BRASIL DEIXA PLENÁRIO DA ONU ANTES DE DISCURSO DE NETANYAHU PELO TERCEIRO ANO SEGUIDO
Delegação repetiu o protesto de 2024 e 2025. Fontes do Itamaraty relacionam o gesto à crise humanitária em Gaza e às mortes de pessoas ligadas à agência da ONU para refugiados palestinos.
Nova York, 24 de setembro de 2026
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A delegação brasileira deixou o plenário da Assembleia Geral da ONU antes do discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta quinta-feira (24). Foi o terceiro ano consecutivo em que representantes do Brasil se retiraram por ocasião de seu pronunciamento. Delegações de outros países também saíram.
Segundo fontes do Itamaraty ouvidas pelo Estadão, a retirada deste ano foi um gesto de solidariedade às pessoas ligadas à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina, a UNRWA, mortas em Gaza. A agência contabiliza 394 mortes entre funcionários e pessoas que apoiavam suas operações desde o início da guerra.
Ao iniciar sua fala, Netanyahu chamou os representantes que haviam saído de “covardes morais”.
Leitura Integral
A saída da delegação brasileira voltou a marcar o discurso de Benjamin Netanyahu na Assembleia Geral das Nações Unidas. O gesto repetiu os protestos realizados em 2024 e 2025, em meio à oposição do governo brasileiro à condução da ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza.
A primeira retirada ocorreu em 27 de setembro de 2024. Segundo diplomatas ouvidos à época pelo Estadão, a decisão de não acompanhar o pronunciamento partiu do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Pesaram na orientação a crise humanitária em Gaza, a escalada do conflito no Oriente Médio e a morte de dois brasileiros no Líbano.
Em 26 de setembro de 2025, representantes brasileiros voltaram a deixar o plenário quando Netanyahu se dirigiu à tribuna. Delegações de diversos outros países também se retiraram.
Neste ano, fontes do Itamaraty relacionaram o protesto à situação dos trabalhadores da UNRWA, agência responsável por prestar assistência a refugiados palestinos. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a agência registrou 394 pessoas ligadas às suas atividades mortas na Faixa de Gaza desde o início da guerra. O número reúne funcionários e pessoas que apoiavam suas operações.
Enquanto Netanyahu discursava, Mauro Vieira participava, em Nova York, de uma reunião ministerial de apoio à UNRWA. O encontro buscou reforçar o apoio político e financeiro à agência e contou com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres.
Netanyahu reagiu à saída das delegações logo no início de seu pronunciamento, chamando os representantes que haviam deixado o salão de “covardes morais”. Em seguida, defendeu a atuação de Israel e rejeitou as acusações dirigidas ao seu governo sobre a guerra em Gaza.
A retirada brasileira é um gesto diplomático de protesto. Ela expressa a posição do governo perante a comunidade internacional, mas não significa, por si só, o rompimento das relações diplomáticas com Israel.
Pelo terceiro ano consecutivo, a ausência do Brasil durante a fala do primeiro-ministro israelense evidencia a permanência do desacordo entre os dois governos sobre Gaza e a atuação das agências humanitárias na região.
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 24 de setembro de 2026.
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