Com ondas de calor que já atingem sensação térmica acima de 50 °C em várias cidades brasileiras, um debate ganha força entre arquitetos, urbanistas e especialistas em saúde pública: o Brasil precisa de uma revisão urgente das normas de construção para tornar as moradias mais resilientes ao calor extremo — sem depender quase exclusivamente de ar-condicionado, que é caro, consome muita energia e agrava o efeito ilha de calor nas cidades.
A principal voz nesse debate é a da arquiteta e pesquisadora Leticia de Oliveira Neves, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e coordenadora do Laboratório de Conforto Ambiental e Física da USP (LabConfort). Em entrevista exclusiva ao Jornal 25News, ela defende o conceito de “justiça térmica” — a ideia de que o conforto térmico em casa não pode ser privilégio de quem pode pagar conta alta de luz ou ar-condicionado 24 horas.
O que o especialista propõe (e já está sendo discutido)

- Revisão imediata da NBR 15.220 (Desempenho térmico de edificações)
- Tornar obrigatória a simulação térmica dinâmica em projetos residenciais acima de 4 pavimentos.
- Exigir isolamento térmico mínimo em paredes externas e lajes de cobertura (atualmente, muitas construtoras usam apenas alvenaria cerâmica sem isolamento).
- Limite máximo de temperatura interna em dias quentes: 28 °C com umidade relativa ≤ 70% (sem uso de ar-condicionado).
- Incentivos e obrigatoriedade para soluções passivas
- Ventilação cruzada obrigatória em todos os cômodos (janelas em fachadas opostas).
- Varandas e beirais profundos (mínimo 1,2 m) para sombreamento de aberturas.
- Paredes e coberturas refletivas (pintura com alto índice de refletância solar – albedo ≥ 0,65).
- Telhados verdes ou brancos em edifícios acima de 5 pavimentos (já obrigatório em algumas cidades como Curitiba e Porto Alegre).
- Vidros com fator solar baixo (FS ≤ 0,40) em janelas voltadas para norte e oeste.
- Proibição ou desincentivo de soluções que agravam o problema
- Restrição progressiva ao uso de vidro espelhado ou escuro em fachadas residenciais (aumenta reflexão de calor para a rua e vizinhos).
- Fim da obrigatoriedade de sacada envidraçada como “área útil” (prática comum que reduz ventilação natural).
- Incentivo fiscal para retrofit térmico em edifícios antigos (redução de IPTU para quem instalar isolamento ou telhado verde).
Números que justificam a urgência
- Ondas de calor 2025–2026: São Paulo registrou 47 dias com sensação térmica acima de 42 °C em 2025 (recorde histórico).
- Consumo de energia: ar-condicionado residencial já representa ~38% do consumo de energia elétrica em dias quentes na capital (dados Enel 2025).
- Mortes por calor: aumento de 210% em óbitos diretamente atribuídos a hipertermia em 2025 (Ministério da Saúde).
- Desigualdade térmica: em favelas e periferias sem ventilação adequada, temperatura interna pode chegar a +8–12 °C acima da temperatura externa à sombra.
Próximos passos

- Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-SP): apoia revisão da NBR 15.220 e criação de selo “Edificação Resiliente ao Calor”.
- Sinduscon-SP: resiste a novas obrigações, alegando aumento de custo de construção em 8–15%.
- Ministério das Cidades: estuda incluir requisitos térmicos na nova versão do Minha Casa Minha Vida (2026–2030).
- Prefeitura de SP: já cobra laudo térmico em novos empreendimentos acima de 10 pavimentos (desde 2025), mas ainda não é obrigatório para reformas.
O conceito de justiça térmica está ganhando força: não basta ter energia barata para ligar ar-condicionado — é preciso que a casa em si consiga manter conforto térmico com ventilação natural, sombreamento e materiais adequados. Em um Brasil que já vive ondas de calor cada vez mais longas e intensas, depender só de aparelhos elétricos é insustentável — tanto para o bolso quanto para o planeta.
O Jornal 25News acompanha as discussões na ABNT (revisão da NBR 15.220 prevista para 2027) e os primeiros projetos que já adotam esses princípios em São Paulo e no interior. Porque, em tempos de +50 °C de sensação térmica, o maior ar-condicionado que existe é uma casa bem projetada — e o Brasil ainda constrói como se o clima fosse o mesmo de 50 anos atrás.
Apoio Institucional
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
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Calabria – Oportunidades de Negócios
Advocacia Marcovicchio
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