Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 9 de julho de 2026
Você que acorda de madrugada, enfrenta o transporte lotado e rala o mês inteiro para garantir o sustento da sua família, sabe o valor de cada centavo cobrado em impostos. Quando o assunto é o futuro dos seus filhos, a expectativa é de que a escola pública ofereça uma ponte para uma vida melhor. Mas a realidade que o ranking detalhado das notas do Enem esfrega na nossa cara, é um verdadeiro soco no estômago do trabalhador: as escolas da rede estadual comum simplesmente desapareceram da lista das 100 melhores do país.
A divulgação dos dados oficiais expõe um abismo vergonhoso. Enquanto colégios particulares caríssimos e instituições com processo seletivo restrito monopolizam os melhores resultados, a escola pública regular de bairro foi abandonada à própria sorte pelo poder público, que prefere mascarar a crise a enfrentar o problema de frente.
A ENGRENAGEM DO FATO: O esquema que perpetua essa desigualdade funciona de forma silenciosa e cruel nos gabinetes. O ranking do exame revela que as maiores notas do estado de São Paulo pertencem exclusivamente a colégios privados de elite — como o Objetivo Colégio Integrado, na Bela Vista, e o Etapa III, na Vila Mariana —, onde as mensalidades ultrapassam facilmente o salário mínimo de um trabalhador honesto.
Para piorar a maquiagem das estatísticas, as únicas escolas públicas que conseguem registrar médias competitivas não são de acesso universal. São colégios técnicos federais ou estaduais (Etecs), que usam o “Vestibulinho” para selecionar a dedo apenas os alunos mais preparados antes mesmo de o ano letivo começar. O resultado dessa engrenagem é a exclusão: quem depende da escola regular estadual da esquina de casa, sem filtro de entrada, é colocado para fora do jogo antes mesmo de fazer a prova.
VOZES E ANÁLISE: Para especialistas em políticas públicas e educação de base, o sumiço da rede regular das cabeças do ranking, é o retrato do descaso histórico com a infraestrutura das salas de aula e com a valorização dos professores de carreira. Enquanto o orçamento é fatiado e usado em promessas políticas vazias, os estudantes das periferias, enfrentam a falta de materiais básicos e de suporte pedagógico real.

“O Vestibulinho das escolas técnicas é excelente, mas o governo não pode usar esse sucesso de poucos para camuflar o colapso da escola regular do bairro. O jovem da periferia está sendo obrigado a competir em condições desumanas contra estruturas que custam milhares de reais por mês”, apontam analistas que acompanham de perto os índices de desenvolvimento da educação em São Paulo.
DADOS OFICIAIS:
- Top do Ranking em SP: Objetivo Colégio Integrado (Bela Vista) com média de 746,15 pontos, seguido pelo Etapa III (Vila Mariana) com 743,88 (ambos da rede privada de elite).
- Ausência Crítica: Zero escolas da rede estadual regular de ensino de São Paulo figuram entre as 100 melhores notas do país.
- Filtro Exclusivo: As únicas públicas com boa pontuação utilizam vestibulinho (seleção prévia), excluindo a imensa maioria dos alunos das periferias paulistanas.
- Impacto Social: O colapso do ensino regular, barra a entrada de jovens de baixa renda nas universidades públicas, perpetuando a desigualdade e limitando as oportunidades de emprego qualificado nos bairros de São Paulo.
O RIGOR DA LEI: O paulistano honesto exige tolerância zero com a incompetência que destrói o futuro das nossas crianças. É inadmissível que o governo estadual, gaste fortunas com propagandas bonitas enquanto a sala de aula do seu bairro sofre com o abandono. A conta dessa negligência é cobrada diretamente do bolso do pai de família, que precisa fazer dívidas para pagar cursinhos particulares se quiser ver seu filho conquistar um diploma universitário.
A caneta da cobrança precisa pesar sobre os gestores da educação. Chega de desculpas e de usar o brilho das escolas técnicas seletivas para esconder o fracasso do ensino comum de base. Exigimos auditorias severas no destino das verbas escolares, metas rigorosas de melhoria e punição administrativa para quem finge governar enquanto deixa nossas crianças sem o mínimo para vencer na vida.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que o governo de São Paulo deve concentrar os esforços e recursos exclusivamente na recuperação das escolas estaduais regulares de bairro, ou expandir o modelo de escolas técnicas com Vestibulinho (Etecs) é o caminho certo para a nossa educação?
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