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BOMBA NO RIO: TSE anula votos de Garotinho e Douglas Ruas é, na prática, o novo governador do Rio de Janeiro
Por 5 votos a 2, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou a inelegibilidade do ex-governador. Sem os 274.411 votos dele na conta, Ruas (PL) salta de 49,27% para 50,88% dos votos válidos e deve vencer sem segundo turno contra Eduardo Paes (PSD).
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 8 de outubro de 2026.
Leitura Rápida — 1 Minuto
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O que aconteceu: nesta quinta-feira (8), o TSE decidiu, por 5 votos a 2, anular definitivamente os 274.411 votos dados a Anthony Garotinho (Republicanos) no primeiro turno para o governo do Rio.
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Por quê: Garotinho está com os direitos políticos suspensos por condenação por improbidade administrativa. O TRE-RJ já havia barrado o registro da candidatura por unanimidade.
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A conta que muda tudo: a base de votos válidos cai de 8.669.038 para 8.394.627. Douglas Ruas (PL), com 4.271.199 votos, passa a ter 50,88%. Eduardo Paes (PSD), com 3.706.984, fica com 44,16%.
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Segundo turno: a votação prevista para 25 de outubro no Rio deve deixar de existir.
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Como votaram: o relator Floriano de Azevedo Marques foi acompanhado por Estela Aranha, André Mendonça e Dias Toffoli, entre outros, formando a maioria. Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior divergiram e votaram pela manutenção dos votos — o que levaria ao segundo turno.
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O que falta: o TRE-RJ precisa refazer a totalização e proclamar oficialmente Ruas governador eleito.
Leitura Integral
Uma eleição decidida no tribunal
O eleitor fluminense foi às urnas no domingo (4), mas quem bateu o martelo sobre o próximo governador do Rio de Janeiro foi o Tribunal Superior Eleitoral. Em sessão presencial nesta quinta-feira (8), a Corte rejeitou a tentativa de Anthony Garotinho de encerrar o próprio processo e, ao julgar o caso, manteve o indeferimento de sua candidatura. Resultado: os votos do ex-governador foram definitivamente anulados.
Como os votos nulos não entram no cálculo dos votos válidos, a base da eleição encolheu — e Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ultrapassou a marca de 50% mais um, necessária para vencer em primeiro turno.
A conta que muda tudo
Com 100% das urnas apuradas, o resultado divulgado no domingo era este:
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Douglas Ruas (PL): 4.271.199 votos — 49,27%
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Eduardo Paes (PSD): 3.706.984 votos — 42,76%
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Anthony Garotinho (Republicanos): 274.411 votos — 3,17%
Por uma diferença mínima — menos de um ponto percentual —, Ruas ficou abaixo da maioria absoluta, e o próprio TSE chegou a anunciar segundo turno entre ele e Paes.
Sem os votos de Garotinho, o total que serve de base cai de 8.669.038 para 8.394.627. Os votos de Ruas continuam os mesmos, mas passam a representar 50,88% do novo total. Paes sobe para 44,16% — insuficiente para forçar nova votação.
Como o caso chegou até aqui
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Setembro: o TRE-RJ declarou Garotinho inelegível por condenação por ato doloso de improbidade administrativa, ligada a desvios na Secretaria de Saúde do Rio.
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30 de setembro: o TRE-RJ concluiu o julgamento e manteve o indeferimento. Garotinho seguia em campanha amparado por uma liminar do TSE.
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2 de outubro (sexta): o ministro Floriano de Azevedo Marques revogou a própria liminar. Os votos em Garotinho passaram a ser registrados como “anulados sub judice”. O ministro também cortou o acesso aos fundos eleitoral e partidário, vetou a propaganda e mandou devolver doações não utilizadas. O nome continuou na urna porque o sistema já estava fechado.
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4 de outubro (domingo): o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que os votos de Garotinho fossem considerados no cálculo dos percentuais até decisão colegiada. Com isso, a totalização apontou segundo turno.
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5 de outubro (segunda): Garotinho desistiu do recurso no TSE, em termo assinado por sua defesa, classificando a decisão como livre, consciente e irretratável.
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6 de outubro (terça): a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestou a favor da desistência e defendeu que, de qualquer forma, o resultado deveria ser o mesmo: indeferimento mantido e votos anulados.
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8 de outubro (quinta): o plenário do TSE julgou o caso e anulou os votos por 5 a 2.
O voto do relator
O relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, recusou o pedido de desistência. O TSE tem jurisprudência firme de não permitir que uma parte desista de recurso quando isso interfere diretamente no resultado da eleição. Mas, ao enfrentar o mérito, o ministro concluiu que Garotinho estava com os direitos políticos suspensos e não preenchia as condições de elegibilidade para 2026 — por isso, seus votos não podem ser validados.
O relator também lembrou que Garotinho aceitou disputar a eleição sabendo que seu registro estava indeferido e sob julgamento — situação em que o candidato assume o risco de ter os votos anulados.
A divergência
Os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior acompanharam o relator quanto à rejeição da desistência, mas votaram pela manutenção dos votos de Garotinho no cálculo — entendimento que levaria Ruas e Paes ao segundo turno. Ficaram vencidos.
A disputa sobre a inelegibilidade
O centro jurídico do caso é a contagem do prazo de suspensão dos direitos políticos, fixado em oito anos. A defesa de Garotinho sustentava que o prazo começou em 2018 e já havia terminado antes da eleição. O TRE-RJ, porém, adotou como marco o trânsito em julgado da condenação, ocorrido em 2025 — o que manteria o ex-governador impedido de concorrer até 2033. O TSE manteve esse entendimento.
“Tapetão”: a reação de Paes
A reviravolta virou guerra política. Eduardo Paes acusou Garotinho de ter montado uma manobra combinada com Douglas Ruas para que o candidato do PL vencesse “no tapetão”, impedindo o segundo turno. O ex-prefeito do Rio também apontou ligações entre Garotinho, Ruas e o PL. Sua coligação chegou a pedir ao TSE que rejeitasse a desistência e mantivesse os votos do ex-governador.
A ironia do caso é que, antes da eleição, era a própria coligação de Paes quem cobrava pressa do TSE para tirar Garotinho da disputa — na época, as pesquisas indicavam que Paes seria o maior beneficiado. Quando Ruas terminou a apuração colado nos 50%, a exclusão dos votos passou a favorecer o adversário.
Garotinho, por sua vez, disse ter renunciado aos votos para que o eleitor fluminense arcasse com as consequências de suas escolhas, e atacou as instituições do estado, que, segundo ele, teriam sido capturadas pelo crime e pela corrupção. No dia da eleição, ele havia chamado Paes e Ruas de “bandidos” e declarado voto em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente.
O parecer da Procuradoria também gerou polêmica: veículos de imprensa apontaram que o nome de um advogado de Garotinho apareceu no documento. A PGE atribuiu o fato a um trecho copiado da petição e criticou a cobertura.
Quem é Douglas Ruas
Douglas Ruas dos Santos tem 37 anos e nasceu em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Começou na administração municipal da cidade, foi eleito deputado estadual em 2022 com 175.977 votos e chegou à presidência da Alerj. Na campanha, contou com o apoio de Flávio Bolsonaro. Nas pesquisas, aparecia em segundo lugar, atrás de Paes — e terminou o primeiro turno na frente.
Os próximos passos
Com a decisão do TSE, o processo volta ao TRE-RJ, que deve fazer a retotalização dos votos e proclamar oficialmente o resultado. Só então Ruas será formalmente declarado governador eleito, com a posterior diplomação. Em tese, ainda cabem recursos contra o acórdão do TSE, mas a tendência é que o segundo turno de 25 de outubro não ocorra no Rio de Janeiro.
O Jornal25News continuará acompanhando o caso.
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