O capitão da Polícia Militar de São Paulo Diogo Costa Cangerana foi preso nesta terça-feira (26) pela Polícia Federal durante a Operação Tai-Pan, que visa desmantelar um esquema financeiro bilionário. O grupo investigado, formado por três fintechs, teria movimentado R$ 6 bilhões nos últimos cinco anos para organizações criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Cangerana, que atuou como chefe de segurança do governador Tarcísio de Freitas até setembro, é suspeito de facilitar a abertura de contas usadas para lavar dinheiro. A operação contou com a participação de 200 agentes e cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 41 de busca e apreensão em sete estados e no Distrito Federal.
Trajetória e suspeitas
O oficial integrava a Casa Militar do Palácio dos Bandeirantes desde 2012 e chefiava a segurança de dignitários do governo estadual. Em setembro deste ano, foi transferido para o 13º Batalhão da PM, responsável pelo patrulhamento da Cracolândia. Durante sua passagem no governo, Cangerana acompanhou Tarcísio em eventos internacionais e recebeu a medalha Valor Militar, além de gratificações concedidas pela Casa Civil.
O Palácio dos Bandeirantes afirmou, em nota, que não tinha conhecimento de investigações contra o capitão durante sua atuação na Casa Militar. A Corregedoria da PM acompanha o caso e colabora com as apurações. A Polícia Militar foi informada da prisão, mas ainda não se manifestou oficialmente.
Esquema bilionário
A operação descobriu que as fintechs investigadas operavam um sistema bancário paralelo e ilegal, movimentando valores astronômicos dentro e fora do Brasil. Entre as transações, estão operações financeiras em países como EUA, Canadá, Panamá, Hong Kong e China.
Segundo a PF, o grupo usava empresas de fachada para movimentar até R$ 2 milhões por dia. A rede envolvia brasileiros e estrangeiros, incluindo policiais, gerentes de banco e contadores. Apenas o líder do esquema teria movimentado R$ 800 milhões.
As fintechs investigadas também foram denunciadas por delatores, como Antonio Vinícius Lopes Gritzbach, que apontou o envolvimento do PCC antes de ser executado em um atentado a tiros no Aeroporto de Cumbica, no início deste mês.
Impacto da operação
A PF apreendeu R$ 311 mil em espécie em um escritório na Avenida Paulista e bloqueou bens e valores de R$ 10 bilhões pertencentes a 214 pessoas jurídicas. Segundo os investigadores, a sofisticada estrutura financeira do grupo foi criada para atender a diferentes crimes, como tráfico de drogas, armas e evasão de divisas.
A Operação Tai-Pan, nome inspirado no livro que retrata um poderoso empresário do século 19, revelou uma nova dimensão dos esquemas de lavagem de dinheiro no Brasil. “O objetivo era atender fluxos constantes de dinheiro, especialmente para o território chinês, mas também para outros países, ocultando capitais de origem ilícita”, afirmou a Polícia Federal.
As investigações, que começaram em 2022, seguem em andamento, e novas revelações sobre o esquema podem emergir nos próximos meses.
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