CASO MASTER: CONSELHO DO MPF ABRE PROCEDIMENTO E DÁ 10 DIAS PARA GONET EXPLICAR CITAÇÕES EM MENSAGENS DE VORCARO
Apuração interna foi aberta após pedido de deputados do Novo; parlamentares querem que um subprocurador assuma eventuais investigações que envolvam o próprio procurador-geral da República
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 4 de setembro de 2026
Mário Marcovicchio — Jornal25News
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu um procedimento interno para analisar referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, encontradas em mensagens relacionadas ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Gonet recebeu prazo de dez dias para apresentar esclarecimentos. O caso está sob relatoria do subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino e tramita sob sigilo.
O procedimento foi provocado por deputados do Partido Novo. Os parlamentares pedem que um subprocurador-geral da República independente seja designado para atuar nas investigações do caso Banco Master sempre que os fatos analisados envolverem Gonet ou pessoas de seu núcleo familiar.
A abertura do procedimento, porém, não significa que o Conselho tenha reconhecido irregularidade, impedimento ou suspeição do procurador-geral.
O material que deu origem à controvérsia faz parte de relatório da Polícia Federal produzido a partir de dados apreendidos nas investigações envolvendo Vorcaro.
Entre os registros analisados pela PF aparecem contatos intermediados pelo advogado Ciro Soares, além de referências a um evento em Londres e à possível participação de um filho do procurador-geral.
Reportagens apontam que Gonet deverá negar ter mantido relação pessoal, profissional, contratual ou financeira com Vorcaro e também deverá negar que tenha solicitado ao empresário o custeio de uma viagem para seu filho.
O caso abre agora uma nova frente na crise institucional provocada pelas investigações do Banco Master: quem deve conduzir uma apuração quando o próprio chefe da Procuradoria-Geral da República aparece entre as autoridades mencionadas no material investigativo?
LEITURA INTEGRAL
O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para examinar as citações ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, presentes em material relacionado às investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master.
O procedimento foi distribuído ao conselheiro Francisco de Assis Sanseverino.
Gonet terá dez dias para prestar informações e poderá, posteriormente, ser chamado a prestar esclarecimentos diretamente ao Conselho.
A existência do procedimento não representa, nesta fase, conclusão de que Paulo Gonet tenha praticado qualquer irregularidade.
O que existe é uma análise institucional sobre as referências encontradas no material e sobre quem deverá atuar caso alguma apuração alcance diretamente o próprio procurador-geral.
O PEDIDO APRESENTADO PELO NOVO
A iniciativa foi provocada por deputados federais do Partido Novo.
Os parlamentares solicitaram ao Conselho que seja designado um subprocurador-geral da República para atuar em procedimentos do caso Master que eventualmente alcancem Paulo Gonet.
O argumento é de natureza institucional: caso determinado fato investigado diga respeito ao próprio titular da PGR ou a integrantes de sua família, outro membro do Ministério Público deveria atuar naquele recorte da investigação.
A Lei Complementar nº 75/1993 prevê que, em determinadas situações envolvendo ação penal pública contra o procurador-geral da República, a atuação pode ser exercida por subprocurador-geral designado pelo Conselho Superior do MPF.
O QUE APARECE NAS MENSAGENS
A controvérsia nasceu de mensagens e registros analisados pela Polícia Federal no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
Um dos personagens centrais desses contatos é o advogado Ciro Soares, apontado nas investigações como intermediário entre Vorcaro e diferentes autoridades.
Segundo o material divulgado, Soares teria intermediado contatos entre Vorcaro e Gonet.
Outros diálogos apresentam mensagens atribuídas ao procurador-geral em tom amistoso e referências à participação de Gonet em um evento jurídico em Londres.
Também aparece no material conversa sobre a possibilidade de um filho do procurador-geral participar da viagem.
Esses registros passaram a integrar a controvérsia submetida ao Conselho Superior do MPF.
A existência de mensagens ou referências, porém, não comprova por si só recebimento de vantagem, interferência em investigação ou prática de crime.
Essas circunstâncias ainda precisam ser esclarecidas.
GONET DEVERÁ APRESENTAR SUA VERSÃO
Informações divulgadas pela imprensa indicam que Paulo Gonet deverá afirmar ao Conselho que nunca manteve relação pessoal, profissional, contratual ou financeira com Daniel Vorcaro.
O procurador-geral também deverá negar que tenha pedido ao banqueiro o financiamento de uma viagem de seu filho.
Segundo essa versão, Gonet teria sido convidado para participar de um evento jurídico em Londres, mas acabou não viajando.
Até o momento, não há conclusão do Conselho Superior sobre eventual irregularidade.
GONET TAMBÉM QUESTIONOU O RELATÓRIO DA POLÍCIA FEDERAL
Antes da abertura deste procedimento, Paulo Gonet já havia questionado juridicamente a forma como parte das investigações foi conduzida.
A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal a nulidade de investigação que resultou em relatório da Polícia Federal contendo mensagens envolvendo autoridades.
A discussão, portanto, possui duas frentes diferentes.
Uma trata da validade jurídica do caminho utilizado para produzir o relatório da Polícia Federal.
A outra trata do conteúdo das mensagens e das referências ao próprio procurador-geral da República.
O QUE ACONTECE AGORA
Paulo Gonet deverá apresentar seus esclarecimentos dentro do prazo estabelecido.
O relator poderá analisar documentos, pedir novas informações e eventualmente ouvir o procurador-geral.
Posteriormente, a questão poderá ser submetida ao colegiado.
Um dos principais pontos a serem analisados é se existe fundamento para que outro membro do Ministério Público Federal seja designado para atuar especificamente nos fatos em que o próprio Gonet eventualmente figure como interessado ou diretamente citado.
Até que essa análise seja concluída, não é correto afirmar que Gonet tenha sido considerado culpado, afastado ou declarado suspeito.
O que está confirmado é que o procurador-geral da República terá de prestar esclarecimentos ao Conselho Superior do Ministério Público Federal sobre referências a seu nome encontradas no material relacionado ao caso Banco Master.
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