Peso argentino valorizado abre espaço para carne brasileira nos supermercados do país vizinho
Exportadores brasileiros aproveitam janela inédita: cortes nacionais são mais baratos que os locais, e comércio bilateral dispara
Por Redação – Jornal25News-Independente
Publicado em: 25 de julho de 2025

A recente valorização do peso argentino vem provocando um movimento incomum na relação comercial entre Brasil e Argentina: a explosão das exportações brasileiras de carne para o país vizinho. Pela primeira vez em décadas, cortes bovinos importados do Brasil estão mais baratos que a carne produzida na própria Argentina, e essa diferença de preços já impacta tanto o consumo interno argentino quanto o desempenho dos frigoríficos locais.
📈 Um novo cenário cambial
Desde o início de 2025, o peso argentino passou por uma valorização inesperada frente ao dólar, resultado de medidas drásticas de controle monetário e acordos internacionais costurados pelo governo Milei. O câmbio, que antes era desfavorável às importações, passou a ser um incentivo. A moeda local ficou mais forte, barateando os produtos vindos do Brasil, inclusive alimentos in natura, como carnes e derivados.
Essa valorização também encareceu os produtos argentinos no exterior, afetando diretamente a competitividade da carne nacional. Segundo dados do Ministério da Agricultura da Argentina, as exportações de carne caíram 18% entre janeiro e abril, pressionadas pelo custo em dólares, o maior da América Latina.
🥩 Carne brasileira na mesa dos argentinos
Em regiões como a Patagônia, o quilo da carne argentina chegou a 22.000 pesos, enquanto cortes importados do Brasil estão sendo vendidos por até 9.000 pesos o quilo, segundo levantamento feito por portais locais como o Página 3. Com a diferença de preço tão significativa, frigoríficos que antes só abasteciam a indústria passaram a importar também para venda direta ao varejo — e a carne brasileira já aparece nas gôndolas de grandes supermercados argentinos.
O fenômeno causou surpresa: a Argentina, historicamente conhecida como uma das maiores exportadoras de carne do mundo, agora consome proteína vinda do Brasil. A justificativa é puramente econômica — mesmo com impostos e custos logísticos, o produto brasileiro chega mais barato ao consumidor argentino.
🚛 Superávit bilionário para o Brasil
O comércio bilateral disparou. Nos primeiros seis meses de 2025, o Brasil exportou US$ 6,2 bilhões em produtos para a Argentina, o maior volume em mais de uma década. Isso gerou um superávit de US$ 3 bilhões para a balança comercial brasileira, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Esse movimento fortalece o agronegócio brasileiro, em especial os frigoríficos médios do Sul do país, que encontraram na Argentina um mercado comprador sólido e em rápida expansão. Além das carnes, produtos como trigo, laticínios e arroz também estão se beneficiando da nova dinâmica cambial.
🏭 Frigoríficos argentinos pressionados
Do lado argentino, o cenário é desafiador. Com a valorização do peso e a queda nas exportações, os frigoríficos locais enfrentam estoques elevados e margem apertada. Muitos já começaram a pressionar o governo por subsídios ou ajustes tarifários para evitar demissões em massa.
“A valorização do peso destrói nossa competitividade. É como vender carne de ouro”, afirmou um representante do setor em entrevista à Reuters. O temor é que, com a queda nas exportações e aumento da importação, a indústria argentina entre em colapso ou perca participação definitiva no mercado regional.
🔮 Perspectivas e tensões futuras
O cenário abre uma oportunidade de curto prazo para o Brasil, mas traz também incertezas. Analistas ouvidos pelo Jornal25News destacam que esse “boom” pode durar até o governo argentino ajustar novamente sua política cambial ou impor restrições às importações, algo que já ocorreu em gestões anteriores.
Enquanto isso, o consumidor argentino comemora: com o peso forte, finalmente consegue comprar carne — mesmo que não seja a tradicional “entrecôte” de Santa Fé, mas sim um corte exportado de Goiás ou Mato Grosso do Sul.
📌 Fontes consultadas:
- Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Brasil)
- Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca (Argentina)
- Reuters Internacional
- Página 3 Argentina
- Entrevistas com frigoríficos regionais
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