Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 25 de junho de 2026
Você sai de casa para trabalhar, olha para o céu cinzento e torce para conseguir voltar sem perder o dia de serviço ou, pior, a própria vida. Mais uma vez, o descaso com a zeladoria urbana cobra o preço mais alto do cidadão paulistano.
Entre a tarde de ontem e a manhã desta quarta-feira, uma forte tempestade castigou o Estado de São Paulo, deixando um rastro de destruição, desespero e duas mortes confirmadas. O que a propaganda oficial chama de “imprevisto da natureza”, o trabalhador sente na pele como pura negligência pública.
A ENGRENAGEM DA TRAGÉDIA: A falta de planejamento habitacional e a ausência de obras eficientes de drenagem, transformaram a chuva em tragédia anunciada. No bairro de Cangaíba, na Zona Leste da capital, o primeiro pavimento de um cortiço na Rua Engenheiro Costa Ourique, desabou nas primeiras horas do dia. O desmoronamento soterrou três pessoas; uma delas não resistiu e morreu no local, enquanto as outras duas foram resgatadas com ferimentos.
No total, 37 moradores, entre adultos e crianças, perderam o teto e foram jogados para abrigos temporários. No interior do Estado, em Mirante do Paranapanema, a força da enxurrada arrastou um homem de 48 anos, que morreu afogado. Na Grande São Paulo, em Ribeirão Pires, uma cratera gigante se abriu no asfalto e engoliu um carro, mostrando que o chão sob os nossos pés está desmoronando.
VOZES E ANÁLISE: Enquanto a prefeitura se esquiva de culpas, quem está na linha de frente relata o cenário de guerra. Equipes do Corpo de Bombeiros e do Grupo de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas, trabalharam incansavelmente para resgatar os soterrados na Zona Leste. Moradores vizinhos ao desabamento expressaram a revolta que ecoa por toda a periferia.
“A gente avisa que a estrutura está condenada, pede ajuda para a subprefeitura, mas eles só aparecem com a fita de isolamento depois que a parede cai por cima de alguém”, desabafou uma testemunha do Cangaíba sob anonimato.

A Defesa Civil colocou praticamente todas as zonas da capital e as marginais Tietê e Pinheiros em estado de alerta.
DADOS OFICIAIS:
Ocorrências Registradas: 18 quedas de árvores, 7 inundações/enchentes severas e 4 grandes desabamentos em menos de 24 horas na Grande SP.
Base Legal: Artigo 37, parágrafo 6º da Constituição Federal (Responsabilidade Civil do Estado por danos causados por omissão em serviços públicos de infraestrutura e prevenção).
Localização das Tragédias: Cangaíba (Zona Leste), Ribeirão Pires (ABC), Mirante do Paranapanema (Oeste Paulista) e vias estruturais da capital.
Impacto Social: Duas vidas ceifadas, 37 pessoas desabrigadas, destruição de veículos e perda total de móveis de famílias que já vivem no limite da sobrevivência.
O RIGOR DA LEI: Até quando o paulistano vai morrer afogado ou soterrado por causa da incompetência dos gestores públicos? O dinheiro dos impostos, que deveria ser usado para limpar bueiros, dragar piscinões e retirar famílias de áreas de altíssimo risco, parece sumir na burocracia das secretarias.
Não há “chuva imprevisível” que justifique a perda de vidas humanas, em uma das cidades mais ricas do mundo. O Ministério Público precisa agir com a mão pesada da lei, indiciando os responsáveis por omissão de socorro e prevaricação.
Se o imposto é obrigatório e cobrado sem dó, o direito de voltar para casa vivo também deveria ser sagrado.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a Prefeitura e o Governo de São Paulo, deveriam ser obrigados por lei a indenizar financeiramente as famílias que perdem seus bens ou vidas, devido à falta de investimentos preventivos contra as enchentes?
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