Prepare-se para uma viagem no tempo que revisita as origens de um dos cursos mais importantes da USP! Uma nova pesquisa da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) está desmontando o mito da homogeneidade na fundação da Geografia na Universidade de São Paulo. Ao contrário da visão de uma produção acadêmica uniforme e de matriz francesa, o estudo revela que a primeira geração de geógrafos (a partir de 1934) era marcada por origens sociais distintas, visões de mundo divergentes e intensas disputas políticas!
A Geografia Não Veio Só da Elite!

A tese, que analisou 15 trajetórias de docentes, tinha como objetivo “desmontar a noção de que existia uma geografia única” na USP. A pesquisa mostra que, apesar da forte influência da Escola Francesa (que defendia a formação integrada de professores e pesquisadores), o perfil dos primeiros professores fugia da elite paulistana.
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Origem Popular: Depois que os cargos mais prestigiados (catedráticos) foram preenchidos, os grupos oligárquicos perderam o interesse pela USP, abrindo espaço para professores de origem popular.
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O Exemplo de Ab’Saber: Foi nesse contexto que surgiu um dos maiores geógrafos do país, Aziz Nacib Ab’Saber, que chegou a trabalhar como jardineiro enquanto estudava!
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Contradição Paulista: A chamada “escola paulista de geografia” se colocava como moderna e científica, mas ajudava a construir uma imagem de São Paulo como centro intelectual do país, escondendo o passado oligárquico e escravocrata das elites locais.
Desigualdade de Gênero e Ruptura Ideológica!

A pesquisa também revelou as contradições e rupturas que marcaram o Departamento de Geografia da USP:
| Característica | Detalhes |
| Desigualdade de Gênero | Em 25 anos de publicações analisadas, apenas 10% dos trabalhos eram assinados por mulheres, apesar de muitas estarem matriculadas nos cursos. A mudança só começou a se reverter a partir dos anos 1970. |
| Disputa Política | A partir dos anos 1960, o grupo se dividiu entre professores alinhados ao regime militar e pesquisadores que se aproximaram dos debates agrários e de ideias de esquerda. |
| Geografia Crítica | Dessa ruptura nasceu a chamada geografia marxista brasileira, que deu origem à Geografia Crítica, um marco na segunda geração do curso, influenciada pelo contexto da Guerra Fria e da ditadura. |
A história da formação da Geografia na USP – que hoje reúne cerca de 50 profissionais e quase $1.700$ alunos – ajuda a entender não apenas os rumos da disciplina, mas também as complexas disputas sociais, políticas e culturais que moldaram a universidade e a produção acadêmica brasileira!
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