Prefeitura lança campanha com alerta sobre riscos do uso de mototáxis na cidade de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo lançou uma campanha para reforçar os alertas com relação aos riscos do uso de mototáxis na capital. Maior cidade do Brasil, com um volume de tráfego intenso e os mais variados tamanhos e categorias de veículos, além de sua infraestrutura urbana complexa, São Paulo está travando uma batalha contra as mortes no trânsito, sobretudo as de usuários de motocicleta, grupo que mais teve alta de mortes em 2024. Foram 483, o maior da história, 20% superior a 2023, que teve 403 óbitos.
Na campanha, a Prefeitura ressalta que a vida está em primeiro lugar e, por isso, já implantou 215 km da Faixa Azul, sinalização preferencial para motos que está sendo ampliada em toda a cidade.
Veja a campanha aqui:
Por essa razão, a Justiça determinou no dia 27 a suspensão imediata do serviço de mototáxi na cidade até o julgamento definitivo da ação movida pela Prefeitura contra as tentativas das empresas Uber e 99 de desrespeitar a legislação municipal e outras decisões da Justiça ao exercer essa atividade de forma irregular e irresponsável na cidade.
Dessa forma, de acordo com a decisão da 7ª Câmara de Direito Público, o Decreto nº 62.144/2023, que proíbe o transporte remunerado de passageiros por motocicletas na cidade de São Paulo, continua em vigor.
A Prefeitura de baseou em evidências de mortes e sinistros, além de critérios técnicos previstos nas leis 15.676/2012 e 16.344/2016, nas regras previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), na Lei 12.009/2009 e nas resoluções do CONTRAN. Além disso, o Art. 11-A da Política Nacional de Mobilidade Urbana estabelece que compete exclusivamente aos municípios regulamentar e fiscalizar o serviço de transporte remunerado privado individual de passageiros.
Em 2023, a Prefeitura criou um Grupo de Trabalho para analisar a possibilidade de utilização de motocicletas no transporte individual de passageiros, concluindo que a implantação desse modal causaria um grande risco para a saúde pública, envolvendo a integridade de condutores e usuários, com potencial aumento no risco de acidentes. Foram ouvidos especialistas da CET, Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Corpo de Bombeiros, SPTrans, Abraciclo e representantes das empresas de aplicativos, incluindo a 99 e a Uber, entre outros, que apresentaram elementos para elaboração do parecer.
O estudo do grupo aponta, ainda, que o transporte de passageiros por motocicletas “não se mostra aderente aos elementos de segurança viária em face da realidade da cidade de São Paulo”, considerando os dados de saúde pública e o potencial aumento do risco com a ampliação do número de pessoas em motos circulando no viário. Especialistas também consideram um risco o fato de passageiros diversos utilizarem o condutor como seu apoio na motocicleta, o que altera o ponto de equilíbrio do condutor a cada viagem, gerando perigo de acidentes.
O crescimento de sinistros e mortes é proporcional ao da frota, que teve um salto de 35% nos últimos dez anos, passando de 833 mil em 2014 para 1,3 milhão em 2024. Os casos de sinistros envolvendo motocicletas refletem em sobrecarga no sistema público de saúde, mais custos e prejuízo incalculável com vidas perdidas ou casos de invalidez de jovens. Anualmente, o município gasta cerca de R$ 35 milhões com cuidados de pacientes vítimas de acidente de moto na cidade.
O Outro lado
Os mototáxis, representados por várias associações e trabalhadores independentes, têm alguns argumentos a favor de sua regulamentação e operação em São Paulo:
1. **Mobilidade e Rapidez**: Argumentam que os mototáxis proporcionam um meio de transporte ágil e eficiente, especialmente em uma cidade com trânsito intenso como São Paulo. Isso permite que os passageiros cheguem mais rápido ao seu destino, economizando tempo.
2. **Inclusão e Oportunidade Econômica**: Defendem que a atividade de mototáxi gera empregos e renda para milhares de pessoas, muitas das quais dependem desse trabalho para sustentar suas famílias. A regulamentação poderia aumentar a segurança e as condições de trabalho desses profissionais.
3. **Demanda Popular**: Afirmam que há uma demanda significativa por esse serviço, que atende principalmente pessoas em regiões periféricas onde o transporte público é menos eficiente ou inexistente. Os mototáxis oferecem uma alternativa acessível para a população.
4. **Redução de Veículos**: Sugerem que o uso de mototáxis pode ajudar a reduzir o número de carros nas ruas, diminuindo assim os congestionamentos e a poluição.
5. **Flexibilidade**: Destacam que mototáxis podem oferecer uma flexibilidade de horários e rotas que outros meios de transporte, como ônibus e metrô, não conseguem proporcionar.
Esses são alguns dos principais pontos defendidos pelos mototaxistas na discussão sobre a regulamentação e uso desse serviço na cidade.
Contexto
A Prefeitura de São Paulo lançou uma campanha para reforçar os alertas sobre os riscos do uso de mototáxis na capital. Em uma cidade com tráfego intenso e uma infraestrutura urbana complexa, São Paulo está enfrentando um aumento nas mortes no trânsito, especialmente entre motociclistas. Em 2024, foram registradas 483 mortes, um aumento de 20% em relação aos 403 óbitos de 2023.
Campanha da Prefeitura
A campanha da Prefeitura destaca que a vida está em primeiro lugar e informa que já foram implantados 215 km da Faixa Azul, uma sinalização preferencial para motos que está sendo ampliada pela cidade.
Linha do Tempo dos Acontecimentos Jurídicos
- Janeiro de 2025
- A Justiça decidiu manter a proibição do serviço de mototáxi em São Paulo. A decisão judicial confirmou a posição da Prefeitura, que busca barrar a atividade de mototáxis na cidade.
- Ações Judiciais em Trâmite
- Ação Civil Pública: A Prefeitura entrou com uma ação civil pública contra as empresas de transporte por aplicativo, como Uber e 99, para tentar barrar a atividade de mototáxis na cidade. A decisão judicial atual mantém a proibição do serviço de mototáxi.
- Ação Criminal: O prefeito Ricardo Nunes também apresentou uma notícia-crime contra a 99 e a Uber, solicitando que as medidas tomadas contra a 99 sejam estendidas à Uber. A prefeitura argumenta que a regulamentação municipal está respaldada em leis federais e resoluções do CONTRAN.
- Situação Atual
- A Prefeitura continua a fiscalizar e aplicar multas a motociclistas que operam mototáxis. Enquanto isso, as empresas de aplicativos e os mototaxistas pressionam pela regulamentação e legalização do serviço.





















































