Juízes fazem o diabo para ajudar Lula
Jornal25News registra concordância com editorial de O Estado de S. Paulo e se congratula com a lucidez do centenário jornal ao levantar questões sobre a interferência judicial no último debate presidencial

Leitura Rápida — 1 Minuto
Há momentos em que jornais com histórias, dimensões e públicos diferentes chegam à mesma preocupação diante dos acontecimentos nacionais.
É o que ocorre agora.
O Estado de S. Paulo, fundado em 1875 e com mais de 150 anos de participação na história da imprensa brasileira, publicou nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, duro editorial sobre as decisões judiciais que antecederam o cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno.
O texto recebeu o título:
“Juízes fazem o diabo para ajudar Lula”
Por decisão de sua direção editorial, o Jornal25News – Independente registra que seu editor, Mário Marcovicchio, compartilha da preocupação central apresentada pelo Estadão sobre os acontecimentos que envolveram o debate da TV Globo.
O Jornal25News se congratula com o centenário jornal pela firmeza com que coloca no debate público uma questão que merece ser examinada por toda a sociedade:
até onde pode ir a intervenção do Poder Judiciário nas regras de um debate eleitoral organizado por um veículo de comunicação?
Essa pergunta ultrapassa candidatos, partidos e preferências eleitorais.
Ela envolve liberdade de imprensa, segurança jurídica, autonomia jornalística e equilíbrio institucional.
Leitura Integral
O Brasil assistiu, na noite de quinta-feira, 1º de outubro, a um episódio incomum em sua história eleitoral.
O último debate presidencial antes do primeiro turno, que seria realizado pela TV Globo, acabou cancelado depois de decisões judiciais de última hora que alteraram aspectos importantes das regras estabelecidas pela emissora.
A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou que a Globo não exibisse o púlpito vazio reservado ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, que havia informado que não participaria do encontro.
A decisão também atingiu a possibilidade de os demais candidatos dirigirem perguntas ao candidato ausente.
Em outra frente, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a inclusão do candidato Renan Santos, do Missão, no debate.
Diante das sucessivas alterações, a TV Globo decidiu cancelar o programa, alegando insegurança jurídica.
O episódio provocou imediatamente uma discussão que vai muito além de quem poderia ganhar ou perder eleitoralmente com o debate.
A discussão é institucional.
O papel da Justiça
Uma democracia sólida necessita de uma Justiça independente.
Da mesma forma, necessita de uma imprensa livre.
O equilíbrio entre essas instituições é fundamental exatamente nos momentos de maior tensão política.
Quando uma decisão judicial interfere diretamente na forma como um veículo de comunicação pretende realizar um debate entre candidatos à Presidência da República, é legítimo que a imprensa, os juristas e a sociedade discutam os limites dessa intervenção.
O mesmo vale para decisões que alterem, poucas horas antes de um programa, os critérios estabelecidos pela emissora para participação dos candidatos.
Não se trata de negar ao Poder Judiciário sua competência constitucional.
Trata-se de discutir como essa competência é exercida e quais consequências institucionais podem resultar de decisões tomadas durante um processo eleitoral.
O Estadão entra no debate
Nesta sexta-feira, 2 de outubro, O Estado de S. Paulo decidiu enfrentar a questão em seu principal espaço de opinião.
O editorial é contundente.
Seu título não deixa margem para dúvidas sobre a avaliação feita pelo jornal:
“Juízes fazem o diabo para ajudar Lula”
É uma posição editorial dura.
As afirmações de favorecimento político, existência de grupos internos no STF e motivações atribuídas aos magistrados constituem avaliações e conclusões do próprio Estadão, e não fatos automaticamente estabelecidos apenas pela ocorrência das decisões judiciais.
Essa distinção é indispensável ao jornalismo responsável.
Os fatos documentados são as decisões judiciais, a ausência anunciada de Lula, as mudanças nas condições do debate e a posterior decisão da Globo de cancelar o encontro.
A interpretação política desses fatos pertence ao campo editorial.
E é exatamente nesse campo que o Jornal25News também se manifesta.
Nossa posição editorial
O editor do Jornal25News, Mário Marcovicchio, considera pertinente a preocupação institucional levantada pelo Estadão e registra sua concordância com a necessidade de se questionar a dimensão alcançada pela intervenção judicial no episódio.
O Jornal25News também entende que decisões capazes de modificar as regras de um debate presidencial poucas horas antes de sua realização exigem profundo escrutínio público.
Por isso, nos congratulamos com O Estado de S. Paulo pela lucidez de colocar essa discussão de maneira aberta diante de seus leitores.
Um jornal não existe apenas para reproduzir acontecimentos.
Existe também para questionar o poder.
Qualquer poder.
Executivo, Legislativo ou Judiciário.
A independência da imprensa somente possui verdadeiro significado quando esse princípio é aplicado independentemente de quem ocupa o governo, de quem disputa uma eleição ou de qual autoridade esteja sendo questionada.
O Jornal25News continuará defendendo que decisões públicas sejam examinadas à luz da Constituição, das leis e do interesse da sociedade.
A democracia não deve temer perguntas.
E muito menos uma imprensa disposta a fazê-las.
A SEGUIR, O EDITORIAL DE O ESTADO DE S. PAULO
Opinião do Estadão
Juízes fazem o diabo para ajudar Lula
Ministros do STF e do TSE mandam às favas os escrúpulos de consciência e tomam decisões que inviabilizam o último debate presidencial do primeiro turno, do qual o petista não participaria
Por Notas & Informações
O Estado de S. Paulo — 2 de outubro de 2026 | 10h34
Já ficou suficientemente claro que há uma força-tarefa no Poder Judiciário dedicada a ajudar a reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Só isso explica as decisões arbitrárias e esdrúxulas que os ministros Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tomaram para inviabilizar a realização do último debate presidencial antes do primeiro turno da eleição.
Em política, como já disse a ex-presidente Dilma Rousseff, faz-se “o diabo” para vencer uma eleição. A novidade agora é que ministros de tribunais superiores mandaram às favas os escrúpulos de consciência e decidiram apelar ao Coisa Ruim para facilitar a vida de Lula e dificultar a de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), interferindo diretamente na eleição.
Como se sabe, Lula avisou que não iria ao debate na TV Globo. Conforme as regras assinadas por todos os candidatos, inclusive Lula, a emissora poderia mostrar o púlpito vazio reservado ao petista, e os demais candidatos poderiam direcionar perguntas a ele. Mas eis que o time jurídico de Lula entrou em ação, e a ministra Estela Aranha prontamente acolheu a demanda, proibindo a TV Globo de mostrar o púlpito vazio e que os candidatos presentes fizessem perguntas ao ausente. Desse modo, Estela Aranha rasgou um regulamento com o qual todos haviam concordado.
Só é possível compreender a decisão da ministra à luz de suas relações próximas com o governo Lula e com o ministro do STF Flávio Dino, fiel escudeiro do presidente no Supremo e que também está ativamente trabalhando pela campanha petista. Não é papel de uma juíza eleitoral poupar um candidato do desgaste político de se ausentar de um debate por livre e espontânea vontade, muito menos ditar o que um veículo de comunicação pode ou não exibir. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão deu à coisa o nome que ela tem: “Uma agressão à liberdade de imprensa”.
Pior fez o ministro Gilmar Mendes. Atropelando o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que negara o pedido, ele obrigou a TV Globo a incluir no debate o candidato Renan Santos, do Missão, que não tinha vaga assegurada por lei nem foi convidado pela emissora. O pedido, feito pelo partido Solidariedade, foi malandramente enxertado em uma reclamação sobre um caso do Paraná que está no gabinete de Mendes desde maio – o manjado expediente, do qual já tratamos nesta página, de escolher um juiz ao gosto do freguês. O argumento de que entrevistas anteriores criaram uma “legítima expectativa” de participação de Renan no debate não tem amparo em uma vírgula da Lei Eleitoral, como avaliaram juristas consultados pelo Estadão. Foi um ato de força.
Mais uma vez, nada disso veio de graça. Desde a vergonhosa sessão do STF de 15 de setembro, está claríssimo que Gilmar Mendes integra o time do Supremo que joga pesado para impedir que Flávio Bolsonaro se eleja presidente e, conforme previsto, modifique drasticamente o jogo de forças dentro da Corte.
Não é segredo para ninguém que a reeleição de Lula interessa ao grupo integrado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Já a vitória de Flávio fortaleceria o grupo de André Mendonça, do qual fazem parte os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O que está em jogo é o controle sobre os rumos do STF e o destino jurídico de alguns de seus ministros envolvidos no caso Master, principalmente Alexandre de Moraes. Ao longo do próximo mandato presidencial, ao menos quatro cadeiras serão preenchidas, entre elas as de Luiz Fux, de Cármen Lúcia e a do próprio Gilmar Mendes. Essa guerra intestina no STF já interfere diretamente na disputa eleitoral, e os ministros nem sequer se dão mais ao trabalho de disfarçar.
Em nome de seus interesses políticos, Gilmar Mendes e Estela Aranha violaram a liberdade de imprensa e cassaram o direito do eleitor de ouvir as propostas dos candidatos à Presidência da República no que seria o último encontro entre eles antes do primeiro turno. E pela força de canetadas judiciais. É amarga a ironia de que a lisura da campanha eleitoral, defendida a duras penas contra o golpismo bolsonarista, seja agora tisnada justamente por quem tinha o dever de resguardá-la.

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