Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 9 de julho de 2026
Você que trabalha duro de sol a sol para dar o melhor aos seus filhos sabe muito bem que o maior pesadelo de um pai ou de uma mãe é receber a notícia de que seu bebê corre o risco de nunca andar ou falar. O desespero aperta o peito do trabalhador, quando a burocracia do sistema de saúde diz que a reabilitação pode levar meses para começar.
Mas um caso real e emocionante na Zona Leste de São Paulo, provou que a pressa e a reabilitação correta, são as únicas armas capazes de arrancar uma criança da estatística da dependência física permanente. A pequena Alicia de Jesus Satiro, nascida prematura com apenas 33 semanas de gestação, enfrentou uma batalha brutal desde os seus primeiros minutos de vida.
Foram mais de dois meses de agonia e sofrimento dentro de uma UTI neonatal. Porém, o grande divisor de águas entre um futuro de limitações motoras severas e uma infância saudável, foi a intervenção imediata, iniciada apenas uma semana após ela receber alta hospitalar.
A ENGRENAGEM DO FATO: A engrenagem que dita o desenvolvimento de uma criança de risco, funciona contra o relógio. Quando um bebê nasce muito antes do tempo, seu cérebro e seus músculos ainda estão imaturos, expostos a lesões silenciosas no sistema nervoso central. Cada semana que o poder público demora para iniciar o tratamento é um passo a menos que a criança dará no futuro.
No caso de Alicia, o destino cruel de ser uma criança dependente de cadeira de rodas ou de aparelhos de locomoção, foi quebrado na Clínica-Escola de Fisioterapia da Faculdade Santa Marcelina, em Itaquera, no extremo da Zona Leste. Ali, os profissionais utilizaram a chamada neuroplasticidade — a capacidade fantástica que o cérebro do bebê tem de se reorganizar e criar novos caminhos motores, quando é estimulado da forma certa e no tempo correto.
Em vez de aceitar o diagnóstico inicial de escoliose congênita grave de 18 graus e torcicolo que ameaçavam travar seu corpinho, a equipe iniciou uma rotina intensa de reabilitação gratuita. O resultado prático parece um milagre, mas é pura ciência aplicada com seriedade: a curvatura na coluna despencou para apenas 7 graus, dispensando o uso de coletes ortopédicos incômodos.
VOZES E ANÁLISE: A evolução de Alicia, que hoje com 1 ano e 2 meses já anda de forma totalmente independente, corre, sobe no sofá e brinca como qualquer outra criança saudável, enche de alívio o coração da mãe, Verônica.
“Na minha cabeça, ela não ia andar ou dependeria de algum dispositivo para o resto da vida. Ver a evolução dela é ver que nosso esforço valeu a pena”, relata a mãe, emocionada com a nova realidade da filha.

Especialistas em neuropediatra que acompanham o desenvolvimento infantil, alertam para o impacto gigantesco que o socorro rápido tem nas contas do próprio Estado.
“Quando um bebê de risco recebe intervenção precoce de qualidade, nós o retiramos da fila de assistência contínua do SUS de longo prazo. Deixamos de ter um adulto com deficiência severa, para entregar à sociedade um cidadão plenamente funcional e independente”, apontam os coordenadores do projeto.
DADOS OFICIAIS:
- Histórico Crítico: Nascimento prematuro com 33 semanas de gestação e permanência de 70 dias internada em UTI neonatal.
- Evolução Clínica: Redução expressiva de escoliose congênita de 18 graus para apenas 7 graus, exclusivamente com sessões de fisioterapia especializada, sem necessidade de cirurgia ou coletes.
- Local do Atendimento: Clínica-Escola de Fisioterapia da Faculdade Santa Marcelina (Itaquera, Zona Leste de São Paulo).
- Impacto Social: O acesso ao tratamento 100% gratuito e imediato, garantiu que uma criança da periferia vencesse os riscos de paralisia, poupando a família de gastos astronômicos na rede particular.
O RIGOR DA LEI: O cidadão de bem exige que a reabilitação infantil, não seja tratada como um privilégio de quem pode pagar consultas particulares de quinhentos reais.
Embora o trabalho desenvolvido pela Faculdade Santa Marcelina em Itaquera mereça todos os aplausos, o futuro motor de um filho do trabalhador, não pode depender da sorte de conseguir uma vaga em uma clínica-escola universitária.
A caneta da cobrança precisa pesar sobre as Secretarias de Saúde do Estado e do Município. Exigimos tolerância zero com a lentidão no encaminhamento de bebês egressos de UTIs neonatais.
É urgente a criação de uma lei que garanta a triagem motora obrigatória em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) das periferias paulistanas, com o encaminhamento automático e início do tratamento em no máximo dez dias após a alta médica.
O dinheiro público deve servir para colocar nossas crianças de pé, e não para financiar a negligência que condena os mais vulneráveis à cadeira de rodas.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a Prefeitura de São Paulo, deve ampliar e financiar convênios com faculdades privadas para oferecer fisioterapia infantil gratuita em todos os bairros periféricos, ou a criação de Centros Especializados de Reabilitação (CERs) próprios, e geridos diretamente pelo município é a única saída para garantir o futuro das nossas crianças?
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