Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 13 de junho de 2026.
Se você acorda de madrugada, enfrenta o transporte público lotado e racha o asfalto trabalhando de sol a sol sob o concreto cinza de São Paulo apenas para manter as contas de casa em dia, prepare-se para sentir uma profunda indignação.
Enquanto o cidadão comum, calcula cada centavo para fechar o orçamento doméstico espremido por impostos pesados, os representantes do povo na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), encontraram uma maneira extremamente cômoda — e cara — de usar o dinheiro do contribuinte para inflar suas próprias bolhas digitais.
Uma investigação detalhada revelou que, desde o início da atual legislatura, em 2023, uma legião de parlamentares paulistas, vem utilizando verbas públicas de gabinete para patrocinar postagens no Facebook e no Instagram. O que deveria servir para prestar contas do mandato de forma transparente, acabou se transformando em uma gigantesca máquina de autopromoção digital sustentada pelo bolso do trabalhador paulistano.
A ENGRENAGEM DO FATO: O uso de dinheiro público para impulsionar publicações nas redes sociais, é uma torneira aberta pela própria Mesa Diretora da Alesp, que permitiu a prática em um ato assinado em novembro de 2021. Pela regra oficial, o reembolso de gastos com anúncios no Facebook e Instagram, deve ser estritamente atrelado à “divulgação das atividades do mandato parlamentar”.
Na prática, porém, a linha que separa o relatório de trabalho da propaganda eleitoral antecipada é praticamente invisível. Ao todo, 56 deputados estaduais, de diferentes espectros políticos recorreram a essa estratégia na atual legislatura, acumulando um gasto impressionante de R$ 4,1 milhões em anúncios patrocinados.
O abuso atinge o ápice justamente neste ano de 2026, marcado pelo calendário eleitoral: apenas entre os meses de janeiro e abril, o gasto com impulsionamento atingiu a marca recorde de R$ 552,6 mil, configurando o maior volume de recursos destinados a essa finalidade em toda a série histórica do Legislativo paulista.
VOZES E ANÁLISE: Para analistas políticos e especialistas em direito eleitoral, o financiamento de redes sociais de deputados com verbas de gabinete, cria um desequilíbrio flagrante nas disputas e fere os princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade.
Os parlamentares que já possuem mandato largam com uma vantagem desleal em relação a novos candidatos, uma vez que utilizam a estrutura financeira do próprio Estado para turbinar suas páginas, conquistar seguidores e espalhar suas imagens para milhares de eleitores por meio de algoritmos pagos.
A indignação popular nas ruas e redes sociais é imediata. “É um absurdo ver o imposto que pagamos sobre o pão e o leite, ser usado para pagar ‘likes’ e ‘patrocinados’ de político no Instagram. Se eles querem se promover, que paguem do próprio bolso ou usem os recursos de seus partidos”, protestam lideranças de movimentos de fiscalização social na capital.
Por outro lado, as assessorias dos deputados envolvidos, defendem a legalidade dos gastos.

A justificativa padrão é de que o impulsionamento nas redes sociais é, hoje, o canal mais direto, moderno e econômico para dialogar com a população e prestar contas sobre projetos de lei, frentes parlamentares e fiscalizações de obras públicas no estado.
DADOS OFICIAIS:
- Gasto Total Acumulado: R$ 4,1 milhões reembolsados pela Alesp, para patrocínio de postagens nas redes sociais desde o início da atual legislatura (2023).
- Recorde no Ano Eleitoral (2026): R$ 552,6 mil gastos somente entre janeiro e abril, o maior montante já registrado para o período na história da Casa.
- Deputados Adeptos: 56 parlamentares estaduais utilizaram recursos públicos de gabinete, para impulsionar perfis pessoais no Facebook e Instagram.
- Base de Autorização: Ato da Mesa Diretora da Alesp em vigor desde novembro de 2021, que incluiu o impulsionamento digital como despesa reembolsável de divulgação.
O RIGOR DA LEI: O paulistano decente, que cumpre as leis e racha a sola do sapato de sol a sol para honrar seus compromissos tributários, não pode aceitar que programas sociais, creches, segurança e hospitais, fiquem desamparados enquanto milhões de reais públicos escoam no ralo das redes sociais, para massagear o ego de políticos profissionais.
Permitir que deputados usem R$ 4 milhões do caixa para comprar engajamento na internet, é uma afronta direta à moralidade pública. A legislação eleitoral e os órgãos de controle, como o Ministério Público Eleitoral (MPE) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), precisam agir com o máximo rigor para auditar esses contratos de impulsionamento.
Cada centavo público devolvido a um parlamentar para pagar anúncios na Meta (Facebook/Instagram), deve passar por uma checagem rigorosa: se o post contiver promoção pessoal descarada ou cunho político-eleitoral camuflado, o deputado deve ser obrigado a devolver o dinheiro corrigido e responder por improbidade administrativa.
O dinheiro do imposto do cidadão deve servir para asfaltar ruas e salvar vidas, não para alimentar algoritmos de redes sociais de quem deveria dar o exemplo de austeridade e respeito ao povo.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que os deputados estaduais de São Paulo, deveriam ser proibidos por lei de usar qualquer verba pública de gabinete para patrocinar posts nas redes sociais, ou o impulsionamento é uma ferramenta legítima para prestar contas do mandato à população?
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