No Dia Internacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (1º de março), o líder sindical Severino Lima Junior, coordenador nacional do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), concedeu entrevista e reforçou um alerta que ecoa há décadas no setor: sem os catadores, a chamada “economia circular” brasileira é apenas retórica bonita em relatórios e discursos oficiais.
Os números que Severino Lima Junior trouxe à tona

- 800 mil catadores atuam formal e informalmente no Brasil (estimativa atualizada MNCR + IBGE 2025–2026).
- Esses trabalhadores são responsáveis por 90% da coleta seletiva efetiva do país (ou seja: 90% de todo o material reciclado que volta à cadeia produtiva passa pelas mãos deles).
- Apenas 10% do material reciclável chega às cooperativas e associações formalizadas — o restante é coletado individualmente ou em pequenos grupos sem registro.
- Reciclagem total de resíduos sólidos urbanos no Brasil: ~4% (dados SNIS 2025). Sem os catadores, esse índice cairia para menos de 0,5%.
A invisibilidade nas políticas climáticas
Severino destacou três pontos críticos em 2026:
- Exclusão dos catadores das metas nacionais de descarbonização O Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas e o Plano Clima 2025–2030 praticamente não mencionam os catadores como atores centrais da economia circular. “Somos os que mais retiram carbono da atmosfera por meio da reciclagem, mas não aparecemos nos cálculos de crédito de carbono nem nas políticas de transição justa.”
- Falta de remuneração pelo serviço ambiental prestado Enquanto empresas compram cotas de carbono e recebem incentivos fiscais, os catadores recebem apenas o valor do material reciclado (R$ 0,80–R$ 2,50/kg dependendo do tipo). Não há pagamento por serviços ambientais (PSA) nem inclusão nos mecanismos de REDD+ ou mercado de carbono voluntário.
- Aumento da precarização com a chegada da “economia circular corporativa” Grandes empresas de gestão de resíduos e recicladoras industriais estão fechando contratos de coleta seletiva direta com condomínios e shoppings, tirando material da rua antes que os catadores cheguem. “Eles chamam de economia circular, mas é economia de exclusão”, diz Severino.
Dados recentes que reforçam o alerta

- Relatório do Observatório dos Direitos dos Catadores (2025): 68% dos catadores trabalham sem proteção social (sem carteira assinada, INSS ou aposentadoria).
- Estudo do Ipea (2026): cada tonelada de material reciclado por catadores evita a emissão de ~1,2 tonelada de CO₂ equivalente.
- Estimativa da ABRAM (Associação Brasileira de Reciclagem): se os catadores fossem formalmente remunerados pelo serviço de coleta seletiva, o Brasil poderia aumentar a taxa de reciclagem de 4% para 12–15% até 2030 sem custo adicional para o poder público.
O que Severino Lima Junior pede em 2026
- Inclusão obrigatória de cooperativas e associações de catadores em todos os contratos de coleta seletiva municipais e contratos de logística reversa.
- Criação de um Fundo Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais dos Catadores (financiado por taxas de reciclagem e créditos de carbono).
- Cotas de compra prioritária de material reciclado coletado por catadores em licitações públicas e privadas.
- Reconhecimento formal do trabalho como serviço ambiental essencial na Política Nacional de Resíduos Sólidos e no Plano Clima.
Em 1º de março de 2026, enquanto o mundo celebra o Dia Internacional dos Catadores, o Brasil ainda trata esses 800 mil trabalhadores como coadjuvantes da própria história de reciclagem. Severino Lima Junior não está pedindo caridade — está exigindo reconhecimento econômico e político de quem, na prática, faz a economia circular funcionar.
Sem os catadores, o discurso bonito de “fechar o ciclo”, “zero desperdício” e “transição ecológica” desmorona. Em um país que recicla apenas 4% do lixo e que depende da mão de obra informal para chegar a esse número, a lição é simples e dura: a economia circular não existe sem justiça social. E em 2026, a conta está chegando — não para as empresas, mas para quem carrega o peso do resíduo nas costas todos os dias.
Apoio Institucional
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