Um novo mural de 1.500 metros quadrados, inaugurado na região central de São Paulo, traz um grito visual contra a destruição ambiental no Brasil. A obra, que cobre a lateral de um prédio na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, a poucos metros da Avenida Paulista, exibe a imagem da líder indígena munduruku Alessandra Korap, do Médio Tapajós, segurando uma placa com os dizeres: “Pare a destruição. Keep your promises” (“Pare a destruição, mantenha suas promessas”, em inglês).
O projeto foi idealizado pelo artista e ativista Mundano, conhecido por utilizar materiais que refletem o impacto ambiental, como as tintas produzidas a partir de cinzas das queimadas que devastaram o Brasil em 2024 e da lama das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio deste ano. “Queríamos trazer a figura de uma ativista viva, como Alessandra, para representar a voz de milhões de pessoas afetadas por eventos climáticos extremos, como secas, enchentes, ondas de calor”, diz Mundano.
O mural, intitulado “Pare a destruição”, denuncia também o avanço do desmatamento em áreas de floresta nativa para expansão agrícola, impulsionado por grandes empresas do setor. “A Cargill, maior empresa do agronegócio no Brasil, gera essa demanda para atender mercados como China e Europa, o que resulta na destruição contínua de biomas como Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal”, explica Mundano. Segundo ele, as cinzas utilizadas na pintura são originárias dessas áreas atingidas pelas queimadas de 2024.
Em resposta, a Cargill declarou que respeita a liberdade de expressão do artista, mas considerou o mural impreciso e afirmou que suas práticas estão alinhadas com os compromissos de eliminar o desmatamento em suas cadeias de produção até 2025. A empresa nega ainda qualquer envolvimento com o projeto da Ferrogrão, uma ferrovia planejada pelo governo que cortará a Amazônia para facilitar o escoamento de grãos.
O objetivo de Mundano, ao trazer o inglês para o mural, é impactar diretamente os membros da família Cargill-MacMillian, que administra a companhia nos Estados Unidos. “Queremos apenas lembrá-los do compromisso que fizeram de preservar o meio ambiente. Promessas precisam ser cumpridas”, reforça ele.
Pedro Charbel, coordenador da Amazon Watch, ONG que apoia o mural, endossa a crítica: “A Ferrogrão é uma obra para beneficiar o lucro das grandes corporações, às custas da nossa floresta”.

















































