Editorial Mário Marcovicchio-
Blindagem de Ofício: A justiça que Escolhe o que Não Quer Ver
Entre o corte de privilégios alheios e a proteção aos seus pares, o STF de Gilmar Mendes edita a verdade e condena o Brasil ao escuro das decisões monocráticas.
Centro Histórico da Cidade de SP, 28 de fevereiro de 2026

Editorial Mário Marcovicchio
Blindagem de Ofício: A Justiça que Escolhe o que Não Quer Ver
Entre o corte de privilégios alheios e a proteção aos seus pares, o STF de Gilmar Mendes edita a verdade e condena o Brasil ao escuro das decisões monocráticas.
Centro Histórico de São Paulo, 28 de fevereiro de 2026
O brasileiro acorda cedo, paga imposto, enfrenta fila, trabalha duro… e espera uma coisa simples do seu país: justiça igual para todos. Mas o que acontece quando a Justiça parece agir diferente dependendo de quem está sendo investigado?
Na Grécia Antiga, a deusa Têmis representava a justiça com os olhos abertos. Para decidir, ela precisava enxergar os fatos. Justiça que não vê a verdade não é justiça — é conveniência.
Nos últimos dias, uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, anulou a quebra de sigilo envolvendo a empresa Maridt Participações — ligada à família do ministro Dias Toffoli — e determinou a inutilização de dados que haviam sido enviados à investigação parlamentar. O STF exerceu seu poder constitucional? Sim. Mas a pergunta que ecoa nas ruas é simples: Por que impedir que se investigue?
O Senado queria apurar. A sociedade queria transparência. E, de repente, tudo para. Nos últimos anos, o Supremo deixou de ocupar apenas as páginas jurídicas e passou a dominar as manchetes policiais em todo o país. A Corte que deveria ser árbitro virou centro do debate, alvo de questionamento. A instituição que deveria representar o equilíbrio passou a ser contestada por todas as camadas da população.
Decisões individuais que alteram investigações, embates entre Poderes, tensão constante — tudo isso colocou o STF no epicentro da polarização nacional, das redes sociais às rodas de bar. E isso é gravíssimo. O povo brasileiro aguenta crise. Aguenta inflação. Aguenta dificuldade. O que o povo não aguenta é imoralidade pública. Não aguenta cinismo. Não aguenta pouco caso. Não aguenta farsa.
Não podemos aceitar que Ministros da Suprema Corte usem seus poderes para se blindarem, como se estivessem num patamar maior que qualquer cidadão. A Constituição de 1988 foi escrita para ser cumprida; nela, ninguém está acima da lei. Se a lei vale para o trabalhador comum, tem que valer para o ministro. No Brasil não existe casta, existem brasileiros.
Nenhum poder é absoluto. Nenhum cargo é eterno. O que vemos hoje é o próprio desgoverno institucional. Cadê a Separação de Poderes cravada na Carta Magna? Não podemos fechar os olhos. Onde a justiça decide não enxergar, o cidadão deve ser o olhar que fiscaliza.
Temos que exigir justiça. A de verdade.

















































