Trump ataca, mas 25 de Março resiste: o Brasil real não se dobra
Presidente dos EUA chama a 25 de Março de polo da pirataria mundial. Prefeitura de São Paulo rebate. Liderança histórica da região, Mário Marcovicchio, responde com indignação. E a realidade da pirataria revela um problema muito maior do que Trump imagina.
Redação Jornal25News-Independente
Centro de SP,17.07.25

Na coletiva que deu em Washington nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez mais do que um discurso de efeito. Ele mirou diretamente a Rua 25 de Março, o coração do comércio popular brasileiro, ao acusá-la de ser “um dos maiores polos de pirataria do mundo” e prometer sanções contra o Brasil.
“A pirataria destrói empregos e a 25 de Março é símbolo disso no Hemisfério Sul. Vamos impor sanções comerciais se o Brasil não agir”, declarou Trump.
“Produtos falsificados, transações obscuras com Pix e empresas de fachada estão abastecendo uma economia paralela.”
A resposta veio firme. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), se manifestou na manhã desta quinta-feira (17), em entrevista à TV Globo:
“A 25 de Março é um centro comercial importante, onde temos uma grande maioria de comerciantes legalizados. Não se pode generalizar e dizer que toda a atividade ali é ilegal. Isso é um erro e uma injustiça com milhares de trabalhadores.”
Nunes destacou que a prefeitura atua com fiscalização constante, em parceria com a Polícia Civil e a Receita Federal:
“O que existe de irregularidade é combatido, mas o comércio popular, por si só, não é ilegal. Temos que diferenciar trabalhadores honestos de atividades criminosas. Muitos dos comerciantes são microempreendedores e imigrantes que encontraram ali uma forma digna de sustento. Não se pode criminalizar a pobreza ou o empreendedorismo de base.”
A voz da experiência: Mário Marcovicchio defende a 25 e denuncia a realidade da pirataria global
Já o advogado e ex-presidente do Conseg da 25 de Março e da Sé, Dr. Mário Marcovicchio, que conhece cada esquina da região há mais de 50 anos, falou com a autoridade de quem viveu a história e vê além dos discursos prontos.
“O presidente Trump talvez nunca tenha caminhado por uma rua como a 25 de Março. Falar de fora, olhando gráficos e planilhas, é fácil. Difícil é entender o que pulsa aqui dentro: suor, luta, trabalho honesto. A 25 não é só comércio — é resistência, é diversidade, é um Brasil que dá certo apesar das dificuldades.”
“Aqui, lado a lado, trabalham libaneses, chineses, árabes, judeus, italianos, coreanos, japoneses, bolivianos, russos, paquistaneses, indianos, sírios… Um mosaico humano que construiu, ao longo de décadas, um território de paz e convivência. O maior shopping popular a céu aberto das Américas. E, mesmo com milhares de pessoas passando todos os dias, é a harmonia que reina. Porque ali, há muito tempo, foi fincada a bandeira da paz, da união e do respeito.”
Mas Marcovicchio também foi enfático sobre o problema da pirataria — e fez questão de esclarecer que a 25 de Março não é a origem, mas muitas vezes a vítima de um sistema global desestruturado:
“O que chamam de ‘ameaça comercial’ é, na verdade, uma chaga mundial. A pirataria está em mais de 95% dos países e movimenta mais de 1 trilhão de dólares por ano. No Brasil, afeta a saúde, a economia, a justiça. Já vimos brinquedos feitos com lixo hospitalar, medicamentos falsificados que matam, e milhões de empregos que deixam de ser criados por causa disso.”
Segundo ele, a pirataria não cresce por acaso:
“Ela cresce porque o sistema permite. Temos fronteiras frágeis, 35% da população na informalidade, fiscalização precária, uma Receita Federal sem estrutura, e leis ultrapassadas, mal aplicadas. Enquanto isso, quem está na ponta — o pequeno vendedor — vira alvo, quando na verdade é só mais uma peça nesse tabuleiro gigante.”
Para Marcovicchio, combater a pirataria exige coragem institucional e ação coordenada, em quatro frentes que precisam andar juntas:
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Combate à corrupção – “Não adianta nada prender camelô se há corrupção na União, no Estado e no Município.”
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Repressão eficaz – “A polícia trabalha todos os dias, mas é como enxugar gelo se não houver apoio político e estrutural.”
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Educação e conscientização – “O consumidor também precisa entender os riscos e impactos de comprar produto falsificado.”
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Ação econômica inteligente – “Reduzir impostos, incentivar a formalização e criar condições reais para competir com o mercado ilegal.”
“Todos os dias há operações, prisões e apreensões. Mas sabe por que não resolve? Porque a pirataria não nasce aqui. Ela vem de fora, é organizada, internacional. A 25 de Março é só o reflexo. E quem não entende isso, vai continuar combatendo o efeito, sem tocar na causa.”
Final : o Brasil que resiste
A 25 de Março não é um problema. É um reflexo. Reflexo de um país que trabalha muito e recebe pouco. De uma cidade que aprendeu a se virar quando o Estado virou as costas. De uma gente que constrói todos os dias, com suor e sacrifício, a economia que funciona apesar do sistema.
O que Trump vê como ameaça, o Brasil conhece como esperança. A 25 não se resume a camelôs e mercadorias. Ela carrega histórias de luta, superação, imigração e sonho. É símbolo da sobrevivência num país desigual.
E, diante das ameaças de sanções, o povo da 25 de Março responde como sempre respondeu: trabalhando e convivendo em PAZ.
Fontes:
- G1 São Paulo: Nunes diz que comércio da 25 de Março não pode ser considerado ilegal
- CNN Internacional – Coletiva de Trump
- Reuters / Associated Press
- Entrevista exclusiva com Mário Marcovicchio,ítalo-brasileiro, ex presidente do Conseg com 4 mandatos, Diretor do Sindicato de Tecidos e Armarinhos do Estado de São Paulo.
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