📰 ENEL JÁ ERA EM SÃO PAULO
Governo, Prefeitura e população dizem basta ao apagão recorrente
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, Terça-feira, 16 de dezembro de 2025
Por Mário Marcovicchio – Editor do Jornal25News – Independente

A paciência acabou. O que se viu nos últimos anos em São Paulo não é mais falha pontual, é colapso de gestão. Após uma reunião tensa, que durou quase três horas no Palácio dos Bandeirantes, o recado foi direto, público e institucional: não há mais condições de a Enel continuar operando no Estado de São Paulo.
Ao lado do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador Tarcísio de Freitas foi categórico ao resumir o sentimento que hoje une governo, prefeitura e população: “Não tem mais a mínima condição da Enel continuar em São Paulo.”
🔌 Um histórico de apagões e descaso
São Paulo vive um apagão recorrente, que se tornou rotina e símbolo de um serviço que falhou em planejamento, investimento e resposta. O episódio mais recente deixou 2,2 milhões de pessoas sem energia por até cinco dias, afetando hospitais, comércios, escolas, idosos e famílias inteiras.
E não foi um caso isolado:
- Novembro de 2023: 2,1 milhões de pessoas sem luz
- Outubro de 2024: 2,4 milhões no escuro em pleno período eleitoral
- Prejuízo estimado: cerca de R$ 5 bilhões, segundo a Prefeitura de São Paulo
O prefeito Ricardo Nunes citou casos emblemáticos, como o da líder comunitária Dona Marisa, que perdeu mais de 5 mil picolés que seriam doados, um retrato cruel do impacto social causado pela ineficiência do serviço.
📉 Rejeição popular sem precedentes
A rejeição à Enel já ultrapassou o campo político e se consolidou como clamor popular. Pesquisa Datafolha de 2024 apontava que 70% dos paulistanos defendiam a saída da concessionária. Para o prefeito, hoje o número é ainda maior:
“Se fizer a pesquisa agora, vai dar 11 em cada 10.”
A ironia traduz a revolta de uma cidade que produz, paga impostos e exige, no mínimo, energia elétrica funcionando.
⚠️ Bastidores: tensão, ausência e desconfiança
A reunião no Palácio dos Bandeirantes também expôs o descompasso institucional. O ministro Alexandre Silveira revelou desconforto com a ausência do presidente da Aneel, Sandoval Feitosa Neto, que sequer compareceu pessoalmente, enviando um diretor como representante.
O clima azedou quando se sugeriu a criação de mais um “grupo de trabalho”. A resposta do governador foi imediata e simbólica:
“Grupo de trabalho é para não resolver nada.”
A frase ecoa o sentimento da população: São Paulo não precisa de relatórios, precisa de luz.
⚖️ O caminho jurídico: caducidade do contrato
Diante da pressão política e social, formou-se um consenso: o governo decidiu iniciar o processo de caducidade, que é a rescisão formal do contrato por descumprimento grave do serviço.
O ministro comprometeu-se publicamente a tentar romper o contrato, mas o caminho é complexo. Envolve a Aneel, garante direito de defesa à empresa e pode se arrastar juridicamente. Ainda assim, pela primeira vez, o discurso deixou o campo da ameaça e entrou no da ação institucional.
🧭 Mais do que energia, é respeito
O caso Enel não é apenas sobre energia elétrica. É sobre respeito ao cidadão, segurança urbana, economia, dignidade e confiança no Estado. Quando falta luz, falta também previsibilidade, produtividade e qualidade de vida.
São Paulo chegou ao limite. E, desta vez, o recado foi dado de forma clara: basta de apagões, basta de descaso, basta de empurrar o problema com a barriga.
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