Editorial:
Moro em um pais tropical abençoado por Deus e bonito por natureza
Por Mário Marcovicchio

Cidadania
O Brasil está à deriva. Perdemos o rumo. Há muito tempo não temos um projeto de país — apenas projetos de poder. Revezam-se líderes, trocam-se os nomes, mas o jogo permanece o mesmo: discursos inflamados, promessas vazias e decisões tomadas com o olhar preso no próximo mandato, nunca no futuro de nossas crianças.
De um lado, Lula perdeu a chance de liderar um novo ciclo com coragem e clareza. De outro, Bolsonaro falhou em transformar sua força política em algo construtivo e democrático. Ambos, à sua maneira, contribuíram para a estagnação e o cansaço de um povo que já não aguenta mais ser enganado. Mas a verdade nua e crua é que o fracasso não é apenas deles. É o nosso também.
Sim, o Brasil está falhando — e nós com ele. E isso não é fácil de admitir. Mas é necessário.
Somos um povo que aprendeu a sobreviver no improviso. Como dizem os camelôs da 25 de Março e do Brás: “Vendemos hoje para comer hoje. Amanhã só Deus sabe.” Isso não é apenas uma frase de desabafo. É um retrato do nosso estado de espírito: uma nação vivendo o agora, sem planejamento, sem visão, sem ponte com o amanhã.
Estamos cansados. Cansados de governos que não nos escutam. Cansados de salvadores da pátria que nunca entregam o que prometem. Cansados de acreditar que um nome novo, ou um velho nome reciclado, vai resolver os problemas de um país inteiro.
Mas não é apenas a classe política que está em falência. Somos todos cúmplices, todos omissos, todos ausentes. Ficamos confortáveis demais em culpar o Congresso, o STF, o partido A ou B. Mas e nós? Onde está nossa indignação ativa? Onde está nossa presença nas decisões locais? Onde está o nosso orgulho de construir este país com as próprias mãos?
A nossa apatia tem preço. E quem paga é o Brasil.
E como se já não bastassem as crises internas, agora enfrentamos a zombaria externa. Donald Trump, ele mesmo afogado em problemas dentro de seu próprio país, decidiu opinar sobre a Justiça brasileira, tentando influenciar decisões soberanas como se o Brasil fosse um satélite obediente dos EUA. E não bastando isso, quer agora impor tarifas de até 50% aos nossos produtos — tratando-nos como se fôssemos colônia. Isso é inaceitável.
Até quando vamos aceitar ser tratados como uma nação de segunda classe? Até quando vamos abaixar a cabeça enquanto nossa soberania é pisoteada?
Somos um país de dimensões continentais, uma terra abençoada por Deus e bonita por natureza, como canta a nossa música. Somos um povo cristão, sim, mas também um povo que carrega fé, força e dignidade. E isso precisa se refletir nas nossas ações — e nas nossas reações.
Este país não pode continuar refém de velhas promessas, de líderes falidos, de projetos que não saem do papel. O Brasil merece mais. E nós, brasileiros, precisamos exigir mais.
Está na hora de despertar. Está na hora de retomar nosso orgulho. Não um orgulho cego, baseado em símbolos vazios. Mas um orgulho verdadeiro, que vem da vontade de transformar. De participar. De agir.
Precisamos de novas pontes. Pontes com o futuro, com a justiça, com a educação, com o desenvolvimento, com a soberania. E essas pontes não se constroem com discursos, mas com coragem, com verdade, com participação de cada cidadão.
O fracasso de Lula, o fracasso de Bolsonaro… são apenas espelhos do nosso próprio fracasso como sociedade. Mas ainda há tempo. Se aceitarmos nossa responsabilidade, se nos recusarmos a calar, podemos reescrever a história.
Porque ser brasileiro é mais do que portar um CPF ou torcer por uma seleção. É acreditar, todos os dias, que este país pode — e deve — ser muito mais do que tem sido.
E isso começa agora com nós, eu e você.
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