ECONOMIA PERDE FORÇA: FGV ESTIMA ALTA DE 0,3% DO PIB NO SEGUNDO TRIMESTRE
Atividade recuou 1,1% em junho, mas consumo das famílias ajudou a sustentar crescimento; resultado oficial do PIB será divulgado pelo IBGE
Centro Histórico da Cidade de SP, 18 de agosto de 2026
Redação 25NEWS
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
A economia brasileira continua crescendo, mas em ritmo mais lento. O Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas (FGV) estima que a atividade econômica avançou 0,3% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano, já descontados os efeitos sazonais. No primeiro trimestre, o indicador da FGV havia apontado crescimento de 1,0%.
O sinal de desaceleração ficou ainda mais evidente em junho: a atividade econômica recuou 1,1% em relação a maio. Apesar disso, na comparação com junho de 2025 houve crescimento de 1,9%. No segundo trimestre, frente ao mesmo período do ano passado, a alta foi de 1,7%, enquanto o acumulado em 12 meses chegou a 1,8%.
O consumo das famílias foi o principal componente a sustentar a atividade. Serviços e produtos duráveis tiveram papel importante, enquanto agropecuária, indústria e serviços perderam força na comparação com o início do ano.
Outro indicador divulgado para o período aponta na mesma direção. O IBC-Br, do Banco Central, caiu cerca de 0,6% em junho e indicou crescimento próximo de 0,2% no segundo trimestre, reforçando o diagnóstico de desaceleração.
A FGV estima que o PIB brasileiro tenha movimentado R$ 6,557 trilhões no primeiro semestre de 2026 e calcula uma taxa de investimento de 18,5% no segundo trimestre.
Agora, as atenções se voltam para o resultado oficial do Produto Interno Bruto, calculado pelo IBGE. No primeiro trimestre, o órgão registrou expansão de 1,1% da economia brasileira.
LEITURA INTEGRAL
ECONOMIA CRESCE, MAS EM RITMO BEM MENOR
O desempenho da economia brasileira perdeu força entre abril e junho.
O Monitor do PIB-FGV estima crescimento de 0,3% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, considerando a série com ajuste sazonal.
O resultado mostra uma forte desaceleração em relação ao início do ano. Na série utilizada pelo Monitor, o crescimento do primeiro trimestre havia sido de 1,0%. (IBRE)
A economia, portanto, continua no campo positivo, mas sem repetir o ritmo registrado nos primeiros meses de 2026.
JUNHO ACENDE SINAL DE ALERTA
O resultado mensal foi mais fraco.
Em junho, a atividade econômica caiu 1,1% em relação a maio, descontados os efeitos sazonais.
Na comparação com junho do ano passado, entretanto, a economia ainda apresentou crescimento de 1,9%.
Os números mostram duas fotografias diferentes.
Na comparação com o mês imediatamente anterior, houve retração.
Na comparação com o mesmo mês de 2025, a atividade econômica continua maior.
Essa diferença é importante para compreender corretamente o momento da economia.
ACUMULADO EM 12 MESES É DE 1,8%
A desaceleração também aparece nos indicadores de prazo mais longo.
Segundo a FGV, a economia cresceu 1,7% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo trimestre de 2025.
No acumulado dos 12 meses encerrados em junho, o avanço ficou em 1,8%. (IBRE)
O quadro é de crescimento, porém em velocidade inferior à observada em períodos anteriores.
CONSUMO DAS FAMÍLIAS SEGURA A ECONOMIA
O destaque positivo foi o consumo.
Segundo a coordenadora do Monitor do PIB-FGV, Juliana Trece, o consumo foi o único grande componente que não perdeu ritmo no segundo trimestre.
O desempenho foi sustentado principalmente pelo consumo de serviços e bens duráveis.
A FGV observa ainda que a expansão dos produtos duráveis foi influenciada pelo aumento das importações de automóveis durante o trimestre.
O consumo das famílias continua, portanto, desempenhando papel importante para impedir uma desaceleração ainda maior da atividade.
ATENÇÃO À COMPARAÇÃO DOS NÚMEROS
Há um detalhe importante nos dados divulgados pela FGV.
Os números de 2,6% para consumo das famílias, 1,6% para investimento, 4,5% para exportações e 5,7% para importações referem-se à análise trimestral em comparação com o mesmo período do ano anterior — e não à comparação direta entre o segundo e o primeiro trimestre. (IBRE)
Nessa comparação anual, o consumo das famílias cresceu 2,6% no segundo trimestre.
Todos os componentes do consumo apresentaram avanço, embora em intensidade menor do que a observada anteriormente. Os destaques foram serviços e bens duráveis. (IBRE)
INVESTIMENTOS AVANÇAM 1,6%
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede investimentos em máquinas, equipamentos, construção e outros ativos produtivos, apresentou crescimento de 1,6% na comparação interanual.
A FGV, no entanto, identificou perda de força.
O segmento de máquinas e equipamentos voltou a apresentar queda e ajudou a moderar a expansão do investimento, enquanto construção e outros componentes tiveram desempenho melhor. (IBRE)
A taxa de investimento da economia foi estimada em 18,5% no segundo trimestre de 2026.
EXPORTAÇÕES CRESCEM, MAS DESACELERAM
As exportações registraram crescimento de 4,5% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar da alta, a FGV identificou desaceleração em comparação com o ritmo observado desde meados de 2025.
Entre os destaques positivos ficaram as exportações de serviços, produtos agropecuários e bens intermediários.
Já as exportações da indústria extrativa mineral apresentaram queda no período. (IBRE)
IMPORTAÇÕES SOBEM 5,7%
As importações cresceram 5,7% na comparação interanual.
O movimento foi impulsionado principalmente pelas compras externas de serviços e de bens de consumo.
A FGV aponta que as importações de bens de consumo mantêm uma sequência prolongada de crescimento.
Em sentido contrário, bens intermediários e produtos da indústria extrativa apresentaram desempenho negativo e reduziram a intensidade da alta total.
PIB DO PRIMEIRO SEMESTRE É ESTIMADO EM R$ 6,557 TRILHÕES
Em valores correntes, a FGV estima que o Produto Interno Bruto brasileiro tenha alcançado R$ 6,557 trilhões no primeiro semestre de 2026.
O valor representa a soma estimada dos bens e serviços finais produzidos pela economia brasileira durante os primeiros seis meses do ano.
TRÊS GRANDES SETORES PERDERAM FORÇA
A desaceleração não ficou concentrada em apenas uma área.
Segundo a FGV, o movimento foi observado nas três grandes atividades econômicas:
Agropecuária
Indústria
Serviços
A maior parte dos componentes da demanda também perdeu ritmo.
O consumo foi a principal exceção.
Esse comportamento mais disseminado reforça a avaliação de que o segundo trimestre marcou uma mudança de velocidade da economia brasileira.
20º RESULTADO POSITIVO CONSECUTIVO
Apesar da perda de força, a FGV chama atenção para outro dado.
Segundo o Monitor, o segundo trimestre representou o 20º resultado consecutivo de taxas positivas da atividade econômica.
Para Juliana Trece, o dado mostra que a economia continua apresentando resultados positivos, mesmo diante de um ambiente doméstico e internacional considerado mais difícil.
JUROS ALTOS PESAM SOBRE A ATIVIDADE
Um dos principais fatores que ajudam a explicar a desaceleração é o nível elevado das taxas de juros.
No início de agosto, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano. Mesmo depois da redução, a taxa continua em nível elevado. (Banco Central do Brasil)
Juros altos encarecem financiamentos, crédito ao consumidor e empréstimos para empresas.
Com isso, famílias tendem a adiar compras financiadas e empresas podem postergar investimentos.
A política monetária mais restritiva é utilizada para combater a inflação, mas produz efeitos sobre o ritmo da atividade econômica.
ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS TAMBÉM PREOCUPA
A FGV inclui entre os desafios atuais o elevado endividamento da população.
Quando uma parcela maior da renda das famílias está comprometida com dívidas e pagamento de juros, sobra menos dinheiro para novas compras.
Esse efeito pode atingir principalmente setores dependentes de financiamento, como automóveis, imóveis, eletrodomésticos e outros bens de maior valor.
PETRÓLEO E CENÁRIO EXTERNO AUMENTAM INCERTEZAS
O ambiente internacional também interfere na economia brasileira.
A FGV cita a elevação dos preços internacionais do petróleo entre os elementos que tornam o cenário mais desafiador.
Uma alta persistente do petróleo pode aumentar custos de transporte, produção e energia e gerar pressões adicionais sobre a inflação.
Esse cenário também pode influenciar as decisões do Banco Central sobre a velocidade de redução dos juros.
IBC-BR TAMBÉM MOSTRA DESACELERAÇÃO
Os dados do Banco Central divulgados para o mesmo período reforçam o sinal captado pela FGV.
O IBC-Br recuou aproximadamente 0,6% em junho na comparação com maio.
No segundo trimestre, o indicador apontou crescimento próximo de 0,2% em relação aos três primeiros meses do ano. (Reuters)
Os dois indicadores, portanto, não apresentam exatamente o mesmo número, porque utilizam metodologias distintas.
Mas apontam para a mesma direção:
a economia brasileira cresceu no segundo trimestre, porém desacelerou de maneira significativa.
FGV E BANCO CENTRAL NÃO SUBSTITUEM O PIB OFICIAL
Tanto o Monitor do PIB-FGV quanto o IBC-Br são importantes termômetros da atividade econômica.
Mas nenhum deles substitui o resultado oficial do Produto Interno Bruto.
O PIB oficial é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio das Contas Nacionais.
No primeiro trimestre de 2026, o IBGE registrou crescimento de 1,1% em relação aos últimos três meses de 2025.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a expansão foi de 1,8%. (
EXPECTATIVA PARA 2026
As previsões para o crescimento da economia brasileira durante todo o ano continuam positivas, mas mostram diferenças entre mercado e governo.
O Boletim Focus, que reúne projeções de instituições do mercado financeiro, apontava em 17 de agosto mediana de crescimento de 1,98% para o PIB de 2026.
Já o Ministério da Fazenda, em seu Boletim MacroFiscal, mantém projeção de crescimento de 2,3% em 2026. A estimativa oficial da Fazenda é anterior aos dados completos divulgados agora para junho.
O QUE OS NÚMEROS MOSTRAM
Os indicadores divulgados até agora formam um cenário relativamente claro.
A economia brasileira não parou de crescer.
Mas perdeu velocidade.
O primeiro trimestre foi marcado por expansão mais forte, enquanto o período entre abril e junho apresentou crescimento bem mais modesto.
O consumo das famílias continua oferecendo sustentação à atividade, mas os juros elevados, o endividamento, a desaceleração de setores produtivos e as incertezas externas aumentam os obstáculos para os próximos meses.
PRÓXIMO NÚMERO SERÁ DECISIVO
A divulgação oficial do PIB do segundo trimestre pelo IBGE permitirá confirmar a intensidade dessa desaceleração.
Hoje, as duas principais prévias apontam resultados próximos:
FGV: +0,3% no segundo trimestre
IBC-Br: aproximadamente +0,2% no segundo trimestre
Em junho, as duas também mostraram retração:
FGV: -1,1%
IBC-Br: aproximadamente -0,6%
A mensagem econômica, portanto, é semelhante.
O Brasil continua crescendo, mas o motor da economia perdeu força no segundo trimestre de 2026.
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Fontes: Fundação Getulio Vargas — FGV IBRE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE, Banco Central do Brasil, Ministério da Fazenda e Agência Brasil.





















































