Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 20 de junho de 2026.
Se você racha o bico de segunda a sábado trabalhando duro, acorda de madrugada e enfrenta o cansaço diário, esperando o ônibus para levar o sustento para casa, sabe muito bem que a calçada deveria ser o seu refúgio seguro. Mas, nas ruas de São Paulo, até esperar a condução virou uma roleta-russa.
Na manhã desta sexta-feira, o pânico tomou conta da Avenida da Barreira Grande, em Sapopemba, na Zona Leste. Um veículo descontrolado invadiu um ponto de ônibus lotado, atropelando brutalmente os pedestres que aguardavam a viagem diária e deixando seis pessoas feridas. O caso mais grave é o de um trabalhador que sofreu uma parada cardiorrespiratória no local e agora luta pela vida no hospital.
A ENGRENAGEM DA TRAGÉDIA: A engrenagem do caos foi acionada por volta das 9h da manhã, na altura do número 2.980 da Avenida da Barreira Grande. Segundo relatos de testemunhas e informações preliminares da Polícia Militar, o veículo era conduzido por uma mulher que perdeu completamente o controle da direção em um trecho movimentado.
Sem tempo de esboçar qualquer reação, as pessoas que estavam no ponto de ônibus e até um motociclista que passava pelo local foram colhidos pelo carro. O impacto destruiu a estrutura e arremessou as vítimas contra o chão. A força da colisão foi tão violenta que gerou uma cena de guerra em plena via pública, mobilizando imediatamente diversas viaturas do Corpo de Bombeiros e ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para conter a tragédia.
VOZES DO SOCORRO: O desespero tomou conta de quem passava pela avenida e testemunhou a violência do atropelamento. Moradores e comerciantes, correram para tentar prestar os primeiros socorros antes da chegada das equipes oficiais.
“Foi tudo muito rápido. Só ouvimos o barulho do pneu cantando e, em seguida, o estrondo do carro batendo nas pessoas. Tinha gente caída na calçada, chorando de dor, e um senhor já desacordado.
A gente acorda cedo para ganhar a vida honestamente e não sabe se vai voltar para casa inteiro. É revoltante ver a vida do trabalhador ser colocada em risco desse jeito”, desabafa um morador de Sapopemba que ajudou a sinalizar a via após o acidente.

O resgate foi dramático. A equipe do Samu teve de realizar manobras de ressuscitação de emergência no homem que sofreu a parada cardíaca, conseguindo estabilizá-lo antes de encaminhá-lo às pressas para o Pronto-Socorro do Hospital Santa Marcelina, em Itaquera.
DADOS OFICIAIS:
- Local do Atropelamento: Avenida da Barreira Grande, na altura do número 2.980, bairro de Sapopemba, Zona Leste de São Paulo.
- Balanço de Vítimas: Seis feridos no total. Um homem em estado gravíssimo com parada cardiorrespiratória; uma mulher com contusão na clavícula e dores lombares; um homem de 40 anos com ferimentos no rosto; uma vítima com trauma na cabeça e duas mulheres que sofreram mal súbito devido ao choque.
- Socorro Mobilizado: Atendimento dividido entre equipes do Samu (três vítimas resgatadas) e do Corpo de Bombeiros (outras três vítimas). Os feridos foram distribuídos entre os Prontos-Socorros de Itaquera, São Mateus e Jardim Iva.
- Investigação Policial: O caso foi registrado e está sendo acompanhado pelo 41º Distrito Policial (Vila Rica), responsável pela área, que investigará as causas que fizeram a motorista perder o controle do veículo.
O RIGOR DA COBRANÇA: Esperar o ônibus no ponto não pode continuar sendo um teste de sobrevivência para o cidadão de bem. O trabalhador que racha o bico de sol a sol para pagar seus impostos e tarifas caras exige que as calçadas de São Paulo, sejam áreas de absoluta proteção, e não alvos vulneráveis para motoristas imprudentes.
Não podemos aceitar que tragédias como esta sejam tratadas como meros “acidentes de percurso”. A motorista que perdeu o controle do veículo precisa passar por uma investigação rigorosa para que se determine se houve negligência, imperícia ou excesso de velocidade.
A prefeitura também precisa olhar para a segurança viária dos nossos eixos de transporte: muitos pontos de ônibus nas periferias ficam expostos na beira de avenidas rápidas, sem qualquer barreira física ou proteção estrutural para quem espera. São Paulo quer calçadas protegidas, trânsito fiscalizado e punição exemplar para quem transforma um veículo em uma arma contra o cidadão comum.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a prefeitura de São Paulo, deveria instalar barreiras de proteção físicas (como defensas metálicas ou pilares de concreto) nos pontos de ônibus situados em avenidas de alta velocidade para proteger os passageiros, ou a solução para conter os atropelamentos deve ser focar apenas na punição rígida aos motoristas que perdem o controle?
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