IImagine a cena: você está numa UPA lotada, com o pé inchado e roxo, e o diagnóstico da sua fratura da fíbula e rompimento dos tendões é feito via WhatsApp. Foi exatamente isso que aconteceu comigo em Olímpia.

O médico plantonista (clínico geral), sem a presença do especialista, enviava fotos do meu Raio-X para um ortopedista remoto. A resposta veio fria pela tela do celular: fratura de fíbula e necessidade de cirurgia. Mas, segundo eles, “só depois do Natal”.
Desesperado e precisando voltar para São Paulo, onde moro, pedi o mínimo: uma imobilização de gesso para suportar a viagem de volta. O médico negou. Sem alternativa e diante da inviabilidade de manter minha família hospedada em um hotel por uma semana aguardando uma cirurgia incerta, pedi minha alta. O médico então recolocou a tala provisória — exatamente a mesma que a equipe de paramédicos do Thermas havia colocado apenas para garantir meu transporte até a UPA — e fui liberado para a estrada.
A volta para casa foi uma tortura. Foram 450km de estrada. Cada buraco, cada frenagem, cada trepidação do asfalto reverberava na minha perna quebrada. O risco de transporte nessas condições é altíssimo, podendo agravar a lesão. Ao chegar em São Paulo, fui direto ao Hospital Metropolitano da Lapa.
O novo Raio-X confirmou o que o atendimento médico precário em Olímpia ignorou: além da fíbula quebrada, os tendões do tornozelo estavam rompidos. Meu pé estava completamente instável. O veredito final: cirurgia urgente para colocar uma placa e 8 parafusos.
Com a cirurgia marcada e a perna destruída, a ficha caiu. Eu moro em um apartamento, onde cada metro quadrado conta. Como vou me locomover entre os cômodos apertados? Como vou tomar banho num box estreito? Eu não estava preparado para transformar meu apartamento em um hospital… até que me lembrei de um cliente meu muito antigo.
(Não perca amanhã o Capítulo 3: A ironia do destino – ligando para meu cliente)















































