As doações para as obras sociais do Padre Júlio Lancellotti e da Pastoral do Povo de Rua sofreram uma queda drástica (estimada entre 70% e 85% em janeiro de 2026) depois que o religioso acatou determinação judicial e suspendeu sua presença nas redes sociais. A decisão veio após ordem do juiz Marcelo Gentil Monteiro (1ª Vara de Direitos Difusos e Coletivos do Fórum João Mendes Júnior), que proibiu o padre de publicar conteúdos com imagens de pessoas em situação de rua sem autorização expressa e individualizada de cada uma delas.
Cronologia dos fatos

- Início da polêmica (outubro–novembro 2025): Advogados e entidades ligadas ao poder público questionaram o uso de imagens de pessoas em situação de rua nas redes do padre (principalmente Instagram e Facebook), alegando violação à LGPD e à dignidade humana.
- Ação judicial (dezembro 2025): Ação civil pública movida por advogados ligados ao governo municipal pediu a proibição de novas postagens com fotos/vídeos de moradores de rua, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.
- Decisão liminar (10 de janeiro de 2026): Juiz Marcelo Gentil Monteiro concedeu a tutela de urgência, determinando que Padre Júlio:
- Pare de publicar imagens de pessoas em situação de rua sem autorização prévia e individualizada.
- Remova todas as postagens existentes que contenham rostos identificáveis (exceto imagens antigas de manifestações públicas com autorização judicial).
- Multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.
- Cumprimento da ordem (11–15 de janeiro): Padre Júlio anunciou que respeitaria a decisão judicial e suspendeu todas as postagens pessoais com imagens de pessoas em situação de rua. A conta oficial da Pastoral do Povo de Rua passou a publicar apenas textos, fotos de atividades coletivas (sem identificação individual) e imagens de alimentos/sopas sem mostrar rostos.
- Queda nas doações (16 de janeiro): A Pastoral divulgou balanço preliminar:
- Janeiro/2025 (antes da liminar): média diária de R$ 42–58 mil em doações.
- Janeiro/2026 (após suspensão das redes): média diária caiu para R$ 6–9 mil (queda de ~80–85%).
- Impacto imediato: redução de 60–70% na compra de alimentos para sopão diário e corte parcial de vagas em acolhidas noturnas.
Repercussão e posicionamentos

- Padre Júlio Lancellotti: “Eu respeito a decisão judicial e estou cumprindo. Mas é importante dizer: sem as redes, as doações caem muito. Quem via as imagens, se sensibilizava e ajudava. Agora estamos lutando para manter o sopão e as acolhidas com 80% menos recursos.”
- Ministério Público de SP: O promotor Silvio Antonio Marques (que moveu a ação) defendeu a decisão: “A dignidade da pessoa em situação de rua não pode ser sacrificada em nome da captação de recursos. A exposição constante sem consentimento viola direitos fundamentais.”
- Movimentos sociais e ONGs: AMPARA, Instituto Padre Julio Lancellotti, Frente de Luta por Moradia e Mídia Ninja acusam “criminalização da solidariedade” e “censura seletiva”.
- Doadores e público: Campanha espontânea nas redes (“Doe mesmo sem foto”) começou a ganhar força, mas ainda não compensa a perda. Vaquinha oficial da Pastoral (vakinha.com.br/pastoral) já ultrapassou R$ 280 mil em doações emergenciais desde a liminar.
O Desfecho Até Agora
- A liminar segue em vigor (sem recurso bem-sucedido até o momento).
- Padre Júlio mantém perfil pessoal quase inativo (apenas textos e fotos de objetos/atividades sem pessoas).
- A Pastoral reduziu o número de marmitas diárias de ~2.200 para ~800–1.000 e suspendeu temporariamente a ampliação da Casa de Acolhida.
- Audiência de conciliação marcada para 28 de janeiro (com possibilidade de acordo para permitir postagens com autorização genérica ou imagens borradas).
- Campanha de financiamento coletivo ganhou tração: meta de R$ 1 milhão para manter sopão e acolhidas até decisão final.
O caso expõe uma tensão real: como conciliar proteção à imagem e dignidade das pessoas em situação de rua com a necessidade de visibilidade para captar recursos? Enquanto o debate jurídico avança, milhares de pessoas dependem do sopão diário que, hoje, está ameaçado justamente pela tentativa de protegê-las.
O Jornal 25News acompanha a audiência de conciliação e o impacto financeiro real na Pastoral do Povo de Rua. Porque, em São Paulo, a linha entre proteção e sufocamento da solidariedade está cada vez mais tênue.
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