O Natal costuma ser o “diagnóstico anual” das relações humanas. Para a psicanalista e escritora Vera Iaconelli, o período de festas funciona como uma lente de aumento sobre as fragilidades e rupturas dos laços familiares. Em um momento em que 96% dos brasileiros consideram a família a coisa mais importante da vida, Iaconelli questiona: o que estamos chamando de família hoje? Para ela, a nova geração está trocando o DNA pelo cuidado e pela responsabilização mútua.
Redução de Danos no Natal: Como Sobreviver às Festas 🥂

As festas de fim de ano são conhecidas na clínica psicanalítica como uma “curva de rio” — o momento em que todos os problemas acumulados durante o ano vêm à tona. Iaconelli sugere estratégias práticas para enfrentar a ceia:
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Baixe a Bola: Tire as ideias idealizadas da cabeça. Não compare sua família real com a dos anúncios de peru.
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Tolerância à Diferença: A família é um grupo que se juntou por circunstância, não por afinidade. Use o encontro como um exercício para sair da sua “bolha”.
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O Limite do Intolerável: “Se é sempre uma ceia violenta em nome da família, é pavoroso. Às vezes, é melhor não ir mesmo”, afirma. Denunciar o intolerável é um serviço à própria saúde.
Novos Formatos de Família: O Cuidado como Base ❤️
O conceito de família está se expandindo para além dos laços consanguíneos. Iaconelli observa o surgimento de núcleos baseados na lealdade e intimidade, independentemente da configuração heterossexual ou cisgênero.
“A gente precisa ter um lugar onde compartilha o sofrimento, onde confia que as pessoas estão lá para nós. Esse lugar de lealdade é fundamental, mas não está necessariamente ligado aos parentes.”
📱 Rede Social é Trabalho: O Alerta sobre o Adoecimento Digital
Iaconelli é enfática: redes sociais não são “vida social”, são expediente para as big techs.
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Dopamina e Vício: O uso constante libera dopamina de forma similar a drogas pesadas.
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A “Greve” Individual: A única forma de pressão é o desligamento. Iaconelli defende horários rígidos para “parar de trabalhar” nas redes e focar na presença física.
🚧 Educação dos Meninos e Antimachismo
Para a psicanalista, o combate à violência contra a mulher exige uma nova postura masculina.
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Não basta não ser machista: É preciso ser antimachismo.
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Pacto de Silêncio: Os homens devem cobrar decência de seus pares, mudando a cultura de violência associada à masculinidade.
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Educação: A pressão social sobre meninos para “dar provas de masculinidade” o tempo todo é massacrante e gera adultos inseguros e violentos.
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