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NOVA BOMBA NO CASO VORCARO: ÁUDIO CITA R$ 30 MILHÕES PARA FILME SOBRE LULA E PROVOCA CRISE POLÍTICA
Revelação da revista Veja coloca o Banco Master novamente no centro da disputa presidencial. Ex-banqueiro fala em pagamentos não declarados, mas Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República negam ter recebido depoimento ou provas que confirmem a acusação.
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 10 de outubro de 2026

Leitura Rápida — 1 Minuto
Uma reportagem da revista Veja, publicada na sexta-feira (9), revelou um áudio atribuído a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no qual ele afirma ter destinado recursos para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A publicação menciona supostos pagamentos de R$ 30 milhões em dinheiro vivo, envolvendo o Instituto Lula, e negociações para obter acesso a negócios relacionados a fundos de pensão.
A denúncia teve repercussão imediata no cenário político, em plena campanha do segundo turno das eleições presidenciais.
Entretanto, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República contestaram informações sobre uma suposta delação. Segundo as autoridades, não houve depoimento formal nem apresentação de documentos com o conteúdo divulgado. A existência de pagamentos ilícitos não foi comprovada.
Leitura Integral
Áudio atribuído a Vorcaro provoca nova controvérsia
O caso Banco Master ganhou um novo capítulo com a divulgação de gravações atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a Veja, o empresário teria relatado a participação em um esquema de pagamentos envolvendo pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores e o financiamento de um documentário sobre Lula.
A publicação cita o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto e Paulo Okamotto, dirigente ligado ao Instituto Lula, como personagens dos episódios narrados pelo banqueiro.
O valor de R$ 30 milhões aparece nos relatos e documentos descritos pela revista. No trecho de áudio divulgado, porém, Vorcaro não apresenta comprovação do pagamento desse valor.
A reportagem também associa as supostas negociações ao interesse do Banco Master em realizar operações com fundos de pensão. Essas afirmações permanecem sob contestação.
Polícia Federal desmente existência de depoimento
A repercussão da denúncia levou a Polícia Federal a divulgar um esclarecimento oficial na sexta-feira (9).
A corporação afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito pela revista e que não entregou documentos ou anexos com as informações mencionadas.
A Procuradoria-Geral da República também negou ter recebido o material como parte de uma colaboração formal.
As tentativas de acordo de delação premiada apresentadas pelo ex-banqueiro não foram aceitas pelos investigadores por ausência de elementos suficientes de corroboração.
Isso significa que, até o momento, não existem provas oficialmente confirmadas pelas autoridades de que os alegados R$ 30 milhões tenham sido repassados ao Instituto Lula ou aos responsáveis pelo documentário.
O advogado Daniel Bialski reconheceu a voz de Vorcaro no áudio, mas afirmou desconhecer as circunstâncias em que a gravação foi realizada.
Já Sérgio Leonardo, que participou das negociações anteriores de colaboração premiada, declarou não reconhecer a autenticidade do material.
As divergências ampliaram os questionamentos sobre a origem da gravação, sua integridade e eventual utilização como prova em investigação criminal.
O documentário Lula, dirigido por Oliver Stone e Rob Wilson, foi lançado em maio de 2024 no Festival de Cannes.
A equipe de Stone declarou anteriormente não ter recebido investimentos, patrocínios ou contribuições de Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de empresas relacionadas ao grupo.
Segundo levantamento da Agência Lupa, também não foram apresentados comprovantes que demonstrassem o alegado repasse ao filme.
Flávio Bolsonaro reage e campanha de Lula pede investigação
A divulgação ocorreu em um momento decisivo da eleição presidencial.
Flávio Bolsonaro, candidato do PL, afirmou que o financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, Jair Bolsonaro, teria ocorrido por meio de patrocínio regular, sem contrapartida política.
O senador também utilizou a nova reportagem para questionar a relação entre Vorcaro e o entorno do presidente Lula.
A campanha petista, por sua vez, contestou a denúncia, classificou sua divulgação como uma tentativa de interferência eleitoral e pediu à Polícia Federal que investigue a origem e a autenticidade do áudio.
A Advocacia-Geral da União informou que solicitará direito de resposta à revista responsável pela publicação.
O que ainda precisa ser esclarecido
A controvérsia levanta questões que dependem de investigação: quem realizou a gravação, quando ela foi produzida, se houve algum pagamento ao Instituto Lula e se existem registros financeiros ou testemunhas capazes de confirmar as afirmações.
Também é necessário esclarecer se a gravação sofreu alterações e se foi produzida ou divulgada com finalidade eleitoral.
Até que essas questões sejam respondidas, o relato atribuído a Vorcaro permanece uma acusação não comprovada, e não uma conclusão de investigação criminal.
Caso Master amplia tensão política
O episódio recoloca no centro do debate público as relações entre empresários, instituições financeiras e agentes políticos.
As suspeitas envolvendo recursos destinados a produções audiovisuais sobre Lula e Bolsonaro apresentam situações probatórias diferentes e devem ser examinadas individualmente, sem antecipação de culpa.
Em meio às eleições, a cobrança por transparência precisa alcançar todos os envolvidos, independentemente de partidos ou posições políticas.
O interesse público exige que denúncias sejam investigadas, que os acusados possam apresentar suas versões e que eventuais responsabilidades sejam estabelecidas com base em provas.
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Jornalismo com Responsabilidade Social.
Apuração: Veja, Estadão, Agência Brasil, Folha de S.Paulo, CNN Brasil e Agência Lupa. Informações verificadas até a manhã de 10 de outubro de 2026.























































