PUC-SP suspende alunos por discriminação em torneio universitário e caso vira investigação criminal
Faculdade pune estudantes por ofensas em competição esportiva, e mercado jurídico reage com demissões
Centro de SP, 06.06.25
A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) anunciou a suspensão de quatro estudantes de Direito por 30 dias após um episódio de discriminação contra alunos da Universidade de São Paulo (USP). O caso ocorreu em novembro de 2024, durante os Jogos Jurídicos, um torneio esportivo entre faculdades de Direito. Segundo testemunhas e vídeos que circularam nas redes sociais, os estudantes da PUC-SP gritaram “cotista” e “pobre” para ofender alunos da USP durante uma partida de handebol, realizada na cidade de Americana (SP). Além dos insultos verbais, os envolvidos fizeram gestos de contagem de dinheiro para provocar a torcida adversária.
A decisão foi formalizada pelo reitor Vidal Serrano Nunes Júnior na última quarta-feira (4), e a punição começará a valer a partir de 1º de agosto de 2025, com o início do segundo semestre letivo. Durante esse período, os alunos não poderão frequentar aulas nem comparecer ao campus.

Reação institucional e exigências após a suspensão
Além da suspensão, a PUC-SP imporá obrigações adicionais aos alunos punidos. Após o término da suspensão, eles deverão participar de cursos sobre discriminação e direitos humanos por um ano. Essas atividades podem ser realizadas em disciplinas da própria universidade ou em instituições externas reconhecidas. Os estudantes deverão comprovar participação entregando documentos semestrais ao Gabinete da Reitoria.
A universidade também determinou a criação, dentro de 60 dias, de um código de conduta para eventos esportivos, visando prevenir comportamentos discriminatórios em competições universitárias.
Investigação interna e depoimentos dos envolvidos
A decisão da PUC-SP foi embasada em um relatório elaborado pelo Núcleo de Mediação e Justiça Restaurativa, responsável pela investigação interna. O núcleo conduziu oitivas com os envolvidos e analisou registros do ocorrido.
Nos depoimentos, os alunos acusados negaram ter praticado racismo ou aporofobia, alegando que reagiram a provocações da torcida adversária. No entanto, as imagens registradas no local mostraram os insultos e gestos feitos pelos estudantes.
Investigação criminal e impacto no mercado jurídico
Além da punição acadêmica, a Polícia Civil está investigando o caso como injúria racial, crime passível de pena de 2 a 5 anos de prisão. Segundo o Advogado criminalista Mário Marcovicchio os envolvidos podem responder tanto na esfera criminal, quanto em processos cíveis por dano moral movidos pelos alunos ofendidos.
A repercussão do episódio também atingiu o mercado de trabalho dos estudantes punidos. Pelo menos dois deles foram demitidos de escritórios de advocacia onde trabalhavam. O outro grande escritório, informou que está apurando o caso antes de tomar uma decisão.
Um dos estudantes mencionados no episódio não foi incluído na decisão disciplinar da PUC-SP, pois já havia concluído o curso e não possuía mais vínculo com a universidade.
Reação política e medidas futuras
O caso provocou forte repercussão, levando deputadas a acionarem o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), exigindo providências e classificando o episódio como racismo e aporofobia.
A PUC-SP, por sua vez, reafirmou seu compromisso com a inclusão social e racial, ressaltando programas de bolsas e ações afirmativas. A USP, alvo dos ataques, também se manifestou, reforçando seus programas de cotas e medidas voltadas à diversidade e equidade no ensino superior.
A punição aplicada pela PUC-SP representa um marco na luta contra discriminação no ambiente acadêmico e indica um alerta para universidades e empresas, que estão cada vez mais rigorosas diante de manifestações preconceituosas.























































