Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 21 de junho de 2026.
Se você racha o bico de segunda a sábado trabalhando duro, roda a quadra três vezes cansado para achar uma vaga e estacionar o carro para ganhar o sustento, prepare-se para mais uma novidade nas calçadas paulistanas.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, sancionou nesta quinta-feira, 18 de junho, a lei que cria o Programa Vagas Verdes. A medida autoriza a prefeitura a eliminar vagas de estacionamento nas ruas — inclusive as de Zona Azul — para instalar pequenos canteiros de plantas, árvores de pequeno porte e até bancos de convivência.
No papel, a ideia de reduzir o calor e deixar a cidade cinza mais permeável parece maravilhosa. Mas, na prática da nossa periferia e do centro, o cidadão de bem já se pergunta: quem é que vai cuidar desse jardim?
A ENGRENAGEM DA LEI: A engrenagem do projeto, aprovado em segundo turno pela Câmara Municipal no final de abril, e agora promulgado como a Lei Municipal nº 18.504/2026, prevê que parte das guias de calçadas destinadas aos carros, seja convertida em áreas de terra vegetada com espécies nativas. Segundo o texto da nova lei, os moradores poderão, de forma voluntária, solicitar a implantação dessas “Vagas Verdes” nas suas quadras e ajudar no monitoramento visual dos espaços.
O objetivo técnico é facilitar o escoamento da água da chuva diretamente para o solo, aliviando os bueiros e combatendo os alagamentos crônicos que travam São Paulo. No entanto, a lei deixa brechas sobre como essa engenharia de drenagem, será mantida limpa para não virar criadouro de mosquito da dengue ou ponto de acúmulo de entulho levado pela enxurrada.
O BURACO DA MANUTENÇÃO: É aqui que a porca torce o rabo. A prefeitura de São Paulo mal consegue dar conta do básico. Quem mora na capital sabe o calvário que é pedir a poda de uma árvore velha pelo canal 156, esperando meses por um serviço que muitas vezes só acontece quando a árvore cai por cima dos fios ou esmaga o carro de um trabalhador.
Se o município não consegue cuidar do verde que já existe nas calçadas, como vai gerenciar milhares de novos minijardins nas pistas de rolamento? A lei sancionada indica que a manutenção dessas áreas poderá ser feita por meio de “convênios com entidades parceiras” e termos de cooperação.
Na prática, isso abre as portas para a terceirização ou, o que é mais provável, para que a responsabilidade e o trabalho físico de regar, podar e limpar, fiquem nas costas do próprio morador ou do dono do comércio que fica bem em frente ao canteiro.

Se ninguém “adotar” formalmente o espaço, o risco é termos vagas de estacionamento úteis virando poços de terra seca e mato alto abandonados pelo poder público.
DADOS OFICIAIS:
- Identificação da Lei: Lei Municipal nº 18.504, sancionada em 18 de junho de 2026 pelo prefeito Ricardo Nunes.
- Proposta de Estrutura: Conversão de vagas de carros (mesmo de Zona Azul) em canteiros com largura equivalente à de um carro, permitindo instalação de paraciclos e bancos.
- Manutenção e Parcerias: O texto prevê convênios com entidades parceiras, e colaboração direta dos moradores locais para conservação e zelo das espécies plantadas.
- Impacto na Cidade: A meta inicial é priorizar áreas ambientalmente vulneráveis, mas especialistas cobram um plano rígido, para impedir que o acúmulo de lixo urbano entupa as saídas de escoamento desses canteiros.
O RIGOR DA COBRANÇA: Zeladoria urbana, não pode ser transferida para as costas do contribuinte que já paga um IPTU caríssimo e taxas abusivas. O paulistano quer, sim, uma cidade mais verde, limpa e fresca, mas exige que a prefeitura assuma a responsabilidade de governar e cuidar do espaço que é público.
Sancionar projetos bonitos para fazer propaganda de “cidade ecológica” e depois lavar as mãos, deixando que o canteiro vire depósito de lixo por falta de equipe técnica ou empurrando o rastelo e a mangueira para o trabalhador cuidar na sua folga de domingo, é um desrespeito.
A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, precisa desenhar uma regulamentação séria, com equipes próprias e contratos transparentes de manutenção. São Paulo quer calçadas arborizadas, mas exige, acima de tudo, ordem, seriedade e respeito com quem produz.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a prefeitura de São Paulo, deveria arcar integralmente com a manutenção e a rega dos novos canteiros do programa Vagas Verdes, ou é justo exigir que os moradores e comerciantes adotantes façam a manutenção do espaço público em frente às suas propriedades?
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