Após derrota nas eleições, PT expõe divergências internas e troca críticas
Declarações de Alexandre Padilha sobre o desempenho do partido provocaram reação de Gleisi Hoffmann e ampliaram a discussão sobre os rumos da legenda
Centro histórico da Cidade de SP,06.10.26

O resultado das eleições municipais de 2024 expôs divergências que já vinham sendo discutidas internamente no Partido dos Trabalhadores (PT). O desempenho da legenda nas urnas abriu uma disputa sobre os erros da campanha, a relação do partido com o governo Lula e os caminhos que deverão ser adotados para as próximas eleições.
A tensão aumentou depois de o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, avaliar que o PT ainda não havia conseguido sair da chamada “zona de rebaixamento” nas eleições municipais. A declaração provocou reação imediata de dirigentes petistas.
A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, considerou a fala desrespeitosa. Segundo ela, o partido precisa ser avaliado levando em conta que participa de um governo formado por uma ampla coalizão política e enfrenta, ao mesmo tempo, uma ofensiva da direita.
Gleisi afirmou ainda que Padilha deveria concentrar seus esforços na articulação política do governo, área sob sua responsabilidade. A dirigente também defendeu que o trabalho realizado pelo PT durante os últimos anos não fosse desconsiderado.
A reação de Gleisi ganhou força durante uma reunião da Executiva Nacional do partido e da bancada federal. Segundo relatos publicados à época, dirigentes aplaudiram quando a presidente do PT mencionou sua resposta às declarações do ministro.
Disputa sobre os rumos do partido
O episódio não ficou restrito ao embate entre Gleisi e Padilha. O resultado eleitoral também intensificou uma discussão sobre o comando e a estratégia do PT.
O partido conseguiu eleger menos de 300 prefeitos e venceu em apenas uma capital, Fortaleza. Apesar de representar melhora em relação a 2020, o resultado foi considerado insuficiente por setores da legenda.
Antes mesmo do fim das eleições, grupos internos já discutiam a sucessão de Gleisi na presidência nacional. Uma ala defendia a renovação da direção partidária e nomes como o então prefeito de Araraquara, Edinho Silva, enquanto outros setores atribuíam parte das dificuldades eleitorais à atuação de ministros do governo Lula.
Boulos também entra no debate
Outro ponto de divergência foi a decisão de apoiar Guilherme Boulos, do PSOL, na disputa pela Prefeitura de São Paulo.
Deputados petistas, entre eles Washington Quaquá e Jilmar Tatto, fizeram críticas à estratégia. Gleisi, porém, saiu em defesa da escolha e afirmou que Boulos era, naquele momento, o candidato mais competitivo para representar o campo de esquerda na capital paulista.
A presidente do PT argumentou que o partido precisava considerar o histórico de Boulos e sua atuação em momentos difíceis para o campo político de esquerda.
O que está por trás da crise
Mais do que uma simples troca de declarações, o episódio revelou uma disputa maior dentro do PT: quem deve ser responsabilizado pelo resultado eleitoral e qual estratégia o partido deve seguir daqui para frente.
De um lado, dirigentes cobram maior protagonismo do PT dentro do governo Lula e uma comunicação mais eficiente das ações da administração federal. De outro, integrantes ligados ao governo defendem uma avaliação mais crítica do desempenho eleitoral e uma reorganização da legenda.
A reunião de outubro de 2024 acabou simbolizando esse conflito. As críticas a Padilha vieram acompanhadas de cobranças por mudanças na articulação política e na comunicação do governo.
Em resumo
O pós-eleição deixou três grandes questões no centro da disputa interna do PT:
-
o desempenho eleitoral considerado abaixo das expectativas;
-
a relação entre o partido e o governo Lula;
-
a definição da estratégia e da liderança do PT para os próximos ciclos eleitorais.
Assim, o episódio envolvendo Gleisi Hoffmann e Alexandre Padilha foi menos um conflito isolado e mais um reflexo das divergências sobre os rumos políticos do PT após as eleições municipais de 2024.
Fontes consultadas: Folha de S.Paulo, CNN Brasil e Revista Oeste.
























































