Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 09 de outubro de 2026.
O cidadão quer ver a polícia presente e o crime reprimido com firmeza. No entanto, quando o poder público recorre a arranjos extraordinários para colocar armamento de guerra sobre duas rodas no trânsito pesado, a sociedade precisa entender exatamente o custo, a segurança e a real eficácia dessa manobra.
Nesta semana, detalhes operacionais sobre a criação do Batalhão de Resposta Avançada Operacional (BRAvO) da Polícia Militar de São Paulo acenderam um debate intenso no setor de segurança pública. A nova tropa, estruturada para patrulhar corredores de trânsito e combater quadrilhas de assalto a pedestres e motoristas, reúne 250 agentes e 150 motocicletas de alta cilindrada.
O ponto central revelado é que a unidade não conta com um efetivo fixo próprio nem com comando exclusivo: grande parte dos policiais recebe remuneração extra para atuar durante seus dias de folga, pagos por meio do regime de Diária Especial de Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar (Dejem).
A ENGRENAGEM DA TROPA: A dinâmica do novo batalhão aposta na velocidade e na ostensividade para desarticular criminosos que utilizam motos e mochilas térmicas de delivery para praticar roubos em série. As equipes operam em duplas nas motocicletas: o piloto conduz o veículo em manobras rápidas por entre os corredores de tráfego, enquanto o policial da garupa porta um fuzil em posição tática de prontidão para intervenções em áreas de confronto severo. Todos os agentes atuam com câmeras corporais acopladas aos uniformes e contam com o apoio móvel de viaturas de quatro rodas nas imediações.
A flexibilidade do modelo, sustentada pelo pagamento do serviço extraordinário (Dejem), permite ao comando da corporação mobilizar um contingente expressivo sem desfalcar as escalas fixas dos batalhões de bairro tradicionais. Nos primeiros dias de operação, o comboio realizou bloqueios, saturações e abordagens táticas concentradas em avenidas de grande fluxo das zonas norte, oeste e central da capital, locais onde os índices de furto e roubo de celulares e relógios de luxo costumam liderar as estatísticas criminais.
VOZES E ANÁLISE: A cúpula da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) defende o projeto como uma resposta necessária e cirúrgica contra a modalidade de crime mais comum na metrópole. O secretário-executivo da pasta, coronel Henguel Ricardo Pereira, enfatizou que o uso das motocicletas oferece
mobilidade indispensável para acessar travessas estreitas e evitar as rotas de fuga dos bandidos, ressaltando que o efetivo passa por capacitação técnica e que o armamento longo é destinado para contenção de roubos de maior complexidade.
Por outro lado, o emprego de fuzis em motocicletas pilotadas em alta velocidade divide especialistas em direito e veteranos da corporação. O coronel da reserva e ex-secretário nacional de segurança pública, José Vicente da Silva Filho, qualificou a operação com fuzis em garupas de motos como desproporcional e arriscada.
Segundo o especialista, o peso e a empunhadura de uma arma de grosso calibre desestabilizam o equilíbrio do carona e do piloto no trânsito caótico, aumentando perigosamente as chances de quedas ou disparos acidentais contra pedestres. Críticos alertam ainda que remunerar policiais em seus momentos de descanso contorna a necessidade de reajustes salariais estruturais e gera sobrecarga física e mental em agentes que precisam de descanso para tomar decisões de vida ou morte no asfalto.
DADOS OFICIAIS:
Unidade Tática: Batalhão de Resposta Avançada Operacional (BRAvO), vinculado à Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP).
Força Operacional: Estimada em 250 policiais militares e frota de 150 motocicletas de alta cilindrada.
Regime de Remuneração: Serviço extraordinário voluntário remunerado via Dejem (Diária Especial de Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar) e convênios congêneres durante dias de folga.
Equipamento Principal: Motocicletas de patrulhamento tático, fuzis calibre 5.56 / 7.62 portados pelo militar na garupa, pistolas funcionais e câmeras operacionais portáteis (COPs).
Foco Operacional: Combate a quadrilhas de roubo de celulares, quadrilhas de “falsos entregadores” em motos e assaltos em cruzamentos e corredores viários da capital.
Base Legal Pertinente: Lei Complementar Estadual nº 1.227/2013 (Institui a Dejem no Estado de São Paulo) e Diretriz Geral de Policiamento da PMESP.
Impacto Social: Aumento da percepção de segurança nas avenidas com patrulhamento ostensivo rápido, contrastado pelo debate sobre o desgaste do policial e a segurança de terceiros no trânsito.
O RIGOR DA LEI: O trabalhador honesto de São Paulo está saturado de ser rendido na esquina por criminoso de capacete e perder o celular que custou doze parcelas no carnê. O combate aos ladrões que aterrorizam os semáforos tem que ser rigoroso, veloz e sem trégua, porque a calçada pertence à população de bem, e não à criminalidade.
No entanto, segurança pública eficiente não se faz na base do improviso e nem da estafa física do policial. Pagar bônus de folga para colocar fuzil pesado em garupa de moto no trânsito urbano expõe tanto os agentes quanto a população trabalhadora ao risco iminente de acidentes e balas perdidas.
Se o governo quer proteger as ruas de verdade, precisa contratar novos efetivos, pagar salários dignos no piso salarial da carreira e cobrar que a Polícia Civil desmantele com urgência a cadeia de desmanche e receptação de celulares e motos roubadas. A força do Estado se prova com planejamento de longo prazo, e não com marketing armado no meio do engarrafamento.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que colocar policiais armados com fuzis em motocicletas usando trabalho na folga traz a segurança real que São Paulo precisa, ou essa estratégia coloca pedestres e motoristas em perigo desnecessário no trânsito da capital?
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