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SOS PASTORAL DE RUA: Doações para obras do Padre Júlio despencam após proibição de redes sociais

Arrecadação de itens básicos no Centro Santa Dulce dos Pobres caiu 20% em menos de dois meses. Fiéis denunciam "bloqueio" de diálogo na Arquidiocese de SP e preparam envio de abaixo-assinado ao Vaticano

Edição por Edição
31 de janeiro de 2026
em Brasil, Fé, Personalidade
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SOS PASTORAL DE RUA: Doações para obras do Padre Júlio despencam após proibição de redes sociais
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As doações para as obras sociais do Padre Júlio Lancellotti e da Pastoral do Povo de Rua sofreram uma queda drástica (estimada entre 70% e 85% em janeiro de 2026) depois que o religioso acatou determinação judicial e suspendeu sua presença nas redes sociais. A decisão veio após ordem do juiz Marcelo Gentil Monteiro (1ª Vara de Direitos Difusos e Coletivos do Fórum João Mendes Júnior), que proibiu o padre de publicar conteúdos com imagens de pessoas em situação de rua sem autorização expressa e individualizada de cada uma delas.

Cronologia dos fatos

  • Início da polêmica (outubro–novembro 2025): Advogados e entidades ligadas ao poder público questionaram o uso de imagens de pessoas em situação de rua nas redes do padre (principalmente Instagram e Facebook), alegando violação à LGPD e à dignidade humana.
  • Ação judicial (dezembro 2025): Ação civil pública movida por advogados ligados ao governo municipal pediu a proibição de novas postagens com fotos/vídeos de moradores de rua, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.
  • Decisão liminar (10 de janeiro de 2026): Juiz Marcelo Gentil Monteiro concedeu a tutela de urgência, determinando que Padre Júlio:
    • Pare de publicar imagens de pessoas em situação de rua sem autorização prévia e individualizada.
    • Remova todas as postagens existentes que contenham rostos identificáveis (exceto imagens antigas de manifestações públicas com autorização judicial).
    • Multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.
  • Cumprimento da ordem (11–15 de janeiro): Padre Júlio anunciou que respeitaria a decisão judicial e suspendeu todas as postagens pessoais com imagens de pessoas em situação de rua. A conta oficial da Pastoral do Povo de Rua passou a publicar apenas textos, fotos de atividades coletivas (sem identificação individual) e imagens de alimentos/sopas sem mostrar rostos.
  • Queda nas doações (16 de janeiro): A Pastoral divulgou balanço preliminar:
    • Janeiro/2025 (antes da liminar): média diária de R$ 42–58 mil em doações.
    • Janeiro/2026 (após suspensão das redes): média diária caiu para R$ 6–9 mil (queda de ~80–85%).
    • Impacto imediato: redução de 60–70% na compra de alimentos para sopão diário e corte parcial de vagas em acolhidas noturnas.

Repercussão e posicionamentos

  • Padre Júlio Lancellotti: “Eu respeito a decisão judicial e estou cumprindo. Mas é importante dizer: sem as redes, as doações caem muito. Quem via as imagens, se sensibilizava e ajudava. Agora estamos lutando para manter o sopão e as acolhidas com 80% menos recursos.”
  • Ministério Público de SP: O promotor Silvio Antonio Marques (que moveu a ação) defendeu a decisão: “A dignidade da pessoa em situação de rua não pode ser sacrificada em nome da captação de recursos. A exposição constante sem consentimento viola direitos fundamentais.”
  • Movimentos sociais e ONGs: AMPARA, Instituto Padre Julio Lancellotti, Frente de Luta por Moradia e Mídia Ninja acusam “criminalização da solidariedade” e “censura seletiva”.
  • Doadores e público: Campanha espontânea nas redes (“Doe mesmo sem foto”) começou a ganhar força, mas ainda não compensa a perda. Vaquinha oficial da Pastoral (vakinha.com.br/pastoral) já ultrapassou R$ 280 mil em doações emergenciais desde a liminar.

O Desfecho Até Agora

  • A liminar segue em vigor (sem recurso bem-sucedido até o momento).
  • Padre Júlio mantém perfil pessoal quase inativo (apenas textos e fotos de objetos/atividades sem pessoas).
  • A Pastoral reduziu o número de marmitas diárias de ~2.200 para ~800–1.000 e suspendeu temporariamente a ampliação da Casa de Acolhida.
  • Audiência de conciliação marcada para 28 de janeiro (com possibilidade de acordo para permitir postagens com autorização genérica ou imagens borradas).
  • Campanha de financiamento coletivo ganhou tração: meta de R$ 1 milhão para manter sopão e acolhidas até decisão final.

O caso expõe uma tensão real: como conciliar proteção à imagem e dignidade das pessoas em situação de rua com a necessidade de visibilidade para captar recursos? Enquanto o debate jurídico avança, milhares de pessoas dependem do sopão diário que, hoje, está ameaçado justamente pela tentativa de protegê-las.

O Jornal 25News acompanha a audiência de conciliação e o impacto financeiro real na Pastoral do Povo de Rua. Porque, em São Paulo, a linha entre proteção e sufocamento da solidariedade está cada vez mais tênue.

🤝 Apoio Institucional

Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
Shopping Circuito das Compras – O Maior Shopping Popular do Brasil
Calabria – Oportunidades de Negócios
Advocacia Marcovicchio
Lit Pró Digital


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