Centro Histórico de São Paulo, 18 de maio de 2026.
Comer bem é um prazer, mas jantar suspenso por um cabo de aço a uma altura equivalente a um prédio de 17{ andares}, é uma extravagância reservada para pouquíssimos bolsos.
O festival internacional Dinner in the Sky, segue com sua concorrida temporada de 2026 em São Paulo, prometendo tirar 22{ participantes} por vez da rotina urbana, para flutuarem a 50{ metros de altura.
No entanto, ao aterrissar em solo paulistano, a experiência flutuante joga luz sobre o abismo socioeconômico, que separa o luxo gastronômico da realidade do trabalhador que observa o guindaste lá de baixo.
O evento, que atrai turistas e entusiastas de todo o país, já tem data para se despedir da capital paulista: a estrutura funcionará impreterivelmente até o dia 16 de agosto de 2026, quando o guindaste será desmontado para seguir viagem.
A HISTÓRIA POR TRÁS DO TOPO: A odisseia de comer nas nuvens, começou no ano de 2006 na Bélgica, fruto da união de duas mentes criativas: David Ghysels, um publicitário especializado em gastronomia, e Stefan Kerkhofs, um engenheiro especialista em parques de diversão com guindastes.
O que nasceu como uma ativação de marketing pontual, rapidamente se transformou em uma febre global de entretenimento e turismo de alta renda.
Hoje, a marca opera em mais de 70{ países} e já marcou presença em cartões-postais mundiais de prestígio, como as praias de Dubai, as luzes de Las Vegas, o horizonte de Paris (com vista para a Torre Eiffel), Bruxelas, Atenas, Londres, as metrópoles de Shanghai e Tóquio, e logicamente, na capital paulista — que se consolidou como uma das praças mais lucrativas do circuito sul-americano, devido à forte demanda do mercado de luxo paulistano.
A ENGRENAGEM DA ADRENALINA: A operação por trás do Dinner in the Sky, é um prodígio da engenharia civil e do marketing de luxo. Uma plataforma de aço de alta resistência, com capacidade para 22{ clientes} sentados em assentos ergonômicos que rotacionam até 180º, é erguida por um guindaste de grande porte.
A mecânica de segurança é militar: cintos de cinco pontos (idênticos aos usados em carros de Fórmula 1), prendem os comensais às cadeiras, enquanto uma equipe técnica em solo, monitora constantemente a velocidade do vento por meio de anemômetros digitais.
Caso as rajadas de vento, ultrapassem os limites rigorosos de segurança estabelecidos pela legislação brasileira e pelas normas internacionais de segurança aérea, a plataforma é recolhida de volta ao solo imediatamente.
Na cozinha suspensa, localizada no centro da mesa, o desafio dos chefs é puramente técnico: eles precisam finalizar pratos sofisticados sem o uso de fogo direto ou gás, por questões de segurança contra incêndio a bordo. Toda a cocção é feita por meio de indução magnética e técnicas de preparo prévio, realizadas na cozinha de apoio montada no solo firme.
PROGRAMAÇÃO E TABELA DE PREÇOS (TEMPORADA 2026): A experiência é dividida em cinco sessões ao longo do dia, cada uma com menus criados por chefs de renome e tempos de duração específicos. Os ingressos são individuais e variam significativamente de preço conforme a iluminação natural e o cardápio oferecido:
- Brunch (11h00): Uma sessão matinal de 40 minutos focada em pães artesanais, frios nobres, frutas e bebidas quentes.
- Preço médio: R$ 350 a R$ 450 por pessoa.
- Almoço (13h00): Menu completo com entrada, prato principal e sobremesa, acompanhado de vinhos finos durante 50 minutos..
- Preço médio: R$ 500 a R$ 650 por pessoa.
- Coquetel da Tarde (16h00): Sessão descontraída de 40 minutos, com petiscos sofisticados e drinques autorais.
- Preço médio: R$ 400 a R$ 500 por pessoa.
- Sunset (17h30): A sessão mais disputada. Oferece drinques e frios durante 50 minutos enquanto o sol se põe atrás do horizonte de arranha-céus de São Paulo.
- Preço médio: R$ 600 a R$ 800 por pessoa.
- Jantar com o Chef (20h00): A experiência máxima de70 minutos, com menu degustação em vários tempos, elaborado por chefs estrelados e harmonização premium de bebidas.
- Preço médio: R$ 800 a R$ 1.250 por pessoa.

VOZES DO TOPO E DO CHÃO: Para os entusiastas da gourmetização extrema, o valor elevado é justificado pelo ineditismo e pela memória afetiva criada. “Não estamos pagando apenas por um prato de comida, mas pela sensação indescritível de ver a metrópole sob os nossos pés de uma perspectiva que nenhum helicóptero ou cobertura de luxo consegue proporcionar”, defendem os promotores do evento e os clientes de classe alta.
Por outro lado, urbanistas, sociólogos e críticos sociais, apontam que o festival privatiza visualmente o espaço aéreo da cidade, para benefício exclusivo de uma bolha financeira seleta.
Enquanto uma minoria janta confortavelmente observando a vista panorâmica da cidade, o cidadão comum, parado no trânsito do solo, lida com as dificuldades de mobilidade urbana e um custo de vida inflacionado, que atinge diretamente o preço do prato feito das famílias brasileiras.
“O espaço aéreo público de São Paulo passa a ser negociado e transformado em cenário de ostentação privada, para quem pode desembolsar, em uma única refeição de uma hora, o equivalente a um salário mínimo nacional”, criticam ativistas do direito à cidade.
DADOS OFICIAIS:
- Origem da Atração: Bélgica (fundado em 2006, operando hoje em mais de 70 países.
- Período da Temporada: Em cartaz em São Paulo até o dia 16 de agosto de 2026.
- Capacidade de Público: Exclusivamente 22 assentos por subida.
- Duração das Sessões: De 40 a 70 minutos no topo.
- Sistemas de Segurança: Cintos de segurança de 5 pontos e cadeiras giratórias com travas de três estágios.
- Impacto Social: O preço cobrado por um único assento no jantar premium, seria suficiente para fornecer cestas básicas para três famílias vulneráveis por mais de dois meses.
O RIGOR DO CONSUMO: Não há como negar o gigantismo estético e a força turística que o Dinner in the Sky agrega ao calendário da cidade de São Paulo.
Mas o compromisso do jornalismo sério e independente, nos obriga a confrontar a realidade dos números: uma hora suspensa no ar, consome o equivalente ao suado orçamento de alimentação mensal, de uma família trabalhadora de quatro pessoas da periferia paulistana.
Caso você decida e possa viver essa aventura nas alturas, a nossa recomendação é cobrar a contrapartida: exija que a comida servida entregue o rigor técnico e o sabor condizentes com os restaurantes mais premiados do país, pois o vento e a altura não podem servir de desculpa para um serviço morno ou pratos mal executados.
A vigilância dos órgãos de engenharia, corpo de bombeiros e Defesa Civil, para garantir a segurança no topo deve ser implacável, bem como o debate sobre o uso consciente do espaço público de São Paulo.
💡 DICA DO EDITOR: “Se você tem o orçamento disponível e pretende embarcar nessa experiência, a sessão do Sunset (pôr do sol) é disparada a melhor escolha de investimento.
Ela custa menos que o jantar principal e garante um espetáculo de luzes e sombras transitando pelo céu de São Paulo que realmente valoriza cada minuto flutuante.”
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