CASO LULINHA E MARCOLA: VERSÃO DE ALIADOS BUSCA AFASTAR LULA DAS SUSPEITAS ENQUANTO PF APURA TRÁFICO DE INFLUÊNCIA
Ex-chefe do gabinete pessoal da Presidência teve despesas pagas por empresária investigada; ele afirma que valores eram empréstimo particular e nega qualquer irregularidade
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
Brasília, 23 de agosto de 2026
As investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger e o ex-chefe do gabinete pessoal da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, passaram a provocar desgaste político no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo informações publicadas pela imprensa, interlocutores ligados ao PT passaram a sustentar que, caso alguma irregularidade seja comprovada, Marcola teria atuado por conta própria, utilizando o prestígio e a influência decorrentes de seu cargo para abrir portas no governo.
Essa, porém, é uma versão política apresentada por aliados, e não uma conclusão da Polícia Federal.
A PF investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger e relações mantidas com integrantes do governo.
Até o momento, Lula não aparece como investigado e não foram divulgadas provas de participação pessoal do presidente nas supostas irregularidades.
LEITURA INTEGRAL
QUEM É MARCOLA
Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ocupou uma das funções de maior confiança dentro da Presidência da República.
Como chefe do Gabinete Pessoal do Presidente, tinha proximidade direta com Lula e participava da organização da agenda presidencial e da interlocução com autoridades, políticos e representantes de diferentes setores.
Essa posição conferia ao auxiliar grande capacidade de circulação dentro do governo.
Marcola deixou o cargo na Presidência e passou a atuar na campanha eleitoral de Lula. Posteriormente, diante da repercussão das investigações, também se afastou da campanha.
A VERSÃO DOS ALIADOS DO GOVERNO
Segundo a revista Veja, interlocutores petistas passaram a defender a tese de que eventual atuação irregular de Marcola teria ocorrido de maneira independente.
A versão sustenta que o ex-assessor poderia ter utilizado a força política do cargo, sua proximidade com Lula e seu acesso ao governo para atender interesses de terceiros, sem conhecimento ou participação do presidente.
Essa interpretação busca separar politicamente Lula das condutas atribuídas ao antigo auxiliar.
É necessário, porém, fazer uma distinção fundamental:
essa é uma versão apresentada por interlocutores políticos, e não uma conclusão da Polícia Federal ou do Poder Judiciário.
O QUE A POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA
A Polícia Federal apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo pessoas próximas ao presidente.
Uma das linhas de investigação busca esclarecer se a condição de Lulinha como filho do presidente da República teria sido utilizada para facilitar contatos, reuniões ou negócios envolvendo empresas privadas e órgãos do governo federal.
Também estão sob análise contatos relacionados a áreas como Ministério da Saúde e Dataprev.
Mensagens e documentos apreendidos durante as investigações estão sendo analisados pelos investigadores.
As defesas dos envolvidos negam irregularidades.
ROBERTA LUCHSINGER E MARCOLA
Um dos principais pontos revelados pelas investigações envolve a relação financeira entre Roberta Luchsinger e Marcola.
Segundo informações obtidas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa, Roberta teria pago aproximadamente R$ 217 mil em despesas pessoais do então chefe de gabinete durante 2024.
Os valores teriam sido utilizados em despesas como faturas de cartão de crédito, parcelas relacionadas a veículo e outros gastos particulares.
Os investigadores analisam o contexto desses pagamentos porque ocorreram em período no qual a empresária buscava interlocução com integrantes do governo.
MARCOLA DIZ QUE FOI UM EMPRÉSTIMO
Marco Aurélio Santana Ribeiro nega qualquer ilegalidade.
Segundo sua versão, os pagamentos correspondiam a um empréstimo particular feito por Roberta Luchsinger.
O ex-assessor afirma que posteriormente devolveu os recursos por meio de uma transferência de aproximadamente R$ 249 mil.
Marcola também sustenta que jamais utilizou sua posição no Palácio do Planalto para favorecer negócios privados.
A origem, finalidade e eventual relação desses pagamentos com atos praticados dentro do governo são questões que permanecem sob investigação.
JOIAS TAMBÉM APARECEM NA INVESTIGAÇÃO
Mensagens analisadas pelos investigadores também apontaram a compra de aproximadamente R$ 9,2 mil em joias relacionadas a Marcola.
Entre os produtos mencionados estavam peças com diamantes.
A defesa afirma que esses valores também estavam incluídos no empréstimo pessoal realizado entre Roberta e Marcola.
Até o momento, a existência dos pagamentos, por si só, não representa prova de prática criminosa.
O QUADRO DE 100 MIL EUROS
Outra conversa revelada durante as investigações faz referência a um quadro que teria valor de aproximadamente 100 mil euros.
Em mensagens atribuídas aos envolvidos, aparece uma conversa sobre a possível entrega da obra.
A defesa de Marcola afirma que ele não recebeu nenhum quadro ou obra de arte nesse valor e sustenta que a conversa teria ocorrido em tom de brincadeira.
Até o momento, não foi comprovado publicamente que a obra tenha sido efetivamente entregue.
NEGÓCIO ENVOLVENDO CANABIDIOL
Outro documento encontrado na investigação envolve uma proposta relacionada ao fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Roberta teria encaminhado a Marcola uma minuta relacionada ao negócio.
O ex-chefe de gabinete confirma ter recebido o material, mas afirma que não encaminhou a proposta para integrantes do governo e que não trabalhou para viabilizar qualquer contratação.
O negócio não foi concretizado.
LULINHA TAMBÉM É INVESTIGADO
Fábio Luís Lula da Silva é investigado em procedimentos que analisam possível tráfico de influência.
Os investigadores procuram esclarecer se sua condição de filho do presidente teria sido utilizada para intermediar ou facilitar interesses empresariais junto ao governo.
Mensagens trocadas entre Lulinha e Roberta Luchsinger também estão sendo analisadas.
A defesa de Lulinha nega irregularidades e sustenta que o conteúdo das mensagens vem sendo divulgado de maneira fragmentada e fora de contexto.
O QUE DIZ LULA
O presidente Lula declarou publicamente que não interfere nas investigações da Polícia Federal.
Ao comentar o caso envolvendo seu filho, afirmou que ninguém está acima da lei e que Lulinha deverá responder pelos próprios atos caso alguma irregularidade seja comprovada.
Lula também defendeu a apuração dos fatos relacionados ao seu antigo chefe de gabinete.
LULA É INVESTIGADO?
Até o momento, não.
As informações publicamente disponíveis não apontam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como alvo dessas investigações.
Também não foram apresentadas publicamente provas de que Lula tenha autorizado, participado ou tomado conhecimento previamente das condutas sob investigação.
O caso provoca evidente desgaste político porque envolve seu filho e um antigo auxiliar de absoluta confiança.
Mas responsabilidade política e responsabilidade criminal são questões diferentes.
A eventual responsabilidade penal de qualquer pessoa depende da existência de provas e da conclusão das investigações e processos competentes.
A PERGUNTA CENTRAL
O principal ponto a ser esclarecido pelas autoridades é se pessoas próximas ao presidente utilizaram relações pessoais, familiares ou cargos públicos para favorecer interesses privados dentro da administração federal.
No caso de Marcola, os investigadores analisam principalmente a relação entre os pagamentos realizados por Roberta e os contatos dela com integrantes do governo.
No caso de Lulinha, busca-se esclarecer se sua condição de filho do presidente foi utilizada para abrir portas ou influenciar decisões.
As investigações continuam.
PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA
O Jornal25News ressalta que investigação, suspeita, relatório policial ou divulgação de mensagens não significam condenação.
Todos os citados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à apresentação de suas versões.
A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 5º, inciso LVII:
“Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.”
A eventual responsabilidade de cada envolvido somente poderá ser estabelecida após o devido processo legal e decisão definitiva do Poder Judiciário.
Fontes: Polícia Federal, Presidência da República, Ministério Público Federal, Supremo Tribunal Federal, Veja, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, UOL, Correio Braziliense e manifestações públicas das defesas dos envolvidos.
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Redação — Jornal25News
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