Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 13 de junho de 2026.
Se você é trabalhador, pega ônibus todos os dias para ir ao serviço ou se ficou esperançoso com a promessa política do transporte totalmente gratuito na sua cidade, prepare-se para encarar a realidade fria dos números. O sonho do passe livre universal, que parecia a solução definitiva para aliviar o bolso das famílias de baixa renda e aquecer o comércio de bairro, acaba de esbarrar na dura realidade dos orçamentos públicos municipais de norte a sul do Brasil.
De acordo com um estudo inédito, divulgado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o otimismo de prefeitos e eleitores com a tarifa zero passou a dividir espaço com gargalos fiscais intransponíveis. Pela primeira vez em um levantamento temático, as autoridades mapearam o colapso e a descontinuidade do programa de gratuidade em pelo menos oito cidades que precisaram voltar atrás e cobrar a passagem dos passageiros.
A ENGRENAGEM DO FATO: O retrocesso na política de gratuidade ocorreu em municípios de pequeno e médio porte, com populações que variam entre 18 mil e 111 mil habitantes. Metade desses municípios recuantes, está no estado de São Paulo. A lista de prefeituras que não suportaram o peso financeiro das frotas, inclui cidades como Paulínia e Monte Mor, em São Paulo, e Porto Real, no Rio de Janeiro.
Em Monte Mor, por exemplo, a gratuidade universal no transporte coletivo durou menos de dois anos, sendo revogada sob a justificativa de que o modelo se tornou financeiramente inviável. Hoje, o passageiro local precisa desembolsar R$ 6 pela tarifa diária.
Nem mesmo o ABC Paulista, um dos berços industriais do país, ficou imune a essa crise. O município de São Caetano do Sul, que implementou a gratuidade universal com grande barulho em 2023, enviou à Câmara Municipal um projeto urgente para restringir o benefício.
A prefeitura argumenta que o custo para bancar passageiros vindos de outras cidades da Grande São Paulo, ameaça falir o sistema, planejando limitar o passe livre apenas a moradores cadastrados em sua plataforma e passar a cobrar R$ 5 dos demais usuários.
VOZES E ANÁLISE: Para as lideranças do setor de transportes, o colapso pontual de prefeituras menores, serve como um forte aviso para os grandes centros metropolitanos. O custo para operar e renovar frotas de ônibus, exige um fluxo de caixa estável que a maioria das cidades simplesmente não possui por recursos próprios de impostos.
“A experiência prática mostra que a tarifa zero não se sustenta como medida isolada ou populista. Para que ela funcione, o poder público precisa de um planejamento operacional rigoroso, fontes de custeio definidas e, principalmente, de um pacto federativo sólido que junte governo federal, estados e municípios no financiamento”, analisa o diretor-presidente da NTU, Francisco Christovam.
Especialistas em mobilidade urbana, apontam que as poucas cidades de médio e grande porte que hoje conseguem manter o passe livre, operam sob condições raras.

É o caso de Maricá, no Rio de Janeiro, que utiliza os bilhões de reais arrecadados com os royalties do petróleo para subsidiar a tarifa, ou Paranaguá, no Paraná, que ampara o sistema com a robusta atividade portuária de sua região. Onde não há essa folga tributária, o sistema colapsa rapidamente.
DADOS OFICIAIS:
- Cidades que Recuaram: Oito municípios brasileiros, reverteram a tarifa zero e voltaram a cobrar passagens: Paulínia (SP), Monte Mor (SP), Jaboticabal (SP), Pirapora do Bom Jesus (SP), Porto Real (RJ), Picos (PI), Tijucas do Sul (PR) e Ubiratã (PR).
- Passe Livre no Brasil: Atualmente, 143 cidades brasileiras mantêm o modelo de gratuidade universal irrestrita em suas frotas de ônibus.
- O Custo Estimado: A frota urbana nacional por ônibus custa cerca de R$ 75,7 bilhões anuais. Caso o país adotasse a tarifa zero de forma universal, o custo estimado saltaria para mais de R$ 90,7 bilhões por ano devido ao aumento na frota de ônibus necessário para atender a nova demanda de passageiros.
- Corte em São Caetano (ABC): A limitação do benefício para não moradores pode gerar uma economia de R$ 14,7 milhões aos cofres públicos da cidade, que hoje gasta R$ 35 milhões por ano com o programa.
O RIGOR DA LEI: O cidadão trabalhador, que racha o asfalto todos os dias sob sol e chuva para pagar impostos pesados que espremem o orçamento de sua própria casa, não pode ser usado como cobaia para promessas populistas baratas que duram apenas até as eleições terminarem.
Vender a ideia de que o transporte público pode ser “grátis” de forma mágica, sem que haja recursos reservados e garantias estruturais na lei, beira a irresponsabilidade civil contra as famílias mais humildes.
A Lei de Responsabilidade Fiscal, precisa ser aplicada com o máximo rigor em São Paulo e em todo o Brasil. Prefeitos e vereadores não podem assinar canetadas amigáveis que quebram o orçamento de cidades inteiras, para garantir vitórias políticas temporárias.
Se a tarifa zero é um direito social legítimo, ela deve ser debatida com clareza contábil e de forma realista. Do contrário, o que se recebe nas ruas é um transporte sucateado, lotado e que deixa o trabalhador esperando horas na calçada.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que as prefeituras brasileiras, deveriam criar novos impostos municipais locais e taxas de trânsito específicas para bancar e salvar os programas de tarifa zero, ou a gratuidade deve ser abandonada para priorizar investimentos em outras áreas críticas como as creches e os hospitais públicos?
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