Com o fim do prazo legal para a extinção dos lixões (determinado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos), os aterros sanitários brasileiros estão passando por uma profunda transformação: de depósitos de lixo para verdadeiras usinas de energia renovável e biometano. Consórcios intermunicipais aceleram a regionalização da gestão de resíduos e convertem o metano gerado pela decomposição orgânica em eletricidade e combustível para frotas públicas.
O avanço em 2026

- Regenera Rio (Grande Rio de Janeiro): Uma das maiores usinas do país, localizada em Seropédica. Em 2025 capturou e transformou em energia cerca de 68% do biogás gerado. Em 2026 já produz o equivalente ao consumo de energia de 45 mil residências e começou a injetar biometano purificado na rede de gás natural da região.
- Regenera Cariri (Ceará): Pioneira no Nordeste, a unidade transformou um antigo lixão em aterro sanitário moderno com captação de biogás. Hoje gera energia suficiente para abastecer toda a frota de ônibus da região metropolitana de Juazeiro do Norte e Crato com biometano renovável, reduzindo em até 85% a emissão de CO₂ em comparação ao diesel fóssil.
- Outros destaques:
- CTR Caieiras (SP): maior aterro da América Latina, já produz biometano suficiente para abastecer 180 ônibus da frota da SPTrans.
- Aterro de Esteio (RS) e CTR de Curitiba (PR): também avançam na produção de biogás para geração de energia e combustível veicular.
Como funciona a transformação
- Captação de biogás: tubulações coletam o metano produzido pela decomposição anaeróbica do lixo orgânico.
- Purificação: remoção de impurezas (CO₂, sulfeto de hidrogênio, umidade) até atingir padrão de biometano veicular ou injetável na rede de gás.
- Uso final:
- Geração de eletricidade (cogeração).
- Produção de combustível renovável para ônibus, caminhões e frota pública.
- Injeção na rede de gás natural.
Impacto em 2026

- Ambiental: redução significativa de emissões de metano (gás com potencial de aquecimento global 28 vezes maior que o CO₂).
- Econômico: consórcios intermunicipais geram receita com a venda de energia e biometano, diminuindo o custo do serviço de coleta para os municípios.
- Social: criação de empregos na operação das usinas e na cadeia de reciclagem.
- Energético: o biometano produzido pelos aterros pode substituir parte do diesel fóssil usado em frotas públicas, ajudando a cumprir metas de descarbonização.
Até Agora
O Brasil vive uma silenciosa revolução: o que antes era lixão vira usina de energia limpa. Projetos como Regenera Rio e Regenera Cariri mostram que é possível transformar o problema do lixo em solução energética, gerando eletricidade, combustível renovável e renda para municípios.
A regionalização via consórcios intermunicipais tem sido a chave para viabilizar economicamente esses projetos. Enquanto o país ainda convive com aterros precários em muitas regiões, os exemplos bem-sucedidos provam que lixo bem gerido não é custo — é recurso.
O Jornal 25News acompanhará a expansão dessas usinas e o cumprimento da meta nacional de acabar com os lixões. Porque, quando o lixo começa a gerar luz e combustível limpo, o que está sendo mudado não é só o destino do resíduo — é a forma como as cidades brasileiras encaram sua própria sustentabilidade. Em 2026, o futuro do saneamento ambiental passa cada vez mais pelos aterros que aprenderam a produzir energia em vez de apenas acumular problemas.
Apoio Institucional
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