Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 20 de agosto de 2026.
O que era para ser o alívio de uma espera de sete anos por uma cirurgia virou um pesadelo angustiante de uma semana para a família de Eronides Francisco dos Santos, de 60 anos. O paciente, que possui diagnóstico de demência e princípio de Alzheimer, desapareceu de dentro de um hospital municipal na Zona Norte na véspera do procedimento médico e foi encontrado no outro extremo da cidade, a 50 quilômetros de distância.
A ENGRENAGEM DO FATO: Eronides aguardava desde 2019 na fila do sistema público para realizar uma cirurgia de correção de hérnia inguinal e retirada de pedras na vesícula. Há cerca de um ano, ele deu início aos exames e ao preparo pré-operatório no Hospital Municipal Vereador José Storopoli, conhecido popularmente como “Vermelhinho”, localizado no Parque Novo Mundo. Na véspera da cirurgia agendada, enquanto estava internado, o paciente deixou a unidade de saúde sem que nenhum funcionário ou equipe de vigilância notasse a sua saída.
A família, moradora de São Mateus, na Zona Leste, só tomou conhecimento da fuga quando já estava em casa. Teve início então uma busca desesperada que durou sete dias. Sem orientação e sem medicação diária, o idoso perambulou pela metrópole. Os parentes descobriram que ele chegou a passar pela UPA Sorocabana, na Lapa (Zona Oeste), onde recebeu atendimento pontual no sábado, mas as informações só foram repassadas à família dias depois. O reencontro aliviador só ocorreu após Eronides ser localizado na UPA Vera Cruz, no M’Boi Mirim (Zona Sul), do outro lado da cidade.
VOZES E ANÁLISE: A grave falha no protocolo de monitoramento e contenção de pacientes desorientados dentro da rede municipal acendeu o alerta em entidades de defesa dos direitos da pessoa idosa e em órgãos de fiscalização da saúde pública.
“A segurança do paciente é um pilar inegociável da gestão hospitalar, sobretudo quando se trata de indivíduos com transtornos cognitivos conhecidos pela equipe médica. A evasão não detectada de um idoso internado sob a responsabilidade do Estado representa uma falha operacional inaceitável que coloca vidas em risco iminente”, ressaltam especialistas em gestão hospitalar e direito à saúde.
Em nota oficial, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo e a administração do hospital informaram que o paciente foi encontrado em segurança e que a pasta entrará em contato com a família para remarcar a consulta e os procedimentos cirúrgicos necessários, sem esclarecer, contudo, as falhas de vigilância que permitiram a fuga.
DADOS OFICIAIS:
Vítima do Descaso: Eronides Francisco dos Santos, 60 anos (diagnóstico de demência e Alzheimer).
Tempo de Espera: 7 anos aguardando cirurgia de hérnia e retirada de cálculo biliar.
Local do Sumiço: Hospital Municipal Vereador José Storopoli (“Vermelhinho”), Parque Novo Mundo, Zona Norte de SP.
Distância do Achado: Encontrado 7 dias depois na UPA Vera Cruz (M’Boi Mirim, Zona Sul), a quase 50 km de distância do hospital.
Passagem Intermediária: Registrada passagem sem retenção pela UPA Sorocabana (Lapa, Zona Oeste).
Providência Cobrada: Remarcação urgente do procedimento e apuração das falhas na segurança e portaria hospitalar.
O RIGOR DA LEI: O cidadão humilde de São Paulo, que paga seus impostos e aguarda anos a fio por um atendimento médico digno na rede pública, não pode aceitar que um parente doente seja tratado com tamanho deszelo dentro de uma unidade de saúde. Entregar um idoso com Alzheimer aos cuidados de um hospital municipal exige a garantia de que ele sairá de lá operado e com alta médica, e não vagando desorientado pelas avenidas perigosas da capital.
A Prefeitura de São Paulo e a Secretaria de Saúde têm a obrigação legal e moral de apurar com rigor os responsáveis pela falha na portaria e na vigilância dos leitos do Hospital José Storopoli. Além disso, o mínimo que a administração pública deve fazer imediatamente é priorizar o atendimento de Eronides, garantindo sua cirurgia sem recolocá-lo no fim da fila burocrática. A saúde do povo exige responsabilidade e humanidade.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que os hospitais públicos de São Paulo deveriam responder criminal e administrativamente pela fuga de pacientes com dependência ou transtornos mentais, ou a responsabilidade pelo monitoramento no leito deve ser compartilhada com os familiares do internado?
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