O filme “Ainda Estou Aqui”, foi indicado a três categorias do Oscar 2025: Melhor Filme Internacional, Melhor Filme, e Melhor Atriz
Essa é a primeira vez que um filme brasileiro é indicado na categoria de Melhor Filme, o que é um marco histórico
24.01.25






Por Mário Constantino Marcovicchio
O Filme “Ainda Estou Aqui” no Oscar
O filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, foi indicado a três categorias do Oscar 2025: Melhor Filme Internacional, Melhor Filme, e Melhor Atriz para Fernanda Torres.
Essa é a primeira vez que um filme brasileiro é indicado na categoria de Melhor Filme, o que é um marco histórico. A indicação de Fernanda Torres também é especial porque sua mãe, Fernanda Montenegro, foi indicada ao Oscar em 1999 por “Central do Brasil”.
O Filme
O filme aborda a ditadura militar brasileira e a transformação de uma mãe de cinco filhos em uma ativista dos direitos humanos após o assassinato de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva.
Sinopse: “Ainda Estou Aqui” é um drama histórico que retrata a vida de Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres. O filme se passa durante a ditadura militar brasileira, um período conturbado e sombrio na história do Brasil.
Início do Filme: A trama começa apresentando a família Paiva, uma família brasileira comum e feliz, composta por Eunice, seu marido Rubens Paiva (interpretado por Selton Mello) e seus cinco filhos. Rubens é um ex-deputado comprometido com a justiça e os direitos humanos.
Ponto de Virada: A tranquilidade da família é destruída quando Rubens é preso pelas forças militares sob acusações falsas. Ele é levado para um centro de detenção onde é torturado e, eventualmente, desaparece. Esse evento traumático abala profundamente Eunice e seus filhos.
Transformação de Eunice: Eunice, inicialmente uma mulher focada em sua família, se vê confrontada com a dura realidade do regime autoritário. Determinada a descobrir o paradeiro de seu marido, ela começa a investigar e se envolve cada vez mais com grupos de direitos humanos.
Ativismo e Luta: Ao longo do filme, vemos Eunice transformando-se em uma ativista incansável. Ela participa de manifestações, trabalha com outros familiares de desaparecidos e luta contra a censura e a opressão do regime. Sua jornada é marcada por momentos de desespero, mas também de coragem e esperança.
Resiliência e Esperança: O filme destaca a resiliência de Eunice ao enfrentar a dor e a adversidade. Mesmo sem respostas claras sobre o destino de Rubens, ela continua sua luta por justiça e verdade. Sua história inspira muitos ao seu redor e se torna um símbolo de resistência.
Desfecho: No fim do filme, embora Eunice nunca descubra exatamente o que aconteceu com Rubens, ela encontra um sentido renovado em seu trabalho de defesa dos direitos humanos. O filme termina com uma mensagem poderosa sobre a importância da memória e da luta contra a injustiça.
“Ainda Estou Aqui” é um retrato emocional e potente de uma mulher que transforma sua dor em força, e é um lembrete da importância de não esquecer os erros do passado para construir um futuro mais justo.
Linha do Tempo: “Ainda Estou Aqui” – O Trajeto Rumo ao Oscar
Início de 2024:
- A produção do filme “Ainda Estou Aqui” começa sob a direção de Walter Salles.
- O filme é inspirado na história de Eunice Paiva, viúva do ex-deputado Rubens Paiva, assassinado durante a ditadura militar brasileira.
Maio de 2024:
- Fernanda Torres é escalada para o papel principal. A atriz é amplamente reconhecida por seu trabalho em “A Mulher Invisível” e “Redentor”.
Julho de 2024:
- Início das filmagens em diversas locações históricas no Brasil, incluindo o Rio de Janeiro e São Paulo.
- O roteiro enfatiza a transformação de Eunice de uma mãe de cinco filhos em uma ativista dos direitos humanos.
Novembro de 2024:
- As filmagens são concluídas. A produção é altamente elogiada pela equipe, destacando-se pela autenticidade e pela profundidade emocional.
Dezembro de 2024:
- “Ainda Estou Aqui” tem sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. O filme é aplaudido de pé e recebe críticas positivas.
Janeiro de 2025:
- O filme é indicado ao Oscar em três categorias: Melhor Filme Internacional, Melhor Filme e Melhor Atriz para Fernanda Torres.
- A indicação marca a primeira vez que um filme brasileiro é indicado a Melhor Filme e destaca a performance poderosa de Fernanda Torres.
Esta linha do tempo traça o percurso do filme “Ainda Estou Aqui” desde a sua produção inicial até as indicações ao Oscar, destacando momentos chave ao longo do caminho. O sucesso do filme é um testemunho do talento e da resiliência do cinema brasileiro.
Depoimentos dos Atores
Aqui estão alguns depoimentos dos atores do filme “Ainda Estou Aqui” sobre a indicação ao Oscar:
Fernanda Torres (Eunice Paiva): “Estou muito emocionada, muito surpresa. Amo o Brasil e estou muito orgulhosa de uma história brasileira fazer sentido no mundo.”
Selton Mello (Rubens Paiva): “Fizemos um filme. Ele nasceu vitorioso por motivos variados: por lembrar o que jamais pode ser esquecido, por comover com uma beleza austera, por encher as salas de cinema de novo, por levar nossa sensibilidade para o mundo, por recuperar nossa autoestima cultural, por abrir tantas portas para outros que virão, por restaurar o amor pelo cinema brasileiro, por ter criado algo emocionalmente poderoso, por alcançar o raro equilíbrio entre estética e ética, por ser sublime em sua justa simplicidade. Muitas camadas nosso país precisava desse filme. O mundo todo precisava desse filme. Nesse exato momento, três indicações ao Oscar. Com a de melhor filme, nós entramos para a história para sempre. Ainda estamos aqui Eunice, Rubens, nós & vocês.”
Antonio Saboia (Marcelo Rubens Paiva): “Ainda Estou Aqui, que trajetória bonita e importante para o nosso cinema! 21 anos depois de Cidade de Deus, um filme brasileiro volta a concorrer ao Oscar! O filme foi indicado em três categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz para Fernanda Torres. É emocionante ver tanta gente, aqui e ao redor do mundo, prestigiando o cinema brasileiro e lotando as salas por onde o filme passa. Alegria e orgulho! Vai, Brasil!”
Dan Stulbach: “Foi um dos filmes mais sinceros e humanos que eu fiz. Celebra a nossa história, a verdade e o Brasil que a gente foi, que a gente é e o que a gente pode ser. O filme furou bolhas. Teve gente que não ia ver o cinema brasileiro, foi. A bolha internacional… gente que não se interessava pelo cinema brasileiro, foi. O filme está sendo visto pelo mundo inteiro. Mas, talvez, a bolha mais importante seja a nossa, a local, do dia a dia, que a gente lida no dia a dia. São as nossas bolhas que precisam ser furadas. Eu acho que o filme questiona e provoca a nossa realidade. Esse é o papel da cultura: provocar, dilacerar, certezas.”
Esses depoimentos mostram a emoção e o orgulho dos atores em relação ao reconhecimento internacional do filme. É realmente um momento especial para o cinema brasileiro.
Depoimento da Família de Rubens Paiva
A filha mais velha de Rubens e Eunice Paiva, Vera Paiva, fez um depoimento emocionante sobre as indicações ao Oscar do filme “Ainda Estou Aqui”. Ela disse que o reconhecimento foi como um “gosto de reparação” para muitos momentos que a família viveu durante a ditadura militar.
Vera, que é professora de psicologia na Universidade de São Paulo (USP), destacou que as indicações ao Oscar são uma homenagem não só ao pai, mas também às milhares de famílias brasileiras que tiveram seus entes queridos perseguidos, torturados e assassinados. Ela mencionou que o filme é uma lembrança importante para todas as famílias que não tiveram a chance de enterrar seus corpos.
Além disso, Vera elogiou a qualidade e o cuidado do filme de Walter Salles, destacando a atuação de Fernanda Torres e toda a produção impecável. Ela também aproveitou a ocasião para criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro, chamando-o de “medíocre”.
Esse depoimento mostra a profundidade do impacto do filme e o significado que ele tem para as famílias das vítimas da ditadura militar.
O impacto da repercussão do filme “Ainda Estou Aqui” para o cinema nacional e para o Brasil
O impacto da repercussão do filme “Ainda Estou Aqui” para o cinema nacional e para o Brasil é significativo e multifacetado:
1. Reconhecimento Internacional: As indicações ao Oscar aumentam a visibilidade do cinema brasileiro no cenário mundial. Isso pode abrir portas para outros filmes e cineastas brasileiros, facilitando a distribuição e o financiamento internacional.
2. Valorização Cultural: O filme destaca a riqueza e a profundidade das histórias brasileiras. Ele celebra a capacidade do cinema nacional de contar histórias poderosas e emocionalmente ressonantes. Isso contribui para a valorização da cultura e da história do Brasil.
3. Revitalização do Setor Cinematográfico: O sucesso de “Ainda Estou Aqui” pode impulsionar o interesse por filmes brasileiros, aumentando o público nas salas de cinema e incentivando investimentos no setor. Isso pode levar a uma produção cinematográfica mais robusta e diversificada.
4. Fortalecimento da Identidade Nacional: A história de resistência e luta contra a injustiça ressoa profundamente com a identidade brasileira. O filme serve como um lembrete da importância da memória histórica e do compromisso com os direitos humanos, fortalecendo a identidade e o orgulho nacional.
5. Impacto Social: O filme aborda temas importantes como a ditadura militar, a violência do Estado e a luta por justiça e direitos humanos. Ele pode fomentar debates e reflexões sobre esses temas, contribuindo para uma maior conscientização e engajamento social.
6. Inspiração para Novos Talentos: Ver um filme brasileiro sendo reconhecido internacionalmente pode inspirar novos talentos a seguirem carreiras no cinema. Isso pode levar ao surgimento de uma nova geração de cineastas, roteiristas e atores.
7. Fortalecimento da Indústria Cinematográfica: O reconhecimento e o sucesso internacional podem atrair investimentos e parcerias para o cinema brasileiro, fortalecendo a indústria cinematográfica local e contribuindo para seu crescimento sustentável.
8. Preservação da História: Filmes como “Ainda Estou Aqui” ajudam a preservar e contar a história do Brasil, especialmente períodos conturbados como a ditadura militar. Isso é essencial para garantir que as gerações futuras conheçam e compreendam a história do país.
Em resumo, a repercussão de “Ainda Estou Aqui” pode gerar um impacto duradouro e positivo para o cinema nacional e para o Brasil como um todo, promovendo reconhecimento, valorização cultural e conscientização social.

















































