurança jurídica, aliada a uma cultura que muitas vezes penaliza quem produz e recompensa o oportunismo, criou uma barreira intransponível para o pequeno empresário. A “indústria do processo” está matando a “indústria do varejo”.
Autoridades de Braço Cruzado
Onde estão as políticas públicas reais de qualificação profissional voltadas para as demandas do comércio popular? Onde estão os planos de mobilidade que tornem viável para um trabalhador da periferia chegar ao centro sem esgotamento físico e financeiro? As autoridades parecem anestesiadas, assistindo de camarote a “empresarização” forçada e o fechamento de lojas. Enquanto isso, o Brasil vê sua classe trabalhadora migrar para o trabalho informal via aplicativos, trocando a CLT por uma liberdade ilusória, sem rede de proteção. E o comércio, esse motor econômico vital, definha.
No final das contas, a penalidade é sempre para quem produz. É o pequeno lojista — chinês, brasileiro, imigrante — que acorda cedo, paga impostos e arrisca seu capital, que paga a conta. O apagão no balcão não é apenas uma escassez de funcionários; é o reflexo de um país que, infelizmente, parece estar perdendo o desejo de trabalhar e de valorizar o esforço real. O Brás e a 25 de Março são o canário na mina. Se eles sucumbirem, o que sobrará da nossa economia popular? É hora das autoridades acordarem e de, como sociedade, repensarmos nossos valores de trabalho e justiça.

Mário Marcovicchio, Advogado Jornalista, atua há mais de 50 anos na região da 25 de Março e Brás. ex-Presidente do Conseg 25 de Março e Sé. Diretor do Sindicato de Tecidos e Armarinhos do Estado de São Paulo. Consultor Independente de associações da região da região da 25 de Março, Centro de SP e Brás. Consultor Internacional de Política Pública.
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