A saída repentina do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, em dezembro de 2025, após menos de um ano no cargo, abriu um vácuo político que rapidamente se transformou em um jogo de pressão e negociação nos bastidores do governo Lula. Secretários estaduais de Segurança Pública de vários estados brasileiros, liderados por nomes influentes como Guilherme Derrite (São Paulo) e Fábio Abreu (Pará), intensificaram nos últimos dias uma campanha para a criação de um Ministério da Segurança Pública separado do Ministério da Justiça. A proposta, que já circulava nos corredores do Planalto desde o segundo semestre de 2025, ganhou força após a demissão de Lewandowski e agora é vista como uma das principais batalhas políticas do início de 2026. O Jornal 25News revela os detalhes desse xadrez que envolve interesses regionais, disputas orçamentárias e a busca por protagonismo na área mais sensível do governo federal.
O Contexto: A Queda de Lewandowski e o Vácuo de Poder

Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), assumiu a pasta da Justiça e Segurança Pública em março de 2025 com a missão de pacificar a relação entre o governo federal e os estados, além de coordenar a política de segurança nacional. No entanto, sua gestão foi marcada por tensões constantes com governadores, especialmente os de estados mais populosos e violentos, que cobravam maior repasse de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e mais autonomia para ações locais.
A gota d’água veio em dezembro de 2025, com a crise dos presídios em São Paulo e Rio de Janeiro, somada ao aumento da sensação de insegurança em capitais do Nordeste. Lewandowski pediu demissão alegando “falta de condições políticas e orçamentárias” para implementar sua agenda. Lula aceitou o pedido e nomeou Flávio Dino (ex-governador do Maranhão) como substituto interino, enquanto busca um novo nome para o cargo.
A Pressão dos Secretários: “Segurança Pública Precisa de Ministério Próprio”
Desde a saída de Lewandowski, secretários estaduais de Segurança Pública intensificaram articulações para criar um Ministério da Segurança Pública independente, com orçamento próprio, estrutura de comando centralizada e autonomia para coordenar políticas nacionais de combate ao crime organizado, inteligência e integração de forças.
- Guilherme Derrite (SP): Um dos principais articuladores, o secretário paulista defende que o modelo atual “dilui a segurança pública dentro da Justiça”, prejudicando a agilidade e os recursos. Ele já se reuniu com o presidente Lula e com líderes do Congresso para defender a ideia.
- Fábio Abreu (PA): Representante da região Norte, onde o crime organizado (PCC, CV e milícias) atua fortemente, Abreu argumenta que a pasta da Segurança precisa de “status ministerial” para negociar diretamente com o Ministério da Economia e com o Congresso.
- Outros apoios: Secretários de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Bahia e Pernambuco também endossam a proposta, formando um bloco de 15 estados (incluindo governadores de oposição e aliados).
A proposta prevê:
- Separação total da Justiça (que ficaria com direitos humanos, cidadania e políticas penitenciárias).
- Orçamento próprio (atualmente, o Fundo Nacional de Segurança Pública é gerido pela Justiça).
- Criação de uma Agência Nacional de Inteligência de Segurança vinculada ao novo ministério.
Argumentos a Favor e Contra a Criação do Novo Ministério

A favor (secretários e governadores):
- Maior foco e visibilidade política para a segurança pública.
- Agilidade na liberação de recursos federais para estados.
- Capacidade de coordenar operações interestaduais contra facções (PCC, CV, milícias).
- Resposta direta à percepção de insegurança que afeta a popularidade do governo Lula.
Contra (parte do PT e aliados):
- Criação de mais uma pasta aumenta o custo da máquina pública.
- Risco de fragmentação e disputa de poder entre ministérios.
- Pode enfraquecer a pasta da Justiça, que Lula considera estratégica para o combate à corrupção e defesa de direitos humanos.
- Lula já sinalizou preferência por um “superministro” que acumule Justiça e Segurança, mantendo o modelo atual.
O Debate Já Está no Planalto
Nos bastidores, o tema é tratado como prioridade para o início de 2026. O presidente Lula teria pedido estudos à Casa Civil e ao Ministério do Planejamento sobre viabilidade orçamentária e política. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já sinalizaram que apoiam a proposta e que ela pode ser incluída na pauta de projetos prioritários do governo.
Decisão Ainda em Aberto
O presidente Lula não tomou posição pública definitiva. Fontes do Planalto indicam que uma decisão deve sair até o final de janeiro de 2026, antes da retomada dos trabalhos do Congresso. Enquanto isso, Flávio Dino segue como ministro interino, coordenando a pasta da Justiça e Segurança Pública.
O “xadrez político” está armado: de um lado, secretários estaduais e governadores pressionando por mais poder e recursos; do outro, o núcleo duro do governo Lula resistindo a novas estruturas ministeriais. O que está em jogo é o futuro da política de segurança no Brasil – se ela será mais centralizada e com status elevado, ou se permanecerá subordinada à Justiça. O Jornal 25News acompanha de perto os próximos capítulos dessa negociação que pode redefinir o organograma do governo federal em 2026.
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