👁️ OLHAR 360º – MÁRIO MARCOVICCHIO
ESTELIONATÁRIOS DA FÉ – Igrejas não podem servir de escudo para crimes e lavanderias para o crime organizado
Centro histórico da Cidade de SP, 23.06.26
A fé é uma das maiores forças da humanidade. Ela consola, orienta e transforma vidas. Milhões de brasileiros frequentam templos e comunidades religiosas movidos por uma devoção sincera. Por isso mesmo, as instituições religiosas deveriam ser as maiores interessadas na transparência.
Quando vemos líderes religiosos envolvidos em denúncias de enriquecimento inexplicável ou movimentações financeiras suspeitas, a fé dos fiéis não está em julgamento. O que está em questão é a conduta de quem usa a religião como fachada para ganhar poder, influência e dinheiro, transformando o sagrado em ferramenta de ganância.
A própria Bíblia nos alerta sobre os falsos profetas. No Evangelho de Mateus, Jesus descreve aqueles que se apresentam como “ovelhas”, mas, por dentro, são lobos vorazes. Esse aviso continua mais atual do que nunca.
Ao longo da história, a religião realizou obras extraordinárias de solidariedade e assistência social. Mas não podemos fechar os olhos para o fato de que, em muitos casos, a confiança do povo foi explorada por quem transformou o púlpito em balcão de negócios e a esperança dos mais humildes em fonte de riqueza pessoal.
Nenhuma instituição — seja ela política, empresarial ou religiosa — está acima da lei. O Brasil protege, com razão, a liberdade de culto. Porém, liberdade religiosa não significa salvo-conduto para o crime. Pelo contrário: quanto maior a confiança que o povo deposita em uma organização, maior deve ser o seu dever de prestar contas.
Dízimos, ofertas e benefícios fiscais movimentam fortunas que precisam ser tratadas com a mesma responsabilidade exigida de qualquer empresa. Se há suspeitas de irregularidades, elas devem ser investigadas com rigor. É hora de termos uma fiscalização técnica e imparcial sobre as igrejas. O fato de elas não pagarem impostos atrai fortemente o crime organizado, que as utiliza para a lavagem de dinheiro. Isto é fato. Só não vê quem não quer.
A verdadeira fé não teme a verdade, não foge de auditorias e não precisa de privilégios para existir. Jesus Cristo ensinou o amor e a caridade sem cobrar nada por isso.
A fé é uma ligação individual do homem com seu Criador, e ela é atemporal. Já o homem é um sujeito de direitos e deveres dentro da limitação do tempo e do lugar em que vive. Os estelionatários da fé são usurpadores dos ensinamentos cristãos, indivíduos que buscam a riqueza e a luxúria em total contraponto a tudo o que foi ensinado por Jesus Cristo.
Mário Marcovicchio
























































