DENÚNCIAS DE ASSÉDIO NA FÁBRICA DA BYD
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
São Paulo, segunda-feira, 20 de julho de 2026
Centro Histórico da Cidade de SP
Por Redação do Jornal25News – Independente
O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari e Região tornou públicas denúncias de assédio moral e sexual envolvendo trabalhadores da fábrica da montadora chinesa BYD, na Bahia.
Segundo o presidente da entidade, Júlio Bonfim, os relatos envolvem chefias brasileiras e chinesas. Trabalhadores teriam denunciado xingamentos, humilhações, ameaças, comentários sobre o corpo de funcionárias, contatos físicos sem consentimento e abordagens de caráter sexual.
O Ministério Público do Trabalho na Bahia abriu um procedimento para apurar as acusações. O órgão informou, porém, que, quando a investigação foi instaurada, o sindicato ainda não havia apresentado formalmente as denúncias anunciadas publicamente. O MPT já analisava, de forma preliminar, outro caso de possível assédio moral na empresa. (MPT-BA)
A BYD contesta a dimensão divulgada das denúncias, afirma adotar política de tolerância zero contra qualquer forma de assédio e mantém um canal para o recebimento anônimo de queixas. A empresa declarou que os casos serão investigados e que responsáveis poderão ser desligados caso as acusações sejam comprovadas. (UOL Notícias)
LEITURA INTEGRAL
O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari e Região acendeu um novo alerta sobre as relações de trabalho na fábrica da BYD, instalada no antigo complexo industrial da Ford, na Bahia.
A entidade afirma ter recebido relatos de assédio moral e sexual praticados por integrantes das lideranças da unidade. As acusações envolvem chefes brasileiros e chineses e passaram a ocupar posição central na campanha salarial dos trabalhadores.
As denúncias ganharam maior repercussão depois de uma assembleia realizada no dia 9 de julho, em frente à fábrica. O encontro havia sido convocado para discutir salários, benefícios, condições de trabalho, liberdade sindical e medidas de prevenção ao assédio. (UOL)
SINDICATO RELATA XINGAMENTOS, HUMILHAÇÕES E AMEAÇAS
De acordo com Júlio Bonfim, presidente do sindicato, trabalhadores relataram episódios de xingamentos, humilhações públicas, ameaças e tratamentos considerados abusivos por parte de algumas chefias.
O sindicalista relaciona parte dos conflitos à pressão por velocidade e produtividade na linha de montagem. Segundo ele, o modelo de produção teria aumentado a tensão entre lideranças e funcionários.
Bonfim afirmou que homens e mulheres apresentaram queixas de assédio moral. No caso das denúncias de natureza sexual, as vítimas seriam principalmente trabalhadoras da fábrica. (AutoData)
TRABALHADORAS TEMERIAM RETALIAÇÕES
Segundo o sindicato, algumas mulheres teriam relatado comentários sobre seus corpos, perguntas sobre a vida íntima, convites insistentes e contatos físicos sem consentimento.
Bonfim declarou ter conversado pessoalmente com pelo menos três trabalhadoras que teriam apresentado denúncias de assédio sexual. A entidade orientou as funcionárias a procurar a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, buscar acompanhamento jurídico e formalizar os relatos perante o Ministério Público do Trabalho.
O sindicato afirma que muitas vítimas têm receio de perder o emprego, sofrer retaliações ou ser expostas dentro do ambiente profissional. (AutoData)
Uma trabalhadora ouvida sob anonimato pelo UOL declarou que teria sofrido comentários sobre o corpo, perguntas íntimas e contato físico não autorizado. Ela afirmou ainda que passou a enfrentar repreensões e perseguições depois de rejeitar as abordagens. A funcionária disse ter procurado o setor de Recursos Humanos, mas a apuração interna não teria encontrado elementos suficientes para punição. As afirmações ainda dependem de investigação pelas autoridades competentes. (UOL)
NÚMERO DE DENÚNCIAS É CONTESTADO
O número exato de denúncias tornou-se objeto de divergência entre o sindicato e a BYD.
Em declarações públicas, Júlio Bonfim afirmou inicialmente que os relatos de assédio moral chegariam às centenas e os de assédio sexual às dezenas. O próprio material jornalístico que divulgou esses números informou que o dirigente não apresentou provas documentais da quantidade mencionada. (UOL)
A BYD contestou a informação e declarou que, depois de ser questionado, o representante sindical teria se referido a “alguns casos”, e não a centenas de ocorrências.
A montadora acusou o sindicato de fornecer informação falsa e criticou o UOL por ter publicado a primeira versão sem comprovação independente. O veículo posteriormente modificou o título e o conteúdo da reportagem. (UOL Notícias)
Diante da divergência, não é possível afirmar neste momento a quantidade total de vítimas ou ocorrências. Os relatos deverão ser individualizados e analisados durante as investigações.
MPT ABRE PROCEDIMENTO PARA APURAR ACUSAÇÕES
O Ministério Público do Trabalho na Bahia instaurou, em 15 de julho, um procedimento para investigar as acusações divulgadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari.
Em comunicado oficial, o órgão informou que o sindicato ainda não havia formalizado as denúncias mencionadas em entrevistas e publicações nas redes sociais.
Com a abertura do procedimento, a entidade sindical deverá ser chamada para apresentar documentos, relatos e informações que permitam a apuração dos fatos.
O MPT informou também que já mantinha uma investigação preliminar relacionada a uma denúncia que poderia configurar assédio moral dentro da empresa. (MPT-BA)
BYD AFIRMA TER TOLERÂNCIA ZERO
A BYD declarou que está comprometida com a investigação de qualquer denúncia de assédio no ambiente de trabalho.
A empresa afirma manter um canal de denúncias por e-mail, com possibilidade de comunicação anônima. Segundo a montadora, as apurações são conduzidas sob sigilo para proteger a identidade de quem apresenta as queixas.
A BYD sustenta que possui política de tolerância zero contra assédio e que, se as acusações forem comprovadas, os responsáveis poderão ser punidos e desligados. (UOL)
A montadora, entretanto, rejeita a afirmação de que existiriam centenas de casos e considera a acusação grave e sem comprovação.
CAMPANHA SALARIAL TAMBÉM COBRA MELHORES CONDIÇÕES
O combate ao assédio faz parte de uma pauta mais ampla apresentada pelo sindicato durante a campanha salarial de 2026.
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 15%, elevação do vale-alimentação para R$ 850, redução dos custos do plano de saúde e maior liberdade para a atuação sindical dentro da fábrica.
A entidade também pede a criação de uma política permanente de prevenção e enfrentamento ao assédio moral e sexual, com procedimentos claros para acolher vítimas, preservar o sigilo e responsabilizar os envolvidos. (Times Brasil | CNBC)
PRESENÇA DA POLÍCIA GEROU TENSÃO
A assembleia realizada no dia 9 de julho também foi marcada por tensão devido à presença da Polícia Militar diante da fábrica.
Segundo o sindicato, três viaturas e aproximadamente 14 policiais armados permaneceram no local. A entidade considerou a presença policial uma tentativa de intimidação dos trabalhadores.
Funcionários do primeiro turno decidiram não entrar na unidade e retornaram para casa. Os turnos seguintes retomaram as atividades, e o primeiro turno voltou ao trabalho no dia seguinte. (Times Brasil | CNBC)
O sindicato afirmou que continuará defendendo a liberdade de organização da categoria e a realização de negociações coletivas sem interferência ou intimidação.
COMPLEXO JÁ FOI ALVO DE OUTRA INVESTIGAÇÃO TRABALHISTA
As novas denúncias surgem depois de uma grave investigação relacionada à construção do complexo industrial da BYD.
Em dezembro de 2024, autoridades localizaram inicialmente 163 trabalhadores chineses que, segundo a fiscalização, estavam submetidos a jornadas excessivas, alojamentos degradantes, retenção de documentos e outras violações trabalhistas.
A BYD informou na ocasião que rompeu o contrato com a empreiteira responsável, transferiu os trabalhadores para hotéis e passou a colaborar com as autoridades. (Reuters)
Posteriormente, o Ministério Público do Trabalho ajuizou ação contra a BYD e duas empresas terceirizadas, mencionando 220 trabalhadores e pedindo R$ 257 milhões em indenizações. A montadora afirmou que respeita as leis brasileiras e as normas internacionais de proteção ao trabalho. (AP News)
O episódio anterior estava relacionado aos operários empregados nas obras do complexo e não aos atuais trabalhadores da linha de produção representados pelo sindicato.
DENÚNCIAS PRECISAM SER INVESTIGADAS COM RIGOR
Os relatos divulgados pelo sindicato são graves e precisam ser investigados de maneira técnica, independente e transparente.
Também é necessário assegurar o direito de defesa dos acusados, a preservação da identidade das possíveis vítimas e a proteção contra qualquer forma de retaliação.
A apuração do MPT deverá esclarecer quantas denúncias existem, quando teriam ocorrido, quem são os envolvidos, quais medidas foram adotadas pela empresa e se houve falhas nos mecanismos internos de prevenção e responsabilização.
A instalação da BYD em Camaçari representa um investimento estratégico para a indústria automotiva brasileira e para a geração de empregos na Bahia. Esse desenvolvimento, porém, precisa estar necessariamente acompanhado pelo respeito à legislação, à liberdade sindical e à dignidade de todos os trabalhadores.
APOIO INSTITUCIONAL
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