A insônia é um dos problemas de saúde mais comuns na terceira idade, afetando até 50% das pessoas acima de 60 anos. Muitos recorrem a medicamentos hipnóticos (como benzodiazepínicos, zolpidem, zopiclona e outros “remédios para dormir”) para conseguir descansar. No entanto, um estudo publicado em outubro de 2025 na revista The Lancet Regional Health – Americas trouxe um alerta sério: o uso crônico e prolongado dessas medicações está associado a prejuízos significativos na qualidade de vida, maior risco de quedas e declínio cognitivo em idosos. A pesquisa, que acompanhou milhares de adultos acima de 50 anos, reforça que o que parece uma solução simples para o sono pode, na verdade, piorar o bem-estar e a segurança dessa população vulnerável.
O Que Revelou o Estudo de 2025

Pesquisadores utilizaram um modelo de microsimulação (Future Elderly Model) para projetar o impacto do uso contínuo de medicamentos para dormir (benzodiazepínicos, “drogas Z” como zolpidem e zopiclona, e trazodona) em adultos acima de 50 anos ao longo da vida restante. Os resultados foram alarmantes:
- O uso regular dessas drogas está ligado a maior risco de quedas, fraturas (especialmente de quadril), prejuízo cognitivo (declínio de memória, atenção e raciocínio) e piora geral da qualidade de vida.
- Quando o uso foi interrompido ou reduzido (estratégia chamada desprescrição), houve melhora significativa na qualidade de vida, redução de comprometimento cognitivo e menor incidência de eventos adversos.
- Os autores concluem: “O uso crônico, como vem sendo feito, pode piorar a qualidade de vida. Esforços para desprescrever estão associados a melhoras importantes em adultos de meia-idade e idosos”.
Especialistas brasileiros, como o neurologista Dr. Felipe Soster, reforçam: “Não se deve normalizar o uso crônico desses remédios por anos. A dependência e os efeitos cumulativos são subestimados”.
Por Que Idosos São Mais Vulneráveis?
Com o envelhecimento, o organismo processa medicamentos de forma mais lenta (alterações hepáticas e renais), o que causa acúmulo da droga e amplificação dos efeitos colaterais. Além disso:
- Quedas e fraturas: Sonolência residual diurna, tontura, confusão e prejuízo no equilíbrio aumentam o risco em até 50-60% (principal causa de hospitalização e perda de independência em idosos).
- Declínio cognitivo: Uso prolongado está associado a piora na memória, atenção e velocidade de processamento — alguns estudos sugerem ligação com maior risco de demência.
- Dependência e tolerância: O corpo se acostuma, exigindo doses maiores para o mesmo efeito, com risco de síndrome de abstinência ao tentar parar.
- Interações perigosas: Muitos idosos usam múltiplos medicamentos (polifarmácia), aumentando o risco de sedação excessiva, confusão e depressão respiratória.
A American Geriatrics Society (AGS) inclui benzodiazepínicos e hipnóticos não-benzodiazepínicos na lista Beers Criteria 2023 (atualizada regularmente) como medicamentos potencialmente inapropriados para idosos, recomendando evitar ou usar com extrema cautela.
Alternativas Mais Seguras e Recomendadas

Especialistas são unânimes: a primeira linha de tratamento para insônia em idosos não é medicamento, mas sim:
- Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I): considerada o padrão-ouro pela maioria das sociedades de sono; melhora o sono em 70-80% dos casos sem efeitos colaterais.
- Higiene do sono: rotina regular, evitar cafeína à tarde, limitar telas, exercícios físicos diurnos.
- Melatonina em doses baixas (0,5-3 mg) para regular o ciclo circadiano (mais segura que hipnóticos).
- Abordagem não farmacológica: relaxamento, meditação, terapia de luz.
Quando medicamentos são inevitáveis, devem ser usados por curto prazo (máximo 2-4 semanas), na menor dose eficaz e com plano claro de descontinuação.
“O sono é essencial na terceira idade, mas a solução não pode ser pior que o problema. A desprescrição cuidadosa, aliada a abordagens não medicamentosas, pode melhorar significativamente a qualidade de vida e a segurança dos idosos”.
O Jornal 25News recomenda: converse com o médico geriatra ou clínico geral sobre a real necessidade desses remédios e explore alternativas seguras. A saúde na terceira idade depende de escolhas conscientes — e o sono de qualidade não precisa vir com riscos desnecessários.
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