Petistas e Bolsonaristas Empatam Pela Primeira Vez, Aponta Datafolha
Levantamento mostra que 35% dos brasileiros se identificam com o PT de Lula e 35% com o bolsonarismo; polarização política atinge ponto máximo desde 2022
Centro de SP, quarta-feira, 18 de junho 26

Mario Marcovicchio-Editor

Pela primeira vez desde o início da série histórica do Datafolha, em dezembro de 2022, a proporção de brasileiros que se identificam com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alcançou a dos que se consideram próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ambos os grupos somam agora 35% da população.
O dado representa um marco no cenário político nacional, com a polarização atingindo o seu ponto mais equilibrado desde as eleições presidenciais de 2022. Em abril deste ano, o apoio ao PT era de 39%, enquanto o apoio a Bolsonaro estava em 31%. A queda no número de petistas e a alta entre bolsonaristas criaram, agora, um empate técnico.
A pesquisa foi feita com base em uma escala de identificação política de 1 a 5. Os que responderam “1” ou “2” foram classificados como bolsonaristas; já os que responderam “4” ou “5” foram considerados petistas. A resposta “3” indica neutralidade. Essa metodologia vem sendo aplicada pelo Datafolha em nove rodadas de pesquisa desde 2022.
Segundo o instituto, 20% dos entrevistados se consideram neutros, 7% afirmam não se identificar com nenhum dos dois lados, e 2% não souberam responder. Esses números se mantêm estáveis desde o início da série.
Diferenças regionais e sociais
O levantamento mostra que a identificação com Lula é mais forte no Nordeste, onde 54% se declaram petistas. Já o bolsonarismo lidera no Sul, com 41% de apoio. Entre os evangélicos, Bolsonaro tem vantagem: 44% se dizem bolsonaristas. Entre católicos, Lula lidera com 45%.
Do ponto de vista econômico, o petismo é mais presente entre os mais pobres: 50% dos que ganham até dois salários mínimos se identificam com o partido. Já entre os mais ricos — aqueles com renda superior a dez salários mínimos —, 40% se dizem bolsonaristas.
Repercussão nas redes sociais
A divulgação dos dados gerou ampla repercussão nas redes. A hashtag #BrasilDividido ficou entre os assuntos mais comentados do X (antigo Twitter), com usuários destacando a persistência da polarização política e a ausência de um campo alternativo com força popular relevante.
Nas redes ligadas à direita, influenciadores celebraram o crescimento do bolsonarismo e afirmaram que o movimento segue forte mesmo fora do poder. Já perfis ligados à esquerda alertaram para a perda de apoio do governo Lula em setores populares e pediram mudanças na condução política e econômica do governo.
Fontes:
Datafolha, Folha de S.Paulo, Poder360, UOL Notícias, Estado de Minas, Correio Braziliense.
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