CORONÉIS DA PM SÃO CITADOS EM INVESTIGAÇÃO SOBRE REDE FINANCEIRA SUSPEITA DE CORRUPÇÃO
Centro Histórico da Cidade de SP
terça-feira, 21 de julho de 2026**
Por Redação do Jornal25News – Independente
Documentos, gravações e planilhas financeiras apreendidos durante investigações do Ministério Público de São Paulo mencionam oficiais de alta patente da Polícia Militar paulista em conversas e registros atribuídos a empresários suspeitos de operar uma rede clandestina de movimentação de dinheiro para integrantes do Primeiro Comando da Capital, o PCC.
As informações vieram à tona durante a Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco.
A operação cumpre 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou bloqueios de contas, veículos, imóveis e outros bens atribuídos aos investigados.
Os policiais militares mencionados nos documentos não são alvos da Operação Janus e, até o momento, não foram denunciados ou formalmente acusados de integrar o esquema investigado. A simples citação de um nome em mensagens ou planilhas não comprova participação criminosa.
LEITURA INTEGRAL
O Ministério Público de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira, 21 de julho, uma nova ofensiva contra uma estrutura financeira suspeita de movimentar e ocultar dinheiro em benefício do Primeiro Comando da Capital.
Batizada de Operação Janus, a ação é um desdobramento das operações Bazaar, Recidere e Salus et Dignitas. Ao todo, foram expedidos 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. Segundo o Ministério Público, os suspeitos recebiam grandes quantias em dinheiro vivo e realizavam transferências bancárias utilizando empresas, contas de terceiros e outras estruturas destinadas a ocultar a origem e o destino dos recursos.
Os investigadores também apuram a participação de integrantes do grupo em reuniões destinadas à resolução de disputas patrimoniais levadas a integrantes da facção criminosa — episódios classificados nos autos como “tribunais do crime”.
Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou o bloqueio de contas bancárias e aplicações financeiras, a indisponibilidade de imóveis e veículos e o sequestro de bens. Algumas decisões estabelecem bloqueios de até R$ 10 milhões por pessoa física investigada, além de restrições patrimoniais envolvendo empresas apontadas como integrantes da estrutura financeira.
Parte dos documentos obtidos durante a investigação revela conversas e registros nos quais empresários investigados mencionam contatos com oficiais de alta patente da Polícia Militar de São Paulo.
De acordo com os relatórios citados pela imprensa, os nomes aparecem em mensagens que tratariam de aproximação, acesso a comandantes e abertura de canais de comunicação dentro da corporação.
Entre os oficiais mencionados está um coronel identificado nos autos como PM, descrito nos documentos como diretor de ensino da Polícia Militar. Segundo a investigação, mensagens de setembro de 2023 indicariam tratativas e pedidos para a abertura de contatos particulares.
Também aparece nos documentos o coronel J.A.C., que comandou a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, a Rota, e o Comando de Policiamento de Choque antes de assumir o Comando-Geral da Polícia Militar paulista.
O Coronel deixou o Comando-Geral em abril de 2026, durante a transmissão oficial do cargo para outro Coronel .
PLANILHA REGISTRA SUPOSTO PAGAMENTO
Um relatório financeiro menciona uma planilha de dezembro de 2019, enviada por uma colaboradora identificada apenas como “Ellen” ao empresário Cléber Azevedo dos Santos.
Nesse documento teria sido registrado um pagamento de R$ 1 mil destinado a uma pessoa identificada como “Coronel Patrício”.
Os investigadores classificam os registros de repasses e despesas como “ticketagem”, expressão utilizada internamente pelo grupo para controlar determinadas movimentações financeiras.
A existência de um nome em uma planilha, entretanto, não comprova que o dinheiro tenha sido efetivamente entregue, recebido ou que a pessoa mencionada tenha conhecimento da anotação. Esses elementos ainda deverão ser analisados no curso da investigação, com respeito ao contraditório e à ampla defesa.
Para os investigadores, a proximidade alegada entre operadores financeiros e integrantes do alto escalão policial pode indicar uma tentativa de obter proteção, informações privilegiadas, facilidades institucionais ou interferência em fiscalizações.
Essa é, porém, uma linha investigativa que ainda precisa ser comprovada.
Os relatórios sustentam que a repetição de nomes de oficiais em conversas e controles financeiros poderia indicar a existência de canais estruturados de influência dentro da Polícia Militar. A eventual responsabilidade individual de qualquer agente público dependerá da produção de provas e da conclusão das apurações.
Até a publicação das informações consultadas, os coronéis mencionados não figuravam como alvos dos mandados cumpridos nesta terça-feira e não haviam sido formalmente denunciados ou acusados no caso.
A reportagem original informou que buscava contato com a defesa do coronel J.A.C. O
art. 5º da Constituição Federal, de 1988
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória
O Jornal25News reforça que toda pessoa investigada ou mencionada em procedimentos policiais deve ser considerada inocente até eventual decisão judicial definitiva, conforme determina a Constituição do Brasil.
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