A ideia de que o tempo pode não ser uma propriedade fundamental da realidade — mas sim algo que emerge de processos mais básicos — ganhou força significativa na física teórica entre 2020 e 2026. Não é exagero dizer que estamos vivendo uma das discussões mais profundas sobre a natureza do universo desde a relatividade geral e a mecânica quântica. O conceito chave é: o tempo é ilusório ou emergente, não primário.
Principais linhas de pesquisa e nomes centrais

- Carlo Rovelli e a física de loop (Loop Quantum Gravity)
- Em livros como A Ordem do Tempo (2017) e Helgoland (2020), e em artigos recentes (2023–2025), Rovelli defende que o tempo desaparece nas equações fundamentais da gravidade quântica.
- Na gravidade quântica em loop, o espaço-tempo é quantizado em “átomos” de volume e área — e o tempo não existe como variável independente; ele surge apenas quando há interação entre esses átomos.
- Frase famosa de Rovelli (2024): “O tempo não é uma coisa que flui. É o nome que damos à nossa ignorância sobre as correlações entre eventos.”
- Julian Barbour e a “timeless physics”
- Barbour propõe desde os anos 1990 (livro The End of Time, 1999) que o universo é feito de “instantes” (configurações espaciais completas) sem nenhuma seta temporal intrínseca.
- O tempo seria uma ilusão criada pela maneira como nosso cérebro ordena esses instantes por similaridade (o “now” é apenas o instante mais próximo do anterior).
- Em 2025, Barbour publicou com Tim Koslowski e Flavio Mercati um modelo matemático que reproduz a seta do tempo emergente a partir de pura geometria espacial sem tempo primordial.
- Sean Carroll e a decoerência quântica + termodinâmica
- Carroll argumenta (livro From Eternity to Here e artigos 2023–2025) que o tempo surge da baixa entropia inicial do universo (condição de Big Bang) + decoerência quântica.
- Não existe tempo “para baixo” porque a entropia não diminui espontaneamente. O passado é o que tem menor entropia; o futuro é o que tem maior.
- Em 2026 ele afirmou em palestra: “O tempo não é uma dimensão fundamental — é uma propriedade estatística de sistemas com muitas partículas.”
- Don Page, William Wootters e o “mecanismo de Page-Wootters”
- Modelo quântico onde o tempo emerge de emaranhamento entre um relógio e o resto do universo.
- Artigo de 1983 revisitado em 2024–2025 por Page e colaboradores com simulações quânticas mostra que o tempo pode surgir mesmo em um universo totalmente atemporal no nível fundamental.
Evidências experimentais indiretas
- Experimentos com relógios quânticos emaranhados (Vienna, 2023–2025): relógios atômicos emaranhados mostram que o “fluxo do tempo” depende do observador e do grau de emaranhamento — reforçando a ideia de tempo relacional.
- Testes de decoerência em sistemas macroscópicos (Google Quantum AI e IBM, 2025): quanto maior o emaranhamento com o ambiente, mais “clássico” e mais “temporal” o sistema se torna.
- Anomalias na radiação cósmica de fundo (Planck + futuros dados do LiteBIRD): algumas interpretações sugerem que o universo primordial pode ter sido “atemporal” em escalas quânticas.
Implicações filosóficas e culturais

- Fim da flecha do tempo absoluta: se o tempo é emergente, conceitos como “passado fixo” e “futuro aberto” podem ser ilusões locais.
- Livre-arbítrio e determinismo: sem tempo fundamental, o debate perde força (já não há “antes” e “depois” no nível mais profundo).
- Consciência e subjetividade: o “eu” que percebe o fluxo do tempo pode ser ele próprio um produto da decoerência e da memória — não um observador externo ao tempo.
- Religião e espiritualidade: alguns teólogos veem nisso uma abertura para conceitos de eternidade ou “eterno presente” (como em Meister Eckhart ou no budismo).
Agora
Em 2026, a ideia de que o tempo não é fundamental deixou de ser especulação marginal e passou a ser a visão dominante entre muitos dos principais teóricos da gravidade quântica e da cosmologia quântica. Não há consenso final — ainda não temos uma teoria completa de gravidade quântica —, mas o peso das evidências está se inclinando fortemente para o tempo emergente.
A frase de Julian Barbour resume bem o espírito da época: “O tempo não é uma dimensão pela qual passamos. É uma história que contamos sobre como as coisas estão arrumadas umas em relação às outras.”
Se essa visão se confirmar, estaremos vivendo o fim de uma era conceitual que começou com Newton e Einstein — e o início de uma nova forma de pensar o universo: sem tempo primordial, sem passado absoluto, sem futuro pré-escrito. Apenas configurações espaciais que se relacionam… e a ilusão de fluxo que nosso cérebro cria para dar sentido à existência.
O Jornal 25News continuará acompanhando os avanços em gravidade quântica e testes experimentais que possam confirmar (ou refutar) essa revolução silenciosa. Porque, se o tempo for mesmo uma ilusão, talvez o maior mistério não seja o que vai acontecer amanhã — mas por que sentimos que amanhã existe.
Apoio Institucional
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
Shopping Circuito das Compras – O Maior Shopping Popular do Brasil
Calabria – Oportunidades de Negócios
Advocacia Marcovicchio
Lit Pró Digital
Gostou deste conteúdo? Fique por dentro das principais notícias de São Paulo e região. Curta, compartilhe e siga o Jornal 25 News nas redes sociais!
Redes Sociais | Jornal25News – Independente
Quer saber mais de tudo que está acontecendo à sua volta e as últimas notícias?
Clique aqui e navegue pelo nosso portal Jornal25News – Independente
Curta nossa página no Facebook
Siga nosso Instagram
Nos siga no Twitter (X)
Compartilhe essa matéria em todas as redes























































