O Vaticano tomou uma posição pública e contundente contra a proposta do presidente Donald Trump de criar um “Conselho da Paz” paralelo à ONU, que seria liderado pelos Estados Unidos, Rússia, China, Índia e Brasil. Em nota oficial divulgada ontem (17/02) pela Sala de Imprensa da Santa Sé — e reforçada por declarações do Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado —, o Papa Francisco e a diplomacia vaticana rejeitaram categoricamente a ideia, classificando-a como “um enfraquecimento deliberado do multilateralismo” e “uma ameaça à arquitetura de paz construída após 1945”.
O que é o “Conselho da Paz” proposto por Trump

Anunciado por Trump em discurso no Congresso em 04/02/2026, o conselho seria um fórum permanente de cinco nações (EUA, Rússia, China, Índia e Brasil) com poder de decisão vinculante em conflitos internacionais, funcionando como uma espécie de “Conselho de Segurança alternativo” fora da estrutura da ONU. Trump justificou a proposta alegando que:
- O Conselho de Segurança da ONU está “paralisado” pelo veto russo e chinês.
- Os cinco países representam “a verdadeira força militar e econômica do mundo atual”.
- O novo conselho teria poder de impor sanções e operações de paz sem depender da aprovação da Assembleia Geral ou do Conselho de Segurança.
Reação oficial do Vaticano
- Nota da Santa Sé: “A Santa Sé reafirma a centralidade insubstituível da Organização das Nações Unidas como instrumento privilegiado da comunidade internacional para promover a paz, a justiça e o desenvolvimento integral. Qualquer iniciativa que fragilize ou paralelizze a ONU representa um retrocesso perigoso para a convivência humana.”
- Cardeal Parolin (entrevista à RAI): “Não se constrói paz excluindo 188 nações. Um ‘Conselho da Paz’ de cinco países seria, na prática, um diretório de potências, incompatível com o princípio de igualdade soberana dos Estados que a Carta da ONU consagra.”
- Papa Francisco (discurso na Audiência Geral de quarta-feira, 18/02): “A paz não é propriedade de poucos. A paz é um bem comum que pertence a todos os povos. Não podemos substituir o diálogo universal por acordos entre os mais fortes.”
Por que o Vaticano se posicionou tão duramente

- Defesa histórica da ONU: desde João XXIII e Paulo VI, a Santa Sé vê a ONU como o principal fórum de multilateralismo e paz (a Santa Sé tem status de observador permanente desde 1964).
- Precedente perigoso: um conselho restrito a cinco potências nucleares + Brasil seria visto como retorno ao concerto das potências do século XIX, contrariando a doutrina social da Igreja sobre igualdade entre nações.
- Risco de marginalização da Santa Sé: o novo conselho excluiria explicitamente o Vaticano de qualquer papel mediador global.
- Apoio à diplomacia multilateral: Francisco tem defendido repetidamente a reforma do Conselho de Segurança (ampliação de membros permanentes e fim do veto em casos de genocídio), mas nunca aceitou sua substituição.
Repercussão internacional
- Governo brasileiro: silêncio oficial até o momento (Itamaraty avalia que a proposta de Trump “não é realista”).
- Rússia e China: manifestaram “interesse” na ideia, mas sem endosso formal.
- Europa e América Latina: críticas generalizadas (França, Alemanha, México e Argentina já declararam apoio à posição vaticana).
- Redes sociais e evangélicos americanos: polarização extrema — apoiadores de Trump chamam o Vaticano de “globalista”; críticos o elogiam por “defender a ordem internacional”.
O Desfecho
A rejeição explícita do Vaticano ao “Conselho da Paz” de Trump representa um isolamento diplomático significativo do presidente americano no cenário religioso global. Pela primeira vez desde o início do segundo mandato, o Papa Francisco se posicionou publicamente contra uma iniciativa central da política externa trumpista — e o fez com linguagem dura e sem ambiguidades.
O Jornal 25News acompanhará a tramitação do tema na ONU, a reação do Itamaraty e possíveis encontros entre o Papa e líderes dos cinco países propostos. Porque, em 2026, o Vaticano escolheu defender a ONU mesmo sabendo que isso o colocaria em rota de colisão direta com Washington. E isso, no tabuleiro da diplomacia global, é um sinal de que o “sucessor de Pedro” não pretende ser espectador silencioso da nova ordem que Trump quer construir.
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