As celebrações de fim de ano ganharam um tom de embate político. A Havaianas, marca que é símbolo da identidade brasileira, está no centro de um furacão digital após lançar sua campanha de Natal estrelada pela atriz Fernanda Torres. Em um texto que a agência WMcCann define como “existencial e cultural”, a atriz brinca que não deseja que as pessoas entrem em 2026 com o pé direito, mas sim com os “dois pés”. O que parecia um trocadilho inofensivo sobre aproveitar a vida foi interpretado por políticos da oposição como uma provocação à direita brasileira.
Do Trocadilho ao “Cancelamento” 🚫

A reação foi imediata entre figuras proeminentes da direita. O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE) acusou a marca de campanha política explícita, enquanto o senador Cleitinho Azevedo (MG) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro postaram vídeos descartando seus pares de sandálias.
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O Argumento das Marcas: Para os criativos da campanha, o roteiro foca no afeto popular e na união, buscando exatamente o oposto da divisão.
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Hipersensibilidade Simbólica: O estrategista Marc Tawil pontua que vivemos um momento onde a audiência cruza a mensagem com o mensageiro. Fernanda Torres — premiada internacionalmente e vista como uma figura progressista — dita a frase em um clima de polarização, o que atua como um catalisador de conflitos.
O Histórico do Boicote no Brasil: Funciona? 🤔

A frase “Quem lacra, não lucra” tornou-se um mantra nas redes sociais, mas os dados econômicos mostram uma realidade diferente no mercado brasileiro.
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Natura (2020): O boicote contra Thammy Miranda no Dia dos Pais resultou, na verdade, em uma alta nas ações e recorde de vendas para a marca.
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O Boticário (2015): A primeira grande onda de “cancelamento” por retratar casais homoafetivos acabou tornando o comercial icônico e fortalecendo a fidelidade de um novo público.
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Burger King (2021): Apesar da hashtag agressiva contra a campanha de diversidade, a rede não registrou queda significativa no faturamento.
O Caso Bud Light (EUA): Diferente do Brasil, nos Estados Unidos o boicote à Bud Light em 2023 por uma parceria com uma influenciadora trans gerou uma queda real de vendas e demissões. Especialistas explicam que, lá, a fragmentação do mercado permite que os consumidores migrem para marcas substitutas com mais facilidade e engajamento ideológico.
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