O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) aprovou nesta terça-feira (17/02) o aumento da alíquota de importação para 1.237 NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul), em medida que o governo classifica como “proteção estratégica da indústria nacional” e a oposição chama de “muro tarifário retrógrado”. As novas taxas — que variam de 10% a 35% — atingem principalmente máquinas, equipamentos industriais, componentes eletrônicos, bens de capital e itens de alta tecnologia, muitos dos quais hoje entram com alíquota zero ou muito baixa.
Principais produtos e setores impactados

- Máquinas e equipamentos industriais (alíquota média passa de 0–2% para 14–20%):
- Máquinas-ferramenta CNC
- Equipamentos de automação industrial
- Robôs industriais e linhas de montagem automatizadas
- Compressores, bombas e válvulas de alta precisão
- Componentes eletrônicos e semicondutores (de 0–4% para 18–25%):
- Placas-mãe, processadores, memórias RAM e SSDs
- Componentes para servidores e data centers
- Chips de potência para veículos elétricos e energias renováveis
- Bens de consumo duráveis de tecnologia (de 0–10% para 20–35%):
- Smartphones, notebooks e tablets (exceto os já taxados em 16–20%)
- Monitores, impressoras 3D e equipamentos de realidade virtual/aumentada
- Drones profissionais e componentes de IoT industrial
- Outros itens sensíveis:
- Painéis solares e inversores (de 0% para 12–18%)
- Baterias de íon-lítio para veículos elétricos e armazenamento (de 0–2% para 20%)
- Equipamentos médicos de alta tecnologia (ressonância, tomografia, ventiladores) – aumento moderado de 10–15%
Justificativa oficial do governo (comunicado Gecex-Camex)
- Reduzir a dependência externa de US$ 75 bilhões anuais em bens de capital e tecnologia (déficit comercial de manufaturados de alta tecnologia em 2025).
- Proteger a reindustrialização promovida pelo Nova Indústria Brasil (NIB).
- Estimular investimentos em fábricas nacionais (ex.: semicondutores em Manaus, baterias em MG/SP, robótica em SC/RS).
- Compensar a desoneração da folha que será retomada em 2027 (perda fiscal estimada em R$ 35 bilhões/ano).
Críticas e impactos projetados

- Indústria nacional: FIESP, CNI e Abinee apoiam, mas alertam que o aumento pode elevar custos de produção em 12–18% nos setores que ainda dependem de importação de insumos.
- Setor de tecnologia e inovação: startups e empresas de TI alertam para aumento de custo de servidores, nuvem e equipamentos de desenvolvimento — o que pode atrasar projetos de IA, agritech e indústria 4.0.
- Consumidores: projeção da CNC (Confederação Nacional do Comércio): alta de 8–15% no preço final de eletrônicos, eletrodomésticos inteligentes e bens duráveis de tecnologia.
- Oposição: PT e PSOL chamam a medida de “protecionismo cego” que beneficia “oligopólios nacionais” e prejudica o consumidor. Pedem CPI da Camex na Câmara.
- Empresas estrangeiras: Apple, Samsung, Intel e TSMC já sinalizam revisão de planos de expansão no Brasil, alegando “incerteza regulatória”.
O “muro tarifário” de 2026 é a maior elevação generalizada de alíquotas de importação desde o Plano Real. O governo aposta que o choque protecionista vai forçar investimentos industriais internos e reduzir o déficit comercial de manufaturados em até 30% até 2030. A oposição e parte do mercado temem inflação de custo, atraso tecnológico e retaliação comercial de parceiros como China, Coreia do Sul e União Europeia.
O Jornal 25News acompanhará os efeitos reais nos preços ao consumidor, nos investimentos estrangeiros e na balança comercial nos próximos meses. Porque, em 2026, o Brasil está escolhendo pagar mais caro hoje para tentar produzir mais amanhã — e o preço dessa aposta será sentido na conta de luz, no celular novo e na geladeira inteligente de milhões de brasileiros.
Apoio Institucional
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
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