A Enel Distribuição São Paulo (antiga Eletropaulo) divulgou nesta quinta-feira (05/02) os resultados preliminares da maior operação contra furto de energia (“gato”) já realizada na capital paulista. A ação, batizada de Operação Luz Legal 2026, durou 45 dias (dezembro 2025 a janeiro 2026) e recuperou energia equivalente a 148 GWh — volume suficiente para abastecer, por um mês inteiro, as cidades de Campinas e São José dos Campos juntas (consumo médio combinado das duas cidades: ~145–150 GWh/mês).
Números impressionantes da operação

- Energia recuperada: 148 GWh (148 milhões de kWh)
- Valor financeiro estimado: R$ 118–132 milhões (considerando tarifa média residencial/comercial de R$ 0,80–0,89/kWh)
- Instalações irregulares identificadas: 42.817 pontos de furto (“gatos”)
- Regiões mais afetadas (em ordem de volume recuperado):
- Zona Leste (Penha, São Mateus, Itaquera, Guaianases) – 38% do total
- Zona Sul (Capão Redondo, Cidade Ademar, Parelheiros) – 29%
- Zona Norte (Brasilândia, Jaçanã, Vila Maria) – 18%
- Centro e arredores – 9%
- Outras regiões – 6%
- Tipos de irregularidade mais comuns:
- Ligação direta na rede (bypass do medidor) – 61%
- Medidor adulterado ou lacre violado – 24%
- Ligação clandestina em poste – 11%
- Outros (manipulação de relógio bidirecional) – 4%
Impacto econômico e social
- Perda anual estimada antes da operação: R$ 1,8–2,1 bilhões só na capital (equivalente a ~15% da energia distribuída na cidade).
- Aumento na arrecadação da Enel: R$ 118–132 milhões recuperados devem ser reinvestidos em melhorias na rede (substituição de postes, cabos, transformadores e expansão da rede subterrânea).
- Redução projetada na tarifa: A Enel informou que o volume recuperado deve gerar uma queda média de 0,8–1,2% na tarifa residencial em 2026 (efeito diluído em toda a base de clientes).
Repercussão e ações paralelas
- Enel: “A operação não é punitiva, é de regularização. Quem regulariza a ligação em até 30 dias após notificação tem desconto de até 90% na multa e no débito retroativo. Quem não regulariza enfrenta corte e multa integral.”
- Defesa do Consumidor (Procon-SP): Cobrou transparência na cobrança retroativa e garantiu que acompanhará os casos para evitar abusos (ex.: cobrança de débitos prescritos ou sem prova técnica).
- Moradores afetados: Relatos de famílias que tiveram energia cortada após décadas de “gato” geraram protestos pontuais em Itaquera e Cidade Ademar. Muitos alegam que “não tinham condições de pagar tarifa cheia”.
- Polícia Militar e Civil: 214 prisões em flagrante por furto qualificado de energia + associação criminosa (quadrilhas que cobravam para fazer “gatos” em comunidades).
A Operação Luz Legal 2026 recuperou energia suficiente para abastecer duas cidades médias por um mês inteiro — volume que antes era desviado ilegalmente e oneroso para os clientes regulares. A Enel promete manter a pressão em 2026, com meta de reduzir as perdas não técnicas (incluindo “gatos”) de 14,8% para 12% na capital até o fim do ano.
O Jornal 25News acompanha os desdobramentos judiciais e o impacto real na tarifa de energia. Porque, em uma cidade que sofre com apagões e contas altas, combater o “gato” não é só questão de legalidade — é também questão de justiça distributiva. Quem paga em dia não pode continuar subsidiando quem não paga.
Apoio Institucional
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
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