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NOVO COMPRIMIDO REDUZ O COLESTEROL RUIM EM ATÉ 60% E PODE TRANSFORMAR O TRATAMENTO
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
São Paulo, sábado, 25 de julho de 2026
Centro Histórico da Cidade de SP
Por Redação do Jornal25News – Independente
Um novo medicamento oral para combater o colesterol elevado foi aprovado nos Estados Unidos e poderá representar uma mudança importante no tratamento de pacientes que não conseguem controlar adequadamente o LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim.
Comercializado nos Estados Unidos como Lipfendra, o medicamento tem como princípio ativo a enlicitida — enlicitide, em inglês — e é o primeiro inibidor oral da proteína PCSK9 aprovado pela agência reguladora norte-americana, a FDA.
O comprimido de 20 miligramas é tomado uma vez ao dia. Nos dois principais estudos clínicos que embasaram a aprovação, o medicamento reduziu o LDL em média entre 56% e 59%, em comparação com o placebo. Uma análise complementar registrou redução próxima de 60%.
A aprovação foi baseada em estudos com 3.207 pacientes. O programa completo de pesquisas CORALreef reúne mais de 19 mil participantes, mas parte desses estudos ainda está em andamento.
O perfil de segurança foi semelhante ao do placebo no principal estudo. Entre pacientes com hipercolesterolemia familiar, os efeitos mais frequentes foram tontura e diarreia.
Apesar do avanço, ainda não está comprovado se a enlicitida reduz diretamente o número de infartos, derrames ou mortes cardiovasculares. Um estudo com mais de 14.500 pessoas está sendo realizado para responder a essa questão. )
A autorização norte-americana não significa liberação automática no Brasil. Para ser comercializado no país, o medicamento precisa obter registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Até a publicação desta matéria, não havia confirmação oficial de aprovação brasileira.

LEITURA INTEGRAL
A busca por tratamentos capazes de controlar o colesterol com maior eficácia ganhou um novo capítulo. A FDA aprovou, em julho de 2026, o primeiro comprimido que atua diretamente contra a proteína PCSK9, mecanismo que, até então, estava disponível principalmente por meio de medicamentos injetáveis.
O novo produto recebeu o nome comercial de Lipfendra nos Estados Unidos. Seu princípio ativo é a enlicitida, um peptídeo macrocíclico desenvolvido pela farmacêutica Merck, conhecida como MSD fora dos Estados Unidos e do Canadá.
O medicamento foi autorizado como complemento à alimentação equilibrada e à prática de exercícios físicos para adultos com hipercolesterolemia, incluindo pessoas com hipercolesterolemia familiar heterozigótica, condição genética que provoca níveis muito elevados de colesterol desde idades mais jovens.
COMO O NOVO COMPRIMIDO FUNCIONA
A proteína PCSK9 é produzida principalmente pelo fígado. Ela se liga aos receptores responsáveis por retirar o LDL da circulação e favorece a destruição desses receptores.
Quando a PCSK9 é bloqueada, uma quantidade maior de receptores permanece disponível na superfície das células do fígado. Com isso, o organismo consegue remover mais colesterol ruim do sangue.
Os medicamentos inibidores de PCSK9 já são utilizados há alguns anos, mas as opções disponíveis eram injetáveis. A enlicitida leva esse mesmo princípio de tratamento para um comprimido de uso diário.
REDUÇÃO EXPRESSIVA DO LDL
A aprovação da FDA foi sustentada principalmente por dois estudos clínicos de fase 3, chamados CORALreef Lipids e CORALreef HeFH.
No primeiro estudo, realizado com pessoas que já apresentavam doença cardiovascular ou possuíam risco elevado de desenvolvê-la, o Lipfendra reduziu o LDL em aproximadamente 56%, em comparação com o grupo que recebeu placebo.
No estudo envolvendo pacientes com hipercolesterolemia familiar heterozigótica, a queda média foi de 59%.
Uma análise posterior do primeiro estudo, utilizando critérios revisados para excluir valores laboratoriais considerados biologicamente impossíveis, apontou redução de aproximadamente 60%. Por isso, o resultado deve ser apresentado como “até 60%”, e não como uma redução garantida para todos os pacientes.
Os pesquisadores também observaram diminuições em outras partículas relacionadas ao risco cardiovascular, como o colesterol não HDL e a apolipoproteína B.
MAIS DE 19 MIL PARTICIPANTES: ENTENDA OS NÚMEROS
Algumas publicações informam que a aprovação foi baseada em estudos com mais de 19 mil pacientes. A informação precisa de esclarecimento.
Os dois estudos diretamente utilizados pela FDA reuniram 3.207 adultos: 2.904 no CORALreef Lipids e 303 no CORALreef HeFH.
O número superior a 19 mil corresponde ao conjunto completo do programa de pesquisas CORALreef, que inclui diferentes estudos, alguns deles ainda em andamento.
Entre essas pesquisas está o CORALreef Outcomes, com mais de 14.500 participantes. O objetivo é verificar se a diminuição do colesterol provocada pela enlicitida também reduz efetivamente infartos, derrames, mortes cardiovasculares e outros eventos graves.
EFEITOS COLATERAIS
No estudo principal, a frequência de reações adversas foi semelhante entre os pacientes que receberam enlicitida e aqueles que tomaram placebo.
Entre os participantes com hipercolesterolemia familiar, os efeitos que apareceram com maior frequência foram:
Tontura: registrada em 9% dos pacientes que receberam o medicamento, contra 4% no grupo placebo.
Diarreia: observada em 7% dos pacientes tratados, contra 2% entre os que receberam placebo.
A quantidade de pessoas que interromperam o tratamento por causa de reações adversas foi semelhante nos grupos do medicamento e do placebo.
Esses resultados indicam um perfil de tolerabilidade favorável durante o período estudado, mas não significam ausência completa de riscos. Efeitos raros ou de longo prazo podem se tornar mais claros após o uso do medicamento por uma população maior.
NÃO É SUBSTITUTO AUTOMÁTICO DAS ESTATINAS
As estatinas continuam sendo o tratamento mais estudado e mais utilizado para reduzir o colesterol e prevenir doenças cardiovasculares.
Nos estudos da enlicitida, os pacientes geralmente já utilizavam estatinas em doses consideradas toleráveis e ainda precisavam reduzir mais o LDL. Portanto, o novo comprimido foi avaliado principalmente como uma opção adicional para quem não consegue atingir as metas apenas com os tratamentos tradicionais.
A decisão de usar, substituir ou combinar medicamentos precisa ser tomada pelo médico após avaliação dos exames, do risco cardiovascular, das doenças associadas e das possíveis interações com outros tratamentos.
REDUZIR O COLESTEROL NÃO É O MESMO QUE COMPROVAR MENOS INFARTOS
A redução do LDL é um resultado importante, pois níveis elevados dessa partícula favorecem a formação de placas de gordura nas artérias.
Entretanto, a própria fabricante reconhece que ainda não está comprovado se a enlicitida reduz diretamente a ocorrência de infartos, derrames ou mortes cardiovasculares.
Essa diferença é essencial: os estudos concluídos comprovaram que o medicamento baixa o colesterol. A comprovação de que também evita eventos cardiovasculares dependerá dos resultados das pesquisas de longo prazo.
QUANDO CHEGARÁ AO BRASIL?
A aprovação concedida pela FDA é válida para os Estados Unidos. Para que o medicamento seja comercializado no Brasil, a fabricante deverá solicitar o registro à Anvisa e apresentar informações sobre qualidade, eficácia e segurança.
Somente depois da concessão do registro e da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos o produto poderá ser vendido regularmente no país.
Até o fechamento desta matéria, não havia confirmação pública de registro ou data oficial para a chegada da enlicitida ao mercado brasileiro.
CUIDADO COM PROMESSAS MILAGROSAS
A enlicitida não elimina a necessidade de acompanhamento médico, alimentação equilibrada, atividade física e controle de outros fatores de risco, como pressão alta, diabetes, tabagismo e obesidade.
Nenhum paciente deve suspender estatinas ou outros remédios por conta própria. A troca inadequada do tratamento pode elevar o colesterol e aumentar o risco de complicações cardiovasculares.
Esta matéria possui caráter exclusivamente informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica.
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