Editorial Mário Marcovicchio: SP E A IMOBILIDADE URBANA-Entre buracos, lixos, bicicletas e PATINS ELÉTRICOS- Calçadas já não são seguras para pedestres
Cidadania por Mário Marcovicchio: SP E A IMOBILIDADE URBANA
Jornal25News – Independente
As calçadas do abandono: quando o poder público vira as costas para quem anda a pé
Em São Paulo, o pedestre virou alvo — e o silêncio das autoridades é cúmplice desse caos urbano.
📍 Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 28.12.2025
✍️ Por Mário Marcovicchio – Editorial
Há um limite para o descaso, e São Paulo já o ultrapassou há muito tempo.
A cidade que um dia foi símbolo de progresso e civilidade hoje envergonha qualquer cidadão que ainda insiste em acreditar no mínimo: poder caminhar em paz.
As calçadas paulistanas, já castigadas por décadas de abandono, buracos e lixo, foram agora invadidas por um novo inimigo — o ronco dos motores elétricos.
Patinetes elétricos e bicicletas elétricas, travestidas de “soluções de mobilidade”, tomaram de assalto o espaço do pedestre: A calçada.
E o poder público? Assiste calado.
Em nome da pressa e do lucro rápido, o pedestre — o mais vulnerável e o mais esquecido — se transformou em obstáculo.
E quando uma idosa de 72 anos é derrubada na calçada por uma moto eltrica ou um patim, que sequer deveria estar ali, o que faz o Estado?
Nada.
Nem multa, nem estatística, nem vergonha.
O que se vê é um teatro de omissões.
A CET, impotente.
A Prefeitura, distraída.
Os aplicativos de entrega, lavando as mãos.
E o cidadão comum, aquele que vive, trabalha e paga seus impostos, é quem sangra — literalmente — no asfalto e no passeio público.
O paulistano já se acostumou com a sensação de perigo constante.
Anda olhando para o chão para não tropeçar nos buracos, e para trás para não ser atropelado por uma moto.
Que cidade é essa, onde o ato mais simples — caminhar — virou um ato de coragem?
Enquanto em cidades como Seul, Copenhague e Madri, uma moto sobre a calçada é apreendida na hora, aqui reina o caos institucional.
Porque aqui, o problema nunca é a falta de lei — é a falta de autoridade moral para fazê-la valer.
E o mais grave: o pedestre, que deveria ser prioridade, é tratado como estorvo.
A calçada, que deveria ser um direito, virou campo de guerra.
Conclusão
São Paulo está doente.
A cidade perdeu o respeito por quem caminha.
E o poder público, enterrado em burocracia e discursos vazios, virou cúmplice desse atropelo coletivo.
Calçadas não são pistas.
São o chão da cidadania.
Mas enquanto a administração continuar cega, surda e muda diante desse caos, o pedestre seguirá sendo o retrato da cidade — ferido, esquecido e pisoteado.
É hora de os governantes descerem do carro oficial, desligarem o ar-condicionado dos gabinetes e voltarem a andar a pé.
Talvez assim sintam o que o povo sente todos os dias: o peso da indiferença. Cadê a Mobilidade Urbana ?
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